Maison Margiela apresenta coleção FW26 em Xangai 

A Maison Margiela escolheu Shanghai como palco para apresentar sua coleção Fall/Winter 2026, em um desfile que marca um novo capítulo sob a direção criativa de Glenn Martens. A apresentação reforça a essência experimental da maison, ao mesmo tempo em que introduz uma leitura contemporânea de seus códigos mais emblemáticos.

Misturando peças de ready-to-wear com criações artesanais, a coleção se constrói a partir de contrastes. Tecidos leves e transparentes são sobrepostos a materiais mais estruturados, criando um sofisticado jogo de ilusão de ótica. Essa dualidade entre fluidez e rigidez resulta em silhuetas que desafiam a percepção, característica marcante do universo Margiela.

As texturas ganham protagonismo absoluto. Bordados elaborados, peles, tecidos com efeito amassado e drapeados esculturais aparecem ao longo da coleção, trazendo profundidade visual e riqueza tátil. Um dos destaques é o vestido com acabamento craquelado, que adiciona um aspecto quase artístico às peças, reforçando a interseção entre moda e obra de arte.

Outro elemento central do desfile é o retorno das máscaras, um dos símbolos mais icônicos da maison. Resgatadas dos arquivos, elas carregam o conceito de anonimato que marcou o debut da marca em 1989. Ao ocultar o rosto dos modelos, a Maison Margiela desloca o foco para as roupas, subvertendo a lógica tradicional da moda e questionando a centralidade da identidade individual.

Sob a visão de Glenn Martens, esse recurso ganha ainda mais relevância no cenário contemporâneo, onde a exposição da imagem é constante. As máscaras surgem, assim, como um gesto conceitual e provocativo, reafirmando o DNA disruptivo da marca.

Com sua estreia em Xangai, a Maison Margiela não apenas amplia sua presença global, mas também reafirma sua posição como uma das casas mais inovadoras da moda. A coleção FW26 equilibra tradição e vanguarda, mostrando que a desconstrução, mais do que uma técnica, continua sendo uma poderosa ferramenta de expressão criativa.

AS Máscaras do desfile da maison margiela fw26

Um dos elementos mais marcantes da marca, que ganhou destaque no último desfile de Spring/Summer em Xangai, foram as icônicas máscaras.

Apesar de muitas vezes incompreendidas, elas fazem parte de um dos pilares da maison, o anonimato.

Esse conceito aparece desde a ausência de logotipos, substituídos por uma etiqueta em branco presa por quatro pontos aparentes, até a “blouse blanche”, os jalecos brancos usados pela equipe, que simbolizam unidade e criatividade sem autoria individual.

As máscaras foram introduzidas por Martin Margiela no desfile de estreia de 1988, quando um véu de tecido fino desviava o olhar da modelo para a roupa, transformando quem a vestia em um “código”.

Ao longo dos anos, véus, perucas, maquiagem e acessórios faciais foram reinterpretados, evoluindo de um conceito filosófico para uma verdadeira linguagem criativa, um espaço de experimentação e inovação dentro da moda.

Hoje, elas seguem como parte essencial do DNA da marca, complementando as roupas, com bordados e pinturas.

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