Hermès apresenta sua nova coleção de alta joalheria

Batizada de “Into the Horsescape”, a linha transforma pregos de ferreiro e selas em joias, sugerindo o cavalo em vez de representá-lo.

A Hermès apresenta sua nova coleção de alta joalheria voltando ao ponto de partida de toda a sua história: o cavalo. Batizada de “Into the Horsescape” e assinada por Pierre Hardy, diretor criativo da joalheria da casa, a linha reinterpreta as raízes equestres que existem na marca desde 1837, quando Thierry Hermès abriu um ateliê de arreios em Paris. A diferença é a forma como o tema aparece. Em vez de estampar cavalos nas peças, Hardy escolheu apenas sugeri-los, deixando o animal presente sem nunca ser mostrado de maneira literal.

Essa é a chave conceitual de toda a coleção, e o que a torna interessante. A proposta de Hardy é pegar objetos banais do universo equestre e transformá-los em algo sublime. Nas palavras dele, a ideia é contar implicitamente a história da Hermès, sua relação com o tempo e os materiais, antes de recorrer à imaginação para transformá-los em adorno. O resultado é uma joalheria que transita entre o abstrato e o narrativo, onde o comum se torna extraordinário. Um simples prego de ferreiro, por exemplo, ganha acabamento em ouro e diamante e vira um sol que ilumina o rosto de quem o usa.

Hermès apresenta sua nova coleção de alta joalheria
Foto: Cortesia/Divulgação

Quando a Hermès apresenta uma coleção de alta joalheria construída sobre esse raciocínio, cada peça vira uma pequena tradução de um símbolo. As curvas de um laço são desenhadas em diamantes baguete que se enrolam ao redor do pescoço. Uma sela em miniatura do século XVIII é trabalhada num bracelete de titânio preto acetinado, delicado no pulso. O arco do casco de um cavalo aparece em jade preto reluzente num colar minimalista, enquanto os pregos de ferro usados para fixar as ferraduras se transformam nas pontas cruas de um colar de diamantes. É artesanato de altíssimo nível a serviço de uma ideia, não o contrário.

Vale notar que essa abordagem não está isolada dentro da Hermès. A própria bolsa “Clou de Forge”, lançada recentemente pela marca, parte da mesma lógica de elevar um elemento humilde a objeto de desejo, o que mostra uma direção criativa coerente atravessando diferentes categorias da casa. Não é uma joia pensada de forma isolada, e sim parte de um vocabulário visual que a Hermès vem desenvolvendo com paciência, ligando couro, moda e pedras preciosas sob uma mesma filosofia.

No fim, o que Hardy defende vai além das peças em si. Para ele, o que importa é a visão mais ampla: a silhueta, o movimento, a maneira como alguém existe dentro de um espaço, o estilo. Ele resume dizendo que o estilo nasce de se apropriar de uma roupa ou de uma joia, de um jeito de ser, e não de um efeito. Ao apresentar sua nova coleção de alta joalheria a partir dessa ideia, a Hermès reforça algo que sempre a diferenciou no luxo: a crença de que a verdadeira sofisticação está menos no exagero e mais na história silenciosa que um objeto carrega. Aqui, essa história começa e termina no cavalo, mesmo que ele nunca apareça.

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