A peça surreal ancora uma coleção SS27 que mergulha no crust punk, no grunge dos anos 1990 e na estética DIY levada ao extremo.



A Satoshi Nakamoto lança uma jaqueta com rostos 3D e entrega, de uma vez só, a peça mais perturbadora e mais coerente da sua coleção de primavera/verão 2027. O modelo preto de couro tem apelo abertamente surrealista, com rostos humanos moldados em três dimensões brotando dos painéis frontais, e foi apresentado sozinho, sem sobreposição, como statement puro. Registrada em um corredor rígido e minimalista, a campanha faz o contraste funcionar: quanto mais neutro o cenário, mais violenta a peça.
A escolha não é acaso quando se entende de onde vem a label. Fundada em Los Angeles pelo criativo George Robertson e batizada com o nome do criador enigmático do Bitcoin, a marca construiu sua tese em cima de uma pergunta específica: o que a era digital faz com a roupa, sua construção e sua silhueta. O vocabulário dela sempre foi o do aplique, do acolchoado, da tacha e do bordado, explorando o espaço cada vez menor entre percepção física e digital de uma peça. Um rosto humano emergindo do couro é a conclusão lógica desse raciocínio, não um susto gratuito.
O resto da coleção sustenta o mesmo espírito. A SS27 abraça uma atitude crua e antiestablishment, mergulhando de cabeça numa estética crust punk DIY intensamente customizada, que mistura com naturalidade o grunge dos anos 1990, a cultura skate retrô e a rebeldia do streetwear. Cada peça é tratada como tela para expressão pessoal, e isso aparece nos moletons oversized, nas camisas de flanela, nos jeans repletos de patches e nos agasalhos experimentais. Entre os destaques estão as calças jeans largas com painéis xadrez adornados por tachas, os jeans off-white cobertos de rabiscos manuscritos em estilo grafite e os tricôs vibrantes de listras horizontais.



O acabamento é o que separa a proposta de uma fantasia punk genérica. A marca aposta em composições táteis e em camadas, usando bordas cruas e desfiadas, alfinetes de segurança, tachas metálicas e patchwork desconexo para dar à coleção um ar autêntico, de peças já vividas. É um tipo de “sujeira” que só funciona quando é executada com precisão, e a Satoshi Nakamoto vem treinando isso há temporadas, desde as lavagens e destroying que já eram assinatura da casa.
Quando a Satoshi Nakamoto lança uma jaqueta com rostos 3D, ela também mostra o alcance do seu trabalho em couro. Ao lado da peça surrealista, aparece uma jaqueta clássica decorada com bordados florais prateados e cintilantes, prova de que a variedade de técnicas artesanais da marca vai muito além do choque visual. A mesma atenção meticulosa se estende aos acessórios, com mochilas utilitárias cobertas de pins gráficos coloridos, bolsas tote finalizadas com grandes tachas metálicas em formato de estrela e bonés desgastados. Somados, esses elementos consolidam o que a label vem construindo desde o começo: um uniforme rebelde, pensado para colecionador, onde nada é feito para passar despercebido.









