Pedido de Chapter 11 revela impacto direto sobre marcas como Christian Louboutin, Capri Holdings, Chanel e Kering, e escancara fragilidade do varejo de luxo nos EUA.

A falência da Saks Global deixou de ser rumor e se tornou oficial. Após semanas de especulação, o grupo controlador de Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman entrou com pedido de recuperação judicial sob o Chapter 11 nos Estados Unidos. O processo, protocolado no Texas, expõe não apenas o tamanho da crise financeira do grupo, mas também seu efeito dominó sobre algumas das maiores marcas de luxo do mundo.
O documento judicial da falência da Saks Global revela cifras expressivas em dívidas não garantidas com casas icônicas do setor, reforçando como o atual momento do varejo de luxo atravessa um período de ajuste estrutural. Mais do que um episódio isolado, o caso sinaliza tensões profundas na relação entre grandes varejistas e marcas globais.

O que levou à falência da Saks Global
A falência da Saks Global ocorre em um contexto de endividamento acelerado e decisões estratégicas de alto risco. Um dos principais fatores foi a aquisição da Neiman Marcus, concluída há cerca de um ano, operação financiada com aproximadamente US$ 2,2 bilhões em títulos. O movimento, à época visto como uma tentativa de consolidação do luxo físico nos Estados Unidos, acabou ampliando de forma significativa a exposição financeira do grupo.
Além disso, a empresa assumiu cerca de US$ 600 milhões em novas dívidas durante um processo de refinanciamento recente. Segundo os autos do Chapter 11, tanto os ativos quanto os passivos da companhia estão estimados entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões, números que ainda devem ser ajustados ao longo do processo judicial.
Para manter as operações durante a reestruturação, a falência da Saks Global foi acompanhada por um pacote de US$ 1,75 bilhão em financiamento obtido junto a detentores de títulos. Esse capital permitirá que as lojas continuem funcionando enquanto a empresa renegocia seus compromissos financeiros.

Quem são os principais credores da Saks Global
Entre os dados mais sensíveis revelados pela falência da Saks Global está a lista de credores não garantidos. Nela aparecem alguns dos nomes mais relevantes do mercado de luxo internacional.
A marca de calçados Christian Louboutin figura como o 13º maior credor não garantido, com US$ 21,6 milhões a receber. Já a Capri Holdings, controladora de Michael Kors e Jimmy Choo, ocupa a quarta posição, com um valor de US$ 33,3 milhões em aberto.
Outros números chamam ainda mais atenção. A Chanel aparece com um crédito estimado em US$ 136 milhões, enquanto o conglomerado Kering, dono de Gucci, Balenciaga e Saint Laurent, tem US$ 59,9 milhões a receber.
Ao todo, mais de 10 mil credores são citados no processo. Pequenas e médias marcas independentes, que dependem fortemente da exposição em grandes varejistas, estão entre as mais vulneráveis dentro da falência da Saks Global, já que precisam recorrer à Justiça para tentar recuperar valores em um cenário altamente competitivo.
Nota da redação: A lista de credores da falência da Saks Global reforça como o modelo de compras antecipadas e pagamentos parcelados do varejo de luxo transfere riscos significativos para as marcas, especialmente em períodos de instabilidade econômica.

Mudanças na liderança e o futuro da Saks Global
A falência da Saks Global também provocou uma reconfiguração rápida em sua liderança. Richard Baker, executivo do setor imobiliário responsável pela controversa fusão entre Saks e Neiman Marcus, deixou o cargo de CEO pouco mais de uma semana após assumir oficialmente a posição.
Para liderar a empresa durante o processo de recuperação, foi nomeado Geoffroy van Raemdonck, ex-CEO do Neiman Marcus Group. Em seu primeiro comunicado, o executivo descreveu o momento como decisivo para redefinir o futuro da companhia e reposicionar sua atuação no varejo de luxo.
Van Raemdonck rapidamente anunciou reforços estratégicos. Darcy Penick, ex-presidente da Bergdorf Goodman, assumiu como presidente e chief commercial officer, ficando responsável por áreas-chave como lojas, marketing, compras, digital e relacionamento com clientes. Já Lana Todorovich passa a liderar as parcerias globais de marca. A área financeira segue sob comando de Brandy Richardson.
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O impacto da falência da Saks Global no varejo de luxo
Mais do que números, a falência da Saks Global escancara um momento de transformação no varejo de luxo. O aumento de custos operacionais, a mudança no comportamento do consumidor e a pressão por margens mais saudáveis colocam em xeque modelos tradicionais baseados em grandes lojas físicas e alto estoque.
Para as marcas, o caso serve de alerta. A dependência excessiva de poucos varejistas globais pode se tornar um risco sistêmico. Já para o mercado, a recuperação judicial da Saks Global pode acelerar debates sobre novos formatos de distribuição, maior controle de inventário e relações comerciais mais equilibradas.
A falência da Saks Global ainda está em curso, mas seus efeitos já reverberam por toda a cadeia do luxo. O desfecho do processo ajudará a definir não apenas o futuro do grupo, mas também os rumos do varejo de alto padrão nos próximos anos.
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