O acabamento que marcou os anos 2010 retorna ao radar da moda, agora reposicionado entre estética experimental, DIY e consumo consciente.
O jeans resinado está oficialmente de volta ao vocabulário da moda. Popular no início da década de 2010, o acabamento que imita couro, vinil ou superfícies metalizadas reaparece em coleções recentes, editoriais e conteúdos digitais, apontando uma possível consolidação como tendência até 2026.
Mais do que nostalgia, o retorno do jeans resinado revela um movimento maior da indústria: a reinterpretação de técnicas conhecidas sob uma nova lógica estética, que mistura experimentação, desgaste proposital e uma relação mais crítica com o consumo. A peça não promete conforto absoluto, mas entrega impacto visual e discurso.
É nesse contexto que criadores de conteúdo, estilistas independentes e grandes marcas voltam a discutir o lugar desse material no guarda-roupa contemporâneo.
Por que o jeans resinado reaparece no ciclo da moda
A moda opera em ciclos. Tendências retornam, desaparecem e reaparecem ressignificadas. No caso do jeans resinado, o revival dialoga diretamente com o interesse crescente por texturas artificiais, superfícies brilhantes e referências industriais.
O acabamento rígido, quase plástico, cria um contraste direto com a fluidez que dominou os últimos anos. Ele chama atenção em um cenário saturado de minimalismo confortável. Não por acaso, a peça volta associada a uma estética mais ousada, jovem e experimental.
Outro fator relevante é o ambiente digital. Vídeos curtos, redes sociais e plataformas visuais favorecem roupas de alto impacto estético — mesmo que pouco funcionais no dia a dia.
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O que define o acabamento do jeans resinado
Tecnicamente, o jeans resinado recebe uma camada de tinta e resina aplicada sobre o tecido tradicional. O resultado é uma superfície que pode lembrar couro, vinil ou metal, dependendo da pigmentação e da técnica usada.
Esse processo altera completamente o comportamento do material. O tecido perde maleabilidade, torna-se rígido e, em muitos casos, desconfortável. O uso contínuo provoca rachaduras, marcas de dobra e desgaste da tinta — efeitos que, hoje, fazem parte da proposta visual da peça.
Esse envelhecimento não é um defeito. Pelo contrário. Ele reforça a estética crua e imperfeita que a moda contemporânea passou a valorizar.
Jeans resinado no luxo e no streetwear
Marcas internacionais voltaram a explorar o acabamento em propostas pontuais. Casas como Balenciaga e Acne Studios já apresentaram versões resinadas em calças e saias, sempre associadas a styling provocativo e volumes amplos.
A lógica é clara: o jeans resinado não aparece como peça básica, mas como elemento de ruptura. Ele funciona melhor quando contrasta com tecidos leves, modelagens amplas ou sobreposições inesperadas.
Ao mesmo tempo, marcas como Ganni exploram o acabamento de forma mais acessível, conectando a tendência ao streetwear e ao consumo jovem.
📝 Nota da redação
Apesar do apelo visual, o jeans resinado raramente é pensado como peça de longa duração. O desgaste acelerado e o desconforto fazem parte da proposta — e também explicam por que ele é visto como tendência passageira, não como investimento.
DIY e customização: a nova lógica do jeans resinado
Um dos aspectos mais relevantes do retorno do jeans resinado é sua relação com o faça-você-mesmo. Criadores como Fabela Cassim defendem que a peça não justifica alto investimento financeiro, justamente por seu caráter experimental.
A customização surge como alternativa lógica. Jeans antigos, sprays metálicos, tintas específicas e resinas permitem criar efeitos semelhantes aos vistos em grandes marcas, com custo reduzido e liberdade criativa.
Esse movimento reforça uma tendência maior da moda atual: a valorização do processo, da experimentação e da autoria individual.
Conforto, uso real e expectativas
É importante alinhar expectativas. O jeans resinado não é uma peça pensada para longas jornadas ou uso contínuo. Sua rigidez limita movimentos e altera a experiência de vestir.
Por isso, ele funciona melhor em contextos específicos: produções noturnas, eventos, editoriais ou composições pontuais. No cotidiano, tende a ser substituído rapidamente por opções mais confortáveis.
Esse fator explica por que a tendência cresce mais no campo da imagem do que no consumo massivo.
O que esperar do jeans resinado até 2026
A projeção é clara. O jeans resinado deve ganhar mais espaço nos próximos anos, mas de forma segmentada. Ele não retorna como uniforme, e sim como ferramenta estética.
Novas técnicas, resinas mais flexíveis e misturas com tecidos tecnológicos podem suavizar algumas limitações. Ainda assim, o apelo principal seguirá sendo visual, conceitual e experimental.
Mais do que tendência isolada, o jeans resinado simboliza um momento da moda que valoriza risco, textura e identidade.
O retorno do jeans resinado confirma que a moda continua revisitando o passado para criar novas narrativas. Rígido, brilhante e desconfortável, ele não busca agradar a todos — e talvez esse seja seu maior trunfo.
Entre luxo, streetwear e DIY, a peça ocupa um espaço claro: o da experimentação consciente. Para quem deseja aderir, a melhor estratégia pode ser criar, testar e reinterpretar, em vez de investir alto.
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