Sofás baixos e curvos dos anos 70 voltam à decoração

Modelos próximos ao chão, modulares e com formas arredondadas recuperam a atmosfera dos lounges dos anos 1970 e mudam a organização da sala.

Os sofás estão cada vez mais perto do chão. Na decoração de 2026, modelos profundos, modulares e arredondados ocupam o centro da sala e recuperam uma linguagem que marcou especialmente os anos 1970.

Os sofás baixos e curvos aparecem em formatos semicirculares, serpenteados, em U ou formados por módulos que podem ser reorganizados. Alguns criam quase uma ilha no ambiente. Outros reproduzem a sensação dos antigos conversation pits, aquelas áreas de estar rebaixadas e cercadas por assentos que fizeram parte de muitas casas modernistas entre as décadas de 1950 e 1970.

A tendência tem sinais claros no mercado atual. Designers ouvidos pela ELLE Decor apontam que sofás de perfil baixo e assentos profundos continuam entre os pedidos para 2026, agora com volumes mais controlados. Curvas também aparecem com frequência em showrooms e projetos residenciais. A Architectural Digest identifica o mesmo movimento entre sofás modulares próximos ao chão e layouts voltados à convivência.

Sofás baixos e curvos têm uma história muito ligada aos anos 70

Sentar perto do chão não nasceu nos anos 1970, e os móveis curvos também são anteriores à década. Vladimir Kagan e Jean Royère já trabalhavam sofás arredondados no pós-guerra. O que acontece nos anos 70 é uma combinação especialmente importante de altura baixa, espuma, modularidade, volumes generosos e novas formas de ocupar a sala.

O sofá deixa de precisar daquela estrutura tradicional com quatro pés aparentes, braços definidos e encosto rígido.

Novos processos industriais e o uso crescente de espumas permitiram criar peças inteiras estofadas, com silhuetas mais macias. O móvel podia quase se espalhar pelo chão.

Alguns dos sofás mais conhecidos da história do design surgem exatamente nesse período.

Camaleonda, Togo e Mah Jong ajudam a explicar o visual

Mario Bellini apresentou o Camaleonda em 1970. Criado para a B&B Italia, o sistema é formado por módulos que podem ser conectados e reorganizados. O assento baixo, os volumes arredondados e o capitonê profundo criaram uma imagem imediatamente reconhecível. A B&B Italia voltou a produzir oficialmente o modelo décadas depois, preservando o módulo original de 90 x 90 centímetros.

Em 1971, Hans Hopfer criou o Mah Jong para a Roche Bobois. A proposta era ainda mais próxima do chão: grandes almofadas modulares podiam ser empilhadas, colocadas lado a lado e reorganizadas livremente. A própria Roche Bobois descreve o modelo como um sistema pensado para oferecer liberdade de forma e função.

Dois anos depois, Michel Ducaroy apresentou o Togo, da Ligne Roset. Construído inteiramente com diferentes densidades de espuma e sem a estrutura tradicional de um sofá convencional, tornou-se um dos símbolos desse tipo de assento informal e rebaixado. O modelo continua em produção mais de 50 anos depois.

Esses nomes ajudam a entender a referência, mas a tendência atual não depende de ter um clássico original na sala. O que voltou é principalmente a maneira como esses móveis lidam com o corpo e com o espaço.

A sala volta a ser organizada para conversar

Existe também uma mudança no layout.

Durante anos, muitas salas foram organizadas com o sofá voltado diretamente para uma televisão. Os layouts circulares e semicirculares colocam novamente as pessoas umas de frente para as outras.

É aí que aparece a relação com o conversation pit.

O termo descreve uma área rebaixada da sala, normalmente com assentos construídos ao redor de um centro. Apesar de sua associação forte com os anos 1960 e 1970, existem exemplos anteriores. Um dos mais conhecidos é o projeto da Miller House, de Eero Saarinen e Alexander Girard, concluído em 1957.

Não é preciso abrir um buraco no piso para reproduzir esse efeito hoje.

Sofás modulares baixos podem ser organizados em U, semicírculo ou quase em quadrado ao redor de uma mesa. Banquetas e pufes ajudam a fechar a composição.

Esse tipo de organização vem aparecendo novamente em projetos voltados a receber. A Architectural Digest identificou entre as tendências de entretenimento para 2026 o retorno de sofás longos, banquetas, múltiplas áreas de estar e conversation pits, justamente pela capacidade de criar espaços mais sociais.

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Por que os sofás ficaram tão baixos?

A altura muda a percepção inteira do ambiente.

Um móvel próximo ao chão ocupa bastante área, mas interfere menos na linha de visão. Isso funciona especialmente bem em ambientes integrados ou salas onde arquitetura, arte e paisagem também precisam aparecer.

Os sofás baixos e curvos ainda criam uma sensação de informalidade. A postura é diferente, o assento costuma ser mais profundo e o móvel convida a permanecer ali por mais tempo.

Esse raciocínio era importante nos anos 70.

A Architectural Digest, ao revisar a história dos sofás por década, destaca justamente como os modelos daquele período se afastaram da postura mais formal associada a parte do mobiliário moderno dos anos anteriores. Camaleonda, Dune, Le Bambole, Mah Jong e Togo colocaram conforto, espuma e liberdade de configuração no centro do projeto.

Circular, curvo, modular: qual é a diferença?

Nem todo sofá dessa tendência é literalmente circular.

Os sofás curvos têm encostos ou assentos que seguem uma linha arredondada. Podem formar um arco suave e funcionar como uma única peça.

Os modulares são formados por elementos independentes. Um módulo pode ser acrescentado, retirado ou mudado de posição. Esse princípio está no Camaleonda, no Mah Jong e no Dune, sistema desenvolvido por Pierre Paulin entre 1968 e 1972.

Já o visual circular costuma surgir da composição. Vários módulos curvos ou retos podem ser organizados ao redor de um ponto central até formar uma área quase fechada.

A ideia é bastante próxima de um lounge.

Os materiais também recuperam o clima dos anos 70

Veludo, chenille, couro, tecidos felpudos e superfícies com textura ajudam a reforçar essa leitura.

Nos anos 70, sofás volumosos também ficaram conhecidos pelo uso de materiais que enfatizavam a maciez e o formato da peça. A decoração atual retoma parte dessa linguagem, mas as opções são mais amplas.

Bouclé continua aparecendo, embora já não seja a única solução. Veludos de pelo curto, tecidos com textura, lãs e misturas de linho deixam os volumes mais interessantes sem necessariamente criar aquela estética totalmente bege que dominou tantos interiores recentes.

A cor também está entrando com mais força. Verde-oliva, ferrugem, vinho, amarelo, marrom e tons terrosos conversam diretamente com a década. Em 2026, sofás de cores muito mais intensas também começaram a aparecer entre as tendências apontadas pela imprensa especializada.

Como usar sofás baixos e curvos sem transformar a casa em cenário dos anos 70

O tamanho precisa ser o primeiro ponto de atenção.

Um sofá circular ou muito curvo exige espaço ao redor. Encostar a peça na parede pode eliminar justamente a qualidade que tornou aquele formato interessante.

Em salas amplas, deixá-lo mais próximo do centro permite que a curva seja vista e ajuda a dividir ambientes integrados.

Em espaços menores, módulos individuais e sofás com apenas uma extremidade arredondada conseguem trazer a mesma referência sem comprometer tanto a circulação.

Mesas de centro baixas funcionam melhor visualmente com esse tipo de assento. Tapetes grandes também ajudam a reunir os módulos em uma composição única.

E não é necessário completar a sala com luminária laranja, carpete marrom e papel de parede psicodélico.

Um sofá inspirado nos anos 70 pode conviver com madeira, pedra, aço, arte contemporânea e móveis de linhas mais retas. Aliás, designers ouvidos pela ELLE Decor vêm usando justamente curvas combinadas a peças mais lineares para 2026.

O sofá volta a organizar a sala

A força dos sofás baixos e curvos em 2026 tem relação direta com conforto, mas também com a forma como a sala está sendo usada.

O sofá deixa de funcionar apenas como uma peça encostada na parede e passa a participar da arquitetura do ambiente. Curvas definem circulação, módulos criam pequenos lounges e assentos mais baixos mantêm o espaço visualmente aberto.

É uma ideia muito próxima daquela explorada pelo design dos anos 70: sentar, conversar, ouvir música, receber amigos e permanecer na sala.

Cinco décadas depois, essa maneira mais informal de ocupar a casa voltou a fazer sentido.

Fotos: Pinterest

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