Milhões de Produtos de Luxo Agora Possuem Passaporte Digital. Mas Os Consumidores Estão Usando?

Se você comprar um par de Maison Margiela Tabis, um colar da Bulgari ou um vaso da Lalique, há uma grande chance de que esses produtos agora venham acompanhados de um passaporte digital. A nova tecnologia de rastreamento está sendo impulsionada por regulamentações, mas pode oferecer benefícios adicionais para os consumidores

Embora o conteúdo exato dos Digital Product Passports (DPPs) varie entre as marcas, a maioria oferece um certificado digital de autenticidade e informações detalhadas sobre a fabricação do item.

No entanto, essa tendência não surgiu apenas para oferecer mais benefícios aos clientes. O verdadeiro impulsionador dos DPPs é a nova regulamentação da União Europeia, o Ecodesign for Sustainable Products Regulation, que exigirá que a partir de 2027 todos os produtos tragam informações rastreáveis e sustentáveis em um passaporte digital.

Milhões de Produtos de Luxo Agora Possuem Passaporte Digital. Mas Os Consumidores Estão Usando?

Oportunidade ou obrigação? Como as marcas estão reagindo aos DPPs

Para muitas empresas, os DPPs são vistos como um desafio regulatório, mas algumas marcas enxergam um potencial estratégico nessa mudança.

O Aura Blockchain Consortium, grupo que reúne gigantes do luxo como LVMH, Prada Group, OTB Group e Cartier (do grupo Richemont), já criou mais de 50 milhões de identidades digitais para cerca de 50 marcas diferentes.

Romain Carrere, CEO do Aura Blockchain Consortium, destaca que, embora muitas marcas estejam focadas apenas em atender às novas exigências regulatórias, outras já veem os DPPs como uma oportunidade para criar novas experiências de consumo.

O desafio agora é fazer com que os consumidores realmente utilizem essas identidades digitais.

Milhões de Produtos de Luxo Agora Possuem Passaporte Digital. Mas Os Consumidores Estão Usando?

DPPs: Tecnologia inovadora, mas pouco utilizada pelos consumidores

Embora os clientes frequentemente declaram que gostariam de saber mais sobre a origem e a produção de seus produtos, muitos nem sequer percebem que seu item possui um passaporte digital.

No caso de calçados, o chip NFC geralmente fica escondido na sola do tênis e não é visível. Algumas marcas incluem um cartão explicativo sobre o DPP na embalagem, mas muitos consumidores ignoram essa informação. Em fóruns online, usuários relataram dificuldades para escanear os chips NFC, alguns tiveram que remover a capinha do celular para que a leitura funcionasse corretamente.

Mesmo quando os DPPs são facilmente acessíveis via QR code, o conceito ainda é novo, e os consumidores podem não enxergar um valor real nessa tecnologia.

“Os consumidores não estão exatamente animados com isso”, disse Brian Kilcourse, sócio da Retail Systems Research, em entrevista ao Business of Fashion.

Para incentivar o uso dos passaportes digitais, marcas como Coach passaram a integrar funcionalidades extras: os clientes da linha Coachtopia podem listar produtos para revenda direta na plataforma Poshmark através de seus DPPs, facilitando a revenda de itens de segunda mão.

No entanto, o que pode realmente forçar a adoção dos DPPs em larga escala é a regulamentação europeia.

Veja também: Silvia Onofri é Confirmada como CEO da Miu Miu pelo Grupo Prada.

A nova era da rastreabilidade e experiência do cliente

O conceito de passaportes digitais para produtos de luxo ainda está em fase de adoção, mas tem o potencial de revolucionar o mercado:

  • A regulamentação da União Europeia impulsionará a implementação dos DPPs, tornando-os obrigatórios até 2027.
  • Marcas de luxo já estão utilizando essa tecnologia para oferecer experiências exclusivas, como AR, rastreamento de autenticidade e acesso a eventos e lançamentos.
  • Os consumidores ainda não adotaram os DPPs amplamente, mas a padronização e o uso de IA podem mudar esse cenário.

Com o avanço da tecnologia e o interesse crescente na transparência da produção e sustentabilidade, os passaportes digitais podem se tornar um novo padrão no setor de luxo, facilitando a interação entre marcas e consumidores.

A pergunta agora é: quando os consumidores realmente começarão a usar essa tecnologia no dia a dia?

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