O Prêmio LVMH para Jovens Estilistas chegou à reta final com a revelação dos oito talentos que disputam a edição de 2025. Em um cenário onde a inteligência artificial ganha espaço nas criações e processos da indústria, esses designers se destacam ao apostar em narrativas pessoais, técnicas artesanais e uma moda com mais propósito e humanidade.
Entre nomes promissores e retornos marcantes, os finalistas deste ano representam diferentes trajetórias, referências culturais e propostas visuais, mas compartilham um mesmo compromisso: resgatar a conexão entre criação e identidade. A final acontece no dia 3 de setembro, na Fondation Louis Vuitton, em Paris, e promete reforçar o papel da moda como linguagem artística e cultural.

Alfaiataria e trabalho manual como resposta à tecnologia
Delphine Arnault, idealizadora do prêmio e CEO da Christian Dior Couture, enfatizou que os finalistas se destacaram pela expertise em alfaiataria e trabalho manual. Segundo ela, “o artesanato é uma resposta poderosa à tecnologia — difícil de ser reproduzido por meios baratos e carregado de autenticidade e expressão pessoal.”
Essa valorização do feito à mão mostra que, em tempos de algoritmos e produção automatizada, há uma necessidade crescente por raridade, conexão e propósito. Além disso, muitos dos finalistas atuam de forma interdisciplinar, dialogando com desenho, dança, cinema e publicação de revistas.
Os finalistas do LVMH Prize 2025
Alainpaul
Com uma década de experiência em marcas como Vetements e Louis Vuitton, Alain Paul fundou a Alainpaul ao lado do marido Luis Philippe, em 2023. Ex-bailarino do Ballet Nacional de Marselha, Alain transforma referências do balé em peças “balletcore” vendidas em mais de 30 lojas ao redor do mundo.
All-In
O estilista Benjamin Barron fundou a All-In como revista, mas a marca evoluiu em parceria com Bror August Vestbø. A dupla apresenta coleções com peças reconstruídas e personagens fictícios que transitam entre glamour e nostalgia. Suas criações já vestiram nomes como Rihanna e Kylie Jenner.
Francesco Murano
Murano chamou atenção ao vestir Beyoncé em 2019 e Cardi B em 2021. Inspirado em esculturas da Grécia Antiga, seu trabalho une alfaiataria esculpida e drapeados sofisticados. Após estrear na Milan Fashion Week, busca consolidar sua presença internacional.
Soshiotsuki
Com uma estética que mistura ternos oversized inspirados nos anos 1980 com cortes e referências japonesas, Soshi Otsuki foi indicado ao prêmio pela segunda vez. Suas criações unem tradição e inovação, com peças que já vestiram nomes como A$AP Rocky.
Steve O Smith
Formado pela Central Saint Martins, Smith transforma seus próprios desenhos em peças tridimensionais. Seus looks, como os usados por Eddie Redmayne no Met Gala, são produzidos sob encomenda para manter a relação próxima com o cliente.
Tolu Coker
Explorando a diáspora negra através de estampas, formas e tecidos sustentáveis, a britânica-nigeriana Coker é uma voz ativa na moda como plataforma de transformação social. Seus projetos também envolvem filmes, ilustrações e documentários.
Torishéju
Com raízes britânicas, nigerianas e brasileiras, Torishéju Dumi fez sua estreia em Paris com direito à presença de Naomi Campbell e look usado por Zendaya. A designer traz para a passarela folclore, herança e novas perspectivas sobre arte negra.
Zomer
Danial Aitouganov deixou seu cargo na Louis Vuitton para se dedicar à Zomer, marca fundada com o stylist Imruh Asha. Suas peças coloridas e estruturadas, com toques surrealistas, impressionaram pela criatividade e apelo comercial, como as jaquetas tipo bomber.
O impacto do Prêmio LVMH na moda contemporânea
O Prêmio LVMH tem impulsionado nomes como Marine Serre, Jacquemus e Grace Wales Bonner. O vencedor de 2025 receberá 400 mil euros e mentoria em áreas como sustentabilidade, marketing e finanças. Os vencedores do Prêmio Karl Lagerfeld e Savoir-Faire ganham 200 mil euros cada e mentoria por um ano.
Além disso, três recém-formados em escolas de moda serão premiados com 10 mil euros e estágios em marcas do grupo. A final será em 3 de setembro, em Paris.
Com um júri composto por nomes renomados, incluindo Sarah Burton, a nova diretora criativa da Givenchy, a edição de 2025 promete refletir o futuro da moda sob uma ótica mais consciente, diversa e artesanal.
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