Com convertíveis cor-de-rosa, gowns cobertos de glitter e Air no setlist, o primeiro desfile Cruise de Anderson para a Dior transformou o LACMA num noir hollywoodiano que ninguém esperava.

Concreto aquecido, gasolina e tuberosa. Esse era o ar do LACMA na noite do Cruise 2027 da Dior, e Jonathan Anderson sabia exatamente o que estava fazendo ao escolher Los Angeles como palco para sua primeira coleção Cruise à frente da maison.
Algumas centenas de convidados, entre eles Taylor Russell, Anya Taylor-Joy, Sabrina Carpenter, JISOO e o músico Role Model, estavam sentados no pátio do Museu de Arte do Condado de Los Angeles. Paredes de concreto curvilíneo, postes de rua e conversíveis espalhados pelo espaço compunham o cenário. O bassline de Sexy Boy, do Air, ricocheteava pelas paredes enquanto os faróis dos carros e a iluminação da rua banhavam gowns de glitter e malhas metálicas.
Uma mulher de capa prateada cruzou o pátio com uma clutch estampada de jornal sob o braço. Uma figura sombria estava ao lado de um conversível rosa, lendo um livro, irreconhecível na penumbra.
O Cruise 2027 da Dior não começou com um desfile. Começou com uma cena.

Anderson expande o que trouxe das Tulherias
A natureza permaneceu central na visão de Anderson, dando continuidade às ideias exploradas na apresentação das Tulherias. Apliqués florais gigantes voltaram a florescer sobre casacos e vestidos. Pequenas flores brancas semelhantes a tuberosas formaram franjas fixadas nos ombros ou cascateando a partir das barras. Penas delicadas foram torcidas em palavras, “Dior”, “Flow”, “Buzz”, e transformadas em toucados escultóricos que tremiam com a passada de cada modelo.
É o tipo de detalhe que Anderson faz com uma naturalidade que seria difícil de fabricar: o absurdo que faz sentido quando você o vê ao vivo.

AS ROUPAS: GLAMOUR HOLLYWOODIANO COM ESTRANHAMENTO DELIBERADO
O Cruise 2027 da Dior oscilou conscientemente entre modernidade e nostalgia. O Bar jacket da Dior voltou, desta vez mais relaxado e despojado, com algumas versões com bordas de miçangas azuis desgastadas e barras cruas. Capas reapareceram em malhas metálicas cintilantes. Vestidos de miçangas laçadas colavam e drapeavam com fluidez.
O glitter cobriu praticamente tudo: óculos de sol, sombras, bolsas e vestidos que faiscavam prata cada vez que uma modelo era apanhada pela luz. Camisas estilo pijama com vivos contrastantes, tops xadrez carimbados com numerais e brincos desiguais completaram a energia excêntrica da coleção.

Uma coleção que prefere o estranhamento ao óbvio
O que Anderson entregou no Cruise 2027 da Dior não é uma Hollywood idealizada. É a Hollywood de um noir dos anos 1950, ligeiramente fora de foco, com uma protagonista que você não consegue identificar direito porque ela está sempre em movimento ou na sombra errada.
Essa ambiguidade intencional é o que torna a coleção interessante. Anderson não está fazendo glamour fácil. Está fazendo glamour com atrito, e isso é muito mais difícil de acertar.

OS ACESSÓRIOS E O ENCERRAMENTO QUE FICOU NA MEMÓRIA
Os acessórios empurraram a narrativa ainda mais longe. As Lady Dior chegaram em houndstooth. As Bow Bags em estampa de jornal. As Saddle Bags em novos acabamentos acolchoados que inevitavelmente remetiam aos estofados internos de um conversível ou às bancadas de vinil de um diner americano.
A nova Dior Cigale Bag também apareceu, ao lado de minaudières em formato de caracol e joaninha, e da bolsa porco-espinho porta-alfinetes de Anderson, que havia sido antecipada no Instagram dias antes do desfile.

Kelly Watch the Stars e o pôr do sol dourado de encerramento
Para a caminhada final das modelos, Kelly Watch the Stars, também do Air, tomou conta do pátio do LACMA. Uma luz dourada densa inundou o espaço como luz solar. As sombras alongadas das modelos se estenderam pelo pavimento como o plano final de um thriller hollywoodiano antigo, desaparecendo num pôr do sol sintético.
Anderson sabia onde estava e soube usar isso. O Cruise 2027 da Dior não é uma homenagem a Los Angeles. É uma conversa com ela, sobre sedução, penumbra e o tipo de beleza que só existe quando a luz bate de lado.
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