Iniciativa do Chanel Culture Fund seleciona 10 criativos internacionais que receberão €100 mil cada e acesso a um programa de mentoria de dois anos.

O Chanel Next Prize acaba de revelar sua nova turma de vencedores e reforça o papel da maison como uma das principais investidoras privadas em cultura contemporânea. A iniciativa, criada pelo Chanel Culture Fund, selecionou 10 criativos de diferentes países e disciplinas, que receberão €100 mil cada em financiamento irrestrito, além de participar de um programa de mentoria e networking com duração de dois anos.
Mais do que um prêmio financeiro, o Chanel Next Prize funciona como uma plataforma de aceleração cultural. A proposta é oferecer tempo, liberdade criativa e acesso institucional para artistas que estão redefinindo suas áreas e ajudando a moldar o futuro da cultura global.

O que é o Chanel Next Prize e por que ele importa
Criado em 2021, o Chanel Next Prize chega agora à sua terceira edição com uma proposta clara: identificar artistas contemporâneos que operam na fronteira entre linguagens, disciplinas e territórios. A premiação é bienal e integra a estratégia mais ampla do Chanel Culture Fund de apoiar práticas culturais de longo prazo.
O diferencial está no formato. O valor concedido é totalmente livre de amarras, permitindo que cada vencedor decida como investir o recurso, seja em pesquisa, produção, formação de equipe ou tempo criativo. Paralelamente, os artistas participam de um programa estruturado de mentoria e trocas, mediado por parceiros culturais da marca, como o Royal College of Art, em Londres.
Dentro do Chanel Next Prize, cultura não é tratada como produto final, mas como processo vivo, em constante transformação. A iniciativa reconhece que inovação artística exige fôlego, continuidade e redes de apoio.
Nota da redação: Diferente de prêmios tradicionais, o Chanel Next Prize aposta em impacto de médio e longo prazo, priorizando desenvolvimento criativo em vez de visibilidade imediata.

Quem são os vencedores do Chanel Next Prize 2025
A nova edição do Chanel Next Prize reúne artistas de 10 países, com trajetórias que atravessam artes visuais, música, dança, cinema, performance e design. Entre os selecionados estão nomes já reconhecidos em circuitos internacionais e criadores em plena expansão crítica.
Os vencedores são Álvaro Urbano, Ambrose Akinmusire, Andrea Peña, Ayoung Kim, Bárbara Sánchez-Kane, Emeka Ogboh, Marco da Silva Ferreira, Pan Daijing, Payal Kapadia e Pol Taburet.
Urbano, nascido em Madri e radicado em Berlim, utiliza plantas e elementos botânicos para investigar relações sociais, memória e arquitetura. Já Akinmusire, trompetista, compositor e educador da Califórnia, transita entre o jazz e a música clássica contemporânea, sendo indicado quatro vezes ao Grammy.
A cineasta indiana Payal Kapadia ganhou destaque internacional com o filme All We Imagine as Light, vencedor do Grand Prix em Cannes e indicado ao Globo de Ouro. Sua obra dilui fronteiras entre documentário, ficção, sonho e memória, um exemplo claro do tipo de abordagem valorizada pelo Chanel Next Prize.

Diversidade de linguagens e territórios criativos
A seleção também reflete uma ampla diversidade geográfica e conceitual. A sul-coreana Ayoung Kim trabalha com vídeo, som, texto e simulações de jogos, explorando tecnologias generativas e realidades especulativas. A mexicana Bárbara Sánchez-Kane desenvolve esculturas, performances e instalações que tensionam gênero, poder e identidade.
O artista sonoro Emeka Ogboh, nascido na Nigéria, investiga memória coletiva e experiência urbana por meio da escuta. Já Marco da Silva Ferreira, coreógrafo português autodidata, cruza dança contemporânea, cultura club e movimentos urbanos.
Pan Daijing, artista e compositora chinesa radicada em Berlim, atua entre música experimental, cinema e instalações de grande escala. Pol Taburet, baseado em Paris, mistura pintura, escultura e referências caribenhas para criar narrativas entre o real e o sobrenatural.
Essa pluralidade é central para o Chanel Next Prize, que não busca uma estética única, mas sim um conjunto de vozes capazes de dialogar, divergir e se contaminar criativamente.

Mentoria, rede e experiência internacional
Além do apoio financeiro, os vencedores do Chanel Next Prize participam de uma programação de encontros, viagens e mentorias ao longo de dois anos. Um dos pontos altos será a visita coletiva à Bienal de Veneza, em maio, reforçando o contato direto com o circuito internacional de arte.
Segundo Yana Peel, presidente global de artes, cultura e patrimônio da Chanel, o objetivo é criar condições reais para que os artistas prosperem em seus próprios termos. Para ela, acompanhar essa nova turma é como observar o futuro da cultura se desenhar em tempo real.
Peel destaca ainda a importância da construção de comunidade. O Chanel Next Prize aposta na ideia de que os artistas entram como talentos individuais, mas saem conectados como uma constelação criativa, com trocas que continuam muito além do período formal do programa.
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Chanel Next Prize e o legado cultural da maison
O prêmio faz parte de um compromisso histórico da Chanel com a cultura, iniciado ainda no século 20 por Gabrielle “Coco” Chanel, que apoiou nomes centrais das vanguardas artísticas, como Salvador Dalí e Jean Cocteau.
Hoje, o Chanel Next Prize atualiza esse legado para um cenário globalizado, interdisciplinar e atravessado por tecnologia, política e novas formas de narrativa. Ao investir em artistas que operam fora de categorias rígidas, a marca reforça sua atuação como agente cultural, e não apenas como patrocinadora.
Mais do que financiar projetos, o Chanel Next Prize investe em tempo, liberdade e relação. Em um mercado criativo cada vez mais acelerado, essa escolha se destaca como um posicionamento estratégico e culturalmente relevante.
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