Projeto do MOFA Studio em Himachal Pradesh transforma encosta montanhosa em experiência imersiva de arte, paisagem e tecnologia.

O Eila art retreat surge como um manifesto contemporâneo sobre como arquitetura, arte e tecnologia podem coexistir em equilíbrio com o território. Localizado em Naggar Valley, no estado de Himachal Pradesh, na Índia, o projeto foi desenvolvido pelo MOFA Studio e propõe uma imersão total na paisagem do Himalaia.
Mais do que um resort, o Eila art retreat funciona como uma extensão do terreno. Implantado em uma encosta íngreme, o conjunto adota uma estratégia escalonada que preserva o solo original e respeita os fluxos naturais de água da chuva. Em vez de impor um objeto arquitetônico à montanha, o projeto parece emergir dela.
O resultado é uma arquitetura fluida, orgânica e de alta performance ambiental.
Eila art retreat e a arquitetura fluida como conceito central
O Eila art retreat foi concebido a partir de um sistema computacional avançado. O escritório utilizou ferramentas digitais e inteligência artificial como colaboradoras criativas no processo de projeto.
Fundado em 2007 pelo arquiteto Manish Gulati, o MOFA Studio opera sob um princípio de “fluidez em cinco dimensões”: espacial, ecológica, social, temporal e sistêmica. Essa metodologia busca responder à vida real, e não impor formas rígidas ao contexto.

No caso do Eila art retreat, essa abordagem se traduz em volumes que se adaptam à topografia complexa da encosta. As unidades habitacionais assumem formas biomórficas, semelhantes a cápsulas, distribuídas ao longo do terreno em um movimento descendente.
A implantação cria um percurso gradual, quase coreográfico, que acompanha a inclinação natural da montanha.
Conchas biomórficas e instrumentos visuais
As chamadas “cápsulas” do Eila art retreat são compostas por estruturas leves de aço e conchas finas de concreto. Essa solução reduz a intensidade material e melhora o desempenho térmico das edificações.
Cada unidade oferece vista panorâmica de 360 graus para o vale de Naggar. Mas o destaque não está apenas na vista, e sim na maneira como ela é enquadrada.

As aberturas são tratadas como instrumentos visuais. Janelas e claraboias são posicionadas estrategicamente para capturar a paisagem como se fosse uma obra viva. A montanha não é cenário. É protagonista.
Nota da redação
O projeto nasce de uma colaboração de quase 20 anos entre Manish Gulati e o educador indiano Shri Rama Shankar Singh. Essa continuidade explica o refinamento conceitual do Eila art retreat e sua maturidade formal.
Arte como infraestrutura
No Eila art retreat, a arte não aparece como elemento decorativo. Ela é tratada como infraestrutura.
A experiência começa no Gate of Confluence, um pavilhão em pedra que marca a entrada do complexo. O percurso segue até a Kitaabkhana, biblioteca onde a luz atravessa painéis vazados e luminárias inspiradas em molduras de bordado.

O projeto inclui ainda um anfiteatro a céu aberto e uma piscina de borda infinita alinhada ao horizonte montanhoso. O próprio masterplan é apresentado como obra gráfica, reforçando a ideia de que arte, arquitetura e cotidiano formam um campo contínuo.
A direção artística foi conduzida por Shri Rama Shankar Singh e Palak Singh, que incorporaram uma curadoria sensível aos interiores, aproximando criatividade e ritual diário.
Materialidade local e absorção ecológica
O Eila art retreat também se destaca pela escolha de materiais. O uso predominante de insumos locais reduz emissões de transporte e integra o projeto às culturas construtivas regionais.
As conchas de concreto foram pensadas para permitir, ao longo do tempo, o crescimento de vegetação local sobre suas superfícies. Isso sugere uma arquitetura que não termina na entrega da obra.
Ela continua evoluindo.
Essa estratégia reduz o impacto visual no cenário do Himalaia e reforça a noção de absorção ecológica. O edifício não compete com a paisagem. Ele se dilui nela.
Tecnologia e intuição no mesmo campo
A integração de inteligência artificial ao processo criativo não elimina a intuição humana. Pelo contrário.
No Eila art retreat, tecnologia e sensibilidade coexistem. O uso de ferramentas paramétricas permitiu resolver restrições topográficas complexas com precisão estrutural. Ao mesmo tempo, a equipe manteve uma abordagem artesanal no detalhamento.
Esse equilíbrio entre sistemas digitais e experiência humana posiciona o projeto como referência contemporânea em arquitetura experimental na Ásia.
O Eila art retreat demonstra que arquitetura pode ser experiência, paisagem e narrativa ao mesmo tempo. Ao integrar design computacional, biomorfismo, arte e materialidade local, o projeto amplia o debate sobre sustentabilidade e imersão sensorial.
Mais do que um retiro artístico, o Eila art retreat é um laboratório vivo de arquitetura fluida.
Para quem acompanha transformações no design global, trata-se de um caso emblemático.
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