Após quase uma década longe da direção, Tom Ford retorna ao cinema com um novo projeto que promete unir elegância, drama e provocação. O estilista e cineasta confirmou oficialmente a adaptação do romance Cry to Heaven, de Anne Rice, autora de Entrevista com o Vampiro.
Além de dirigir, Ford assina o roteiro e produz o longa por meio de sua produtora Fade To Black, consolidando um retorno que une suas duas grandes vocações: a estética da moda e a narrativa da identidade. O filme está atualmente em pré-produção em Londres e Roma, com filmagens programadas para começar em janeiro de 2026 e estreia prevista para o outono europeu de 2026.

Um elenco de peso e a estreia de Adele no cinema
O projeto reúne um elenco de alto perfil que inclui Nicholas Hoult, Aaron Taylor-Johnson, Colin Firth, Paul Bettany, Thandiwe Newton, Mark Strong, George MacKay, Ciarán Hinds, Hunter Schafer, Lux Pascal e Adele, que fará sua aguardada estreia como atriz. A cantora britânica, vencedora de múltiplos Grammys e Oscars, trará sua presença icônica a um papel ainda mantido em sigilo, despertando enorme expectativa no público e na crítica.
O filme também marca o reencontro de Ford com Taylor-Johnson, que estrelou Animais Noturnos (2016), e com Firth, vencedor da Copa Volpi em Veneza por Single Man (2009). O retorno desses colaboradores reforça a continuidade de uma visão autoral que combina sofisticação visual e intensidade emocional, marcas registradas da filmografia de Ford.

Drama, arte e liberdade na Itália do século XVIII
Ambientado na Itália do século XVIII, Cry to Heaven segue a trajetória de dois personagens improváveis: um nobre veneziano e um cantor castrado da Calábria, cujos destinos se cruzam no mundo da ópera. A narrativa explora temas como identidade, traição, amor e busca por liberdade artística e pessoal, tópicos recorrentes na obra de Anne Rice e afinados com o universo de Ford.
A escolha do diretor por essa história reflete sua fascinação pela beleza ambígua e pela melancolia do desejo, frequentemente presente em suas criações para o cinema e para a moda. Em Cry to Heaven, ele promete explorar o contraste entre a disciplina estética da aristocracia e o impulso libertador da arte, transformando a trama em uma ópera cinematográfica sobre corpo, voz e transcendência.

Um projeto pessoal e autofinanciado
Segundo fontes próximas à produção, Ford vinha planejando o filme desde 2024, mas esperou reunir o elenco ideal antes de confirmar a data de início das gravações. Em vez de buscar financiamento tradicional, o cineasta optou por autofinanciar o projeto, preservando controle criativo total sobre a obra e prevendo lançá-la no mercado após a conclusão das filmagens.
Desde que vendeu sua marca homônima à Estée Lauder Companies por US$ 2,8 bilhões em 2023, Ford tem dedicado seu tempo à produção cinematográfica e ao desenvolvimento de projetos autorais. Essa nova fase marca um retorno à independência, em linha com seu desejo de explorar o cinema como forma de expressão pura, livre das pressões corporativas que moldaram parte de sua carreira na moda.
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O legado cinematográfico de Tom Ford
Cry to Heaven será o terceiro longa-metragem da carreira de Tom Ford, após os aclamados A Single Man (2009) e Animais Noturnos (2016), ambos lançados no Festival de Veneza, onde receberam prêmios e elogios da crítica internacional.
Seu filme de estreia rendeu indicações ao Oscar, prêmios no BAFTA, no GLAAD Media Awards e uma vaga na lista do AFI Film of the Year. Já Animais Noturnos conquistou o Grande Prêmio do Júri em Veneza, além de nove indicações ao BAFTA e três ao Globo de Ouro, com Aaron Taylor-Johnson vencendo como melhor ator coadjuvante.
Agora, com Cry to Heaven, Ford promete um retorno à grandiosidade estética, combinando o drama psicológico de suas obras anteriores a uma narrativa histórica sobre arte e redenção. Se seus filmes anteriores examinaram o desejo sob a lente da solidão e do luto, este novo capítulo parece disposto a transformar o palco da ópera em espelho da própria condição humana.
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