Gabriela Hearst cria uniformes oficiais da seleção uruguaia

A designer uruguaia apresentou no Estadio Centenario, em Montevidéu, o guarda-roupa sob medida da La Celeste para a Copa do Mundo de 2026, inteiramente feito com lã merino de origem local.

A Seleção do Uruguai acaba de receber o guarda-roupa mais sofisticado que uma delegação de futebol já vestiu em uma Copa do Mundo. Gabriela Hearst, a designer uruguaia radicada em Nova York, apresentou os uniformes oficiais da La Celeste para a Copa do Mundo FIFA 2026 em uma coletiva de imprensa realizada no Estadio Centenario, em Montevidéu, o mesmo estádio que abrigou a final da primeira Copa do Mundo da história, em 1930. As peças foram todas confeccionadas sob medida com lã merino de origem uruguaia.

O projeto carrega uma dimensão pessoal que ultrapassa qualquer briefing de moda. Gabriela Hearst nasceu no Uruguai e cresceu na fazenda de gado e ovelhas merino da família em Paysandú, no norte do país, como rancher de sétima geração. A lã merino usada nos uniformes foi obtida em fazendas da mesma região e fiada dentro do próprio país pela Lanas Trinidad, mantendo a cadeia de produção integralmente uruguaia. O detalhe é relevante: o Uruguai é o terceiro maior exportador de lã do mundo, e a fibra merino do país oferece rastreabilidade, biodegradabilidade e certificação livre de mulesing, além de regulação natural de temperatura e controle de umidade.

Os jogadores da Seleção do Uruguai vão usar jaquetas Irving com calças Sebastian, produzidas em métodos de alfaiataria italiana. Cada jaqueta carrega um forro interno em seda jacquard com uma versão tonal do brasão nacional uruguaio, e um patch costurado à mão com o nome do jogador ao lado de uma referência à Copa do Mundo FIFA 2026. Polos leves em micro-merino marfim, do modelo Stendhal, completam o look formal dos atletas, com tecido selecionado pela respirabilidade e adaptação a diferentes climas. A equipe executiva e a diretoria receberam camisas brancas em popelina Sea Island e gravatas em twill de seda azul-marinho bordadas com o emblema nacional.

O uniforme feminino inclui blazers Angela e calças Vesta com os mesmos forros em seda jacquard e detalhes personalizados, complementados por tops de cetim de seda e sapatos Hawes em azul-marinho escuro. Gabriela Hearst também criou o tênis Ohio exclusivo para a delegação, o primeiro sneaker sustentável da casa, com solas de borracha contendo 30% de material reciclado, costuras com 30% de poliéster reciclado certificado pelo Global Recycled Standard e couro fornecido por curtume certificado pelo Leather Working Group, colado com adesivo à base de água. Os jogadores vão usar a versão em couro texturizado branco, e a equipe executiva recebe pares em nubuck azul-marinho, com as iniciais AUF em tom sobre tom aplicadas na lingueta.

O gesto de vestir uma seleção nacional com alfaiataria de luxo feita à mão para uma Copa do Mundo é inédito nesse nível. Enquanto a maioria das delegações chega ao torneio com uniformes de viagem produzidos em série pelas marcas de sportswear que patrocinam as federações, a Seleção do Uruguai vai desembarcar nos Estados Unidos com peças sob medida assinadas por Gabriela Hearst, confeccionadas inteiramente com matéria-prima do próprio país.

Para você que tem acompanhado o circuito de moda e Copa em paralelo, esse projeto faz par com o uniforme Jacquemus para a seleção francesa pela Nike e posiciona a edição de 2026 como o torneio em que as grandes casas de moda entraram de vez no vestuário oficial do futebol.

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