A SP-Arte Rotas abre as portas nesta quarta-feira, 27, e segue até domingo, 31, reunindo em São Paulo 65 museus, galerias e projetos para apresentar a diversidade artística brasileira. O foco declarado é revelar novos destaques do setor, em diálogo direto com públicos, curadores e colecionadores que buscam mapear práticas emergentes a partir de diferentes territórios do País.
Para Fernanda Feitosa, fundadora da SP-Arte, trata-se de “um convite a dar um mergulho profundo no Brasil e descobrir novos artistas”, com nomes que produzem no Recôncavo Baiano, em Alagoas, no Jequitinhonha e também em São Paulo. A curadoria da feira reforça a ideia de rotas e travessias, percursos estéticos e culturais que conectam linguagens, materiais e memórias locais em uma cartografia viva da arte brasileira contemporânea.

Alcance ampliado e conexão latino-americana
Esta é a quarta edição do evento sob o nome SP-Arte Rotas, evolução de “Rotas Brasileiras”, movimento que explicita a ambição internacional do projeto. A mudança de nomenclatura marca uma abertura programática que valoriza intercâmbios e aproximações regionais, sem perder a centralidade no Brasil como eixo articulador de debates e descobertas.
Nesta edição, pela primeira vez, uma galeria peruana e uma galeria argentina participam da feira. A presença dessas casas reforça o vínculo com a América Latina e reconhece influências cruzadas que o Brasil recebe de seus vizinhos, e também exerce sobre eles, expandindo o diálogo entre cenas artísticas e contribuindo para um ecossistema mais conectado.
Marepe em destaque pela Galeria Luisa Strina
Entre os nomes apontados por Fernanda Feitosa, está o artista baiano Marcos Reis Peixoto (Marepe), representado pela Galeria Luisa Strina. Singular em sua geração, Marepe articula temas universais: memória, família, pertencimento e cotidiano, por meio de objetos e materiais encontrados ao seu redor, deslocando usos e sentidos para instaurar novas narrativas.
Para o Rotas, o artista trouxe trabalhos inéditos, incluindo gravuras e esculturas “quase saindo do forno”, ao lado de peças de diferentes períodos. O conjunto evidencia a coerência de pesquisa e a flexibilidade de meios que caracterizam sua trajetória, em obras que tratam do comum sem perder densidade simbólica e afetiva.

Tradições modeladas em barro: Almir Lemos na Paulo Darzé Galeria
Outro destaque é o baiano Almir Lemos, da Paulo Darzé Galeria, cuja produção em barro convoca tradições locais de Maragogipinho. Suas obras incorporam elementos dos orixás em moringas, ânforas e vasos, fazendo da forma um veículo de memória, espiritualidade e permanência. A potência do gesto reside tanto na escolha do material quanto na inscrição territorial de suas práticas.
As peças são curadas ao ar livre, não passam por forno, procedimento que confere singularidade à superfície e aos volumes. Essa abordagem reforça a relação com o ambiente e com o tempo de cada cura ao ar livre, evidenciando um processo que conjuga técnica, ritual e aprendizado comunitário.
Superfície, narrativa e gesto: Juliana Lapa na Marco Zero
A recifense Juliana Lapa, aposta da Marco Zero, trabalha sobre superfícies de madeira cobertas por massa de cor, que ela raspa para construir histórias inventadas. O procedimento revela camadas, apaga e reescreve traços, convidando o público a percorrer visualmente um campo de memórias e ficções que se desdobram como “biombo” pictórico.
Entre figuração e abstração, seu vocabulário sugere passagens e cenas possíveis, estimulando leituras abertas que variam a cada observador. Ao aproximar suporte e narrativa, a artista propõe uma experiência íntima e tátil, na qual o tempo do fazer e o tempo de olhar se sobrepõem.
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Pigmentos da terra e paisagem: Paulo Tito Terapia na Galatea
Em São Paulo, Paulo Tito Terapia se destaca na Galeria Galatea com pinturas de paisagem e naturezas-mortas realizadas com pigmentos naturais de terras e areias. A recusa a cores artificiais aproxima o trabalho de processos materiais elementares e reforça a dimensão sensorial de cada camada aplicada.
Esse compromisso com origem e matéria imprime sobriedade cromática e densidade atmosférica às telas, nas quais a paisagem emerge menos como cenário e mais como presença. O resultado são composições que metabolizam o entorno e oferecem ao público uma atenção renovada ao que é próximo, cotidiano e essencial.
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