Jacquemus retorna ao Museu Picasso para novo desfile em Paris

Simon Porte Jacquemus volta ao icônico museu parisiense para apresentar seu próximo show, reforçando o diálogo entre moda, arte e arquitetura histórica.

Jacquemus retorna ao Museu Picasso para novo desfile em Paris
Foto: Reprodução

Simon Porte Jacquemus sabe escolher cenários com a mesma precisão com que constrói suas coleções. Para seu próximo desfile, marcado para 25 de janeiro, o designer francês retorna ao Museu Picasso, em Paris, espaço que já havia recebido o marcante show “La Bomba”, da primavera de 2018. A escolha acontece no encerramento do calendário masculino parisiense e na véspera da Paris Couture Week, ampliando o impacto simbólico do evento.

Mais do que uma decisão logística, o retorno ao museu reafirma a estratégia de Jacquemus de tratar o desfile como experiência cultural. O local, um hôtel particulier do século XVII, volta a funcionar como cenário e narrativa, reforçando o posicionamento da marca no cruzamento entre moda, arte e arquitetura histórica.

Jacquemus e o Museu Picasso: um reencontro estratégico

O reencontro entre Jacquemus e o Museu Picasso não é casual. Segundo comunicado da marca, o designer mantém uma relação próxima com a instituição e com o universo artístico de forma mais ampla. Essa afinidade se traduz em uma construção contínua de parcerias com espaços culturais, vistos não apenas como locações, mas como extensões do discurso criativo da marca.

O Museu Picasso, instalado em um edifício construído entre 1656 e 1659, é um exemplo emblemático da arquitetura Mazarin. O espaço combina decoração escultórica abundante, pátios internos e uma escadaria monumental inspirada nos desenhos de Michelangelo para a Biblioteca Laurenciana, em Florença. Um cenário que, por si só, já impõe ritmo e solenidade à apresentação.

Ao voltar a esse endereço, Jacquemus revisita sua própria trajetória, criando um diálogo entre passado e presente da marca. O gesto também reforça uma leitura mais madura de seu trabalho, que se afasta do espetáculo puramente visual para apostar em camadas de significado.

Nota da redação: o retorno ao Museu Picasso acontece sete anos após o desfile “La Bomba”, apresentado no mesmo local, considerado um dos pontos de virada na consolidação internacional da marca Jacquemus.

Jacquemus retorna ao Museu Picasso para novo desfile em Paris
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Moda, arte e arquitetura como pilares da marca

Ao longo dos últimos anos, Jacquemus construiu uma assinatura fortemente associada a cenários icônicos. Campos de lavanda no sul da França, minas de sal, plantações de trigo e praias se tornaram parte do imaginário visual da marca, sempre explorados com enquadramento cinematográfico e forte apelo emocional.

No entanto, o designer também vem demonstrando interesse crescente por ambientes fechados e históricos. Em junho passado, ele retornou ao Palácio de Versalhes, desta vez ocupando a Orangerie. Já em janeiro de 2025, surpreendeu ao realizar um desfile intimista para apenas 40 convidados no apartamento parisiense do arquiteto Auguste Perret, um marco do Art Déco com painéis de carvalho e pilares de concreto aparente.

Essa alternância entre grandiosidade e intimismo revela uma Jacquemus mais consciente do poder do espaço como linguagem. O Museu Picasso, nesse contexto, funciona como um meio-termo ideal: monumental, histórico e central, mas também carregado de silêncio e contemplação.

O que esperar do próximo desfile de Jacquemus

Embora poucos detalhes sobre a coleção tenham sido revelados, o contexto do desfile oferece pistas importantes. Apresentar um show no Museu Picasso, às vésperas da alta-costura, posiciona a coleção em um território de maior sofisticação conceitual. É um movimento que sugere menos foco em viralização imediata e mais atenção à construção de imagem de longo prazo.

A localização central do museu também deve facilitar a presença de convidados internacionais, imprensa e compradores, ampliando a visibilidade do evento. Além disso, a escolha reforça a narrativa de Jacquemus como um designer profundamente ligado à cultura francesa, mesmo mantendo um apelo global.

O desfile promete, mais uma vez, transformar o espaço em parte da coleção. Não apenas como pano de fundo, mas como elemento ativo da experiência, algo que se tornou marca registrada do estilista.

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Jacquemus, memória e continuidade criativa

O retorno ao Museu Picasso não é apenas um gesto nostálgico. Ele sinaliza uma fase de continuidade e refinamento, em que Simon Porte Jacquemus revisita símbolos do próprio percurso para ressignificá-los. Em vez de buscar sempre o inédito, o designer aposta na repetição consciente, carregada de novas leituras.

Essa estratégia fortalece a identidade da marca em um momento em que o calendário da moda se torna cada vez mais acelerado e fragmentado. Ao ancorar seus desfiles em espaços culturais e históricos, Jacquemus cria pausas visuais e narrativas, convidando o público a observar com mais atenção.

No fim, o retorno ao Museu Picasso reforça aquilo que o designer vem construindo há anos: a moda como experiência cultural completa, onde roupa, espaço, história e emoção caminham juntos.

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