Maison suspende apresentação na Paris Couture Week enquanto grupo controlador avalia o futuro da marca e sua sustentabilidade de longo prazo.

A Giambattista Valli cancela desfile de alta-costura em Paris e, com isso, inaugura uma das semanas mais comentadas da Paris Couture Week antes mesmo de sua abertura oficial. O desfile, previsto para a segunda-feira de abertura do calendário, foi suspenso em meio a um processo interno descrito como uma “reflexão profunda” sobre o futuro da maison.
O anúncio, confirmado pelo grupo Artémis, controlador da marca, levanta questionamentos sobre os próximos passos da casa fundada pelo estilista romano radicado em Paris. Em um momento em que a alta-costura busca se reafirmar entre herança, relevância cultural e viabilidade econômica, a ausência da Giambattista Valli no calendário não passa despercebida.
Por que a Giambattista Valli cancelou o desfile de alta-costura
O fato de que a Giambattista Valli cancela desfile de alta-costura em Paris está diretamente ligado a um reposicionamento estratégico em curso. Segundo comunicado oficial da Artémis, a maison está revisando a organização de suas atividades para garantir a sustentabilidade no longo prazo.
Embora o grupo não tenha detalhado medidas específicas, fontes de mercado indicam que a controladora vem explorando, de forma discreta, a possibilidade de venda da marca nos últimos meses. O processo estaria sendo conduzido pelo banco Rothschild & Co., conhecido por intermediar negociações de alto nível no setor de luxo.
A decisão de não apresentar a coleção justamente no primeiro dia da semana de alta-costura adiciona peso simbólico ao movimento. Em um calendário cada vez mais enxuto e competitivo, estar presente — ou ausente — comunica mais do que uma simples escolha logística.

O papel do grupo Artémis e os bastidores do luxo
Quando a Giambattista Valli cancela desfile de alta-costura, o olhar do mercado se volta inevitavelmente para a Artémis. O braço de investimentos da família Pinault adquiriu participação minoritária na marca em 2017 e assumiu o controle majoritário em 2021.
A Artémis possui um portfólio diversificado, com participações em empresas como Puma, Courrèges, Christie’s e a agência de talentos CAA, além de publicações francesas tradicionais. Recentemente, o grupo também sinalizou interesse em se desfazer de sua participação na Puma, reforçando uma fase de reorganização estratégica.
Dentro desse contexto, a situação da Giambattista Valli parece refletir um debate maior sobre foco, rentabilidade e relevância no ecossistema do luxo contemporâneo. A alta-costura, embora fundamental para imagem e prestígio, exige investimentos elevados e retorno indireto.
Nota da redação: O cancelamento do desfile acontece em uma temporada marcada por estreias importantes, como as primeiras coleções de alta-costura da Dior e da Chanel sob novos diretores criativos, o que intensifica ainda mais o contraste entre movimento e pausa no calendário.

O legado de Giambattista Valli na moda parisiense
Mesmo com o anúncio de que a Giambattista Valli cancela desfile de alta-costura, o impacto criativo da maison permanece incontestável. Nascido em Roma, Valli fundou sua marca em Paris em 2005, após sete anos como diretor de prêt-à-porter ao lado de Emanuel Ungaro.
Antes disso, construiu um currículo sólido em casas italianas como Fendi, Roberto Capucci e Krizia. Em 2011, ingressou oficialmente no seleto calendário da alta-costura, consolidando sua assinatura estética baseada em volumes dramáticos, tule em camadas e uma feminilidade assumidamente romântica.
Ao longo dos anos, a maison também experimentou novos formatos de negócio, como a linha de difusão Giamba e, mais recentemente, a Love Collection, cápsula bridal apresentada anualmente em trunk shows exclusivos. Esses movimentos mostraram tentativas claras de diversificação em um mercado cada vez mais desafiador.
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O que a ausência da maison sinaliza para a Couture Week
O fato de que a Giambattista Valli cancela desfile de alta-costura em Paris não deve ser interpretado apenas como um hiato criativo. Trata-se de um sinal dos tempos. A alta-costura segue sendo um território de exceção, mas também de vulnerabilidade, especialmente para casas independentes ou em transição societária.
Enquanto marcas apoiadas por grandes conglomerados reforçam investimentos em desfiles espetaculares, outras optam por pausa, reflexão e reorganização. Nesse cenário, o silêncio pode ser tão estratégico quanto o espetáculo.
Por ora, não há confirmação sobre mudanças definitivas na estrutura criativa da Giambattista Valli. O estilista segue associado à marca, mas todas as perguntas apontam para um momento de redefinição.
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