Com curadoria de Anthony Vaccarello, a mostra apresenta o encontro entre processos fotográficos analógicos e a linguagem contemporânea da moda em Paris.

A exposição de Hugo Mapelli no Saint Laurent Rive Droite marca um novo capítulo na interseção entre arte, fotografia e moda de luxo. Com abertura em 20 de janeiro de 2026, no espaço Saint Laurent Babylone, em Paris, a mostra segue em cartaz até 22 de março e apresenta a primeira grande exposição individual do fotógrafo parisiense. A curadoria é assinada por Anthony Vaccarello, diretor criativo da Saint Laurent, reforçando a aproximação da maison com práticas artísticas autorais e processos manuais.
A exposição de Hugo Mapelli no Saint Laurent Rive Droite oferece um raro panorama de uma produção que se mantém deliberadamente distante da lógica digital dominante. O resultado é uma experiência que valoriza o gesto, o tempo e a materialidade da imagem, em sintonia com a visão estética que Vaccarello vem consolidando à frente da casa.
A trajetória de Hugo Mapelli e a fotografia analógica
Nascido e radicado em Paris, Hugo Mapelli construiu uma trajetória singular no campo da fotografia contemporânea. Antes de desenvolver sua própria linguagem, atuou como assistente de dois nomes centrais da imagem de moda: Peter Lindbergh e Hedi Slimane. Essa formação dupla deixou marcas claras em seu trabalho, combinando sensibilidade crua, rigor formal e uma estética depurada.
A prática de Mapelli é profundamente enraizada no laboratório fotográfico. Em vez de depender de fluxos digitais, o artista trabalha com processos históricos como cianotipias, fotogramas, calótipos e luminogramas. Técnicas do século XIX ganham nova vida em suas mãos, produzindo imagens que transitam entre fotografia, objeto escultórico e abstração visual.
Ao priorizar o filme e a manipulação direta da luz e dos materiais, Mapelli explora texturas, imperfeições e acidentes visuais. Seus retratos, paisagens e registros arquitetônicos capturam instantes fugazes, muitas vezes silenciosos, que escapam à precisão excessiva da fotografia digital.

A exposição de Hugo Mapelli no Saint Laurent Babylone
A exposição de Hugo Mapelli no Saint Laurent Rive Droite reúne uma seleção curada de obras que evidenciam o diálogo entre artesanato fotográfico e imaginação contemporânea. As imagens apresentadas refletem temas recorrentes em sua produção, como memória material, vestígios do tempo e a beleza do inacabado.
Esses mesmos temas ecoam no trabalho de Vaccarello à frente da Saint Laurent, especialmente em sua leitura do arquivo da maison. Assim, a exposição não se limita a apresentar fotografias, mas constrói uma conversa silenciosa entre moda e arte, entre herança e reinvenção.
O universo visual de Mapelli transita com naturalidade entre moda e abstração. Ao longo da carreira, o fotógrafo colaborou com marcas de prestígio como Aesop, Cartier, Chanel, Chloé, Dom Pérignon, Hermès e Lancôme. Seu trabalho editorial também passou por títulos como Numéro Berlin, Wallpaper, Port Magazine, Twin, Noisé Magazine e Harper’s Bazaar Italia.
Nota da redação: Todas as obras exibidas na exposição de Hugo Mapelli no Saint Laurent Rive Droite estarão disponíveis para venda, reforçando o caráter colecionável da mostra. Um fanzine exclusivo, desenvolvido especialmente para a ocasião, também será comercializado nas lojas.
Saint Laurent Rive Droite como plataforma cultural
A exposição de Hugo Mapelli no Saint Laurent Rive Droite acontece dentro de um projeto maior idealizado por Vaccarello. O Rive Droite foi concebido como um espaço cultural e criativo que amplia o alcance da marca para além do vestuário. O nome faz referência direta à histórica linha Rive Gauche, lançada nos anos 1960, que ajudou a redefinir o luxo ao torná-lo mais acessível e conectado à vida urbana.
O endereço parisiense, localizado na rue Saint-Honoré, integra uma rede internacional de espaços da Saint Laurent em cidades como Los Angeles, Nova York e Pequim. Mais do que lojas, esses locais funcionam como hubs culturais, abrigando exposições, lançamentos editoriais, música, performances e projetos artísticos.
Nesse contexto, a exposição de Hugo Mapelli no Saint Laurent Rive Droite reforça a estratégia da maison de atuar como mediadora cultural. Moda, arte e design se encontram em um mesmo território, criando experiências que extrapolam o consumo tradicional e estimulam novas formas de diálogo criativo.
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Fotografia, moda e o valor do processo
A exposição de Hugo Mapelli no Saint Laurent Rive Droite também chama atenção por resgatar o valor do processo em um momento marcado pela aceleração e pela produção em larga escala. Ao destacar técnicas manuais e históricas, a mostra propõe uma pausa. Um convite à observação atenta, à contemplação e à valorização do tempo como elemento criativo.
Essa abordagem dialoga com uma tendência mais ampla no luxo contemporâneo, que volta a enfatizar saberes artesanais, autenticidade e narrativas autorais. No caso de Mapelli, cada imagem carrega a marca do gesto humano, tornando-se única e irrepetível.
Para a Saint Laurent, a exposição consolida o Rive Droite como um espaço onde a moda se conecta a outras linguagens criativas de forma orgânica. Não como pano de fundo, mas como parte ativa da construção de significado.
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