O artista britânico transformou o escudo da maison em caleidoscópio, aplicando a dois rótulos a série que ele construiu com asas de borboleta.

A Dom Pérignon convidou Damien Hirst para assinar sua edição limitada de 2026, e o resultado transforma o escudo da maison em caleidoscópio. Duas garrafas receberam o tratamento: o Vintage 2018 e o Rosé Vintage 2010, à venda desde 1º de outubro.
O ponto de partida foi a simetria. “O escudo icônico da Dom Pérignon é simétrico no centro, então ele saltou para mim como uma borboleta e virou meu ponto de partida”, explicou Hirst. A observação não é retórica: a série Kaleidoscope, que o artista britânico começou em 2001 e da qual vêm os padrões das garrafas, é construída com asas de borboletas reais dispostas em círculos concêntricos.
Nas garrafas, o padrão se repete em densidade: miniaturas do próprio escudo organizadas em malha geométrica que cobre o rótulo, o corpo e a embalagem. O Vintage 2018 recebeu azuis e violetas intensos, cor que Hirst associa a infinito e espiritualidade. O Rosé Vintage 2010 segue em magenta, vermelho e rosa, em referência direta à uva pinot noir que define o estilo do rosé da casa. As caixas trazem o caleidoscópio completo, com um escudo prateado no centro.
Um detalhe fecha o conjunto: a gargalheira preta traz a inscrição “Limited Edition” acima da assinatura do artista.



O preço separa as duas versões. O Vintage 2018 sai por 230 libras, cerca de 1,6 mil reais na conversão direta, e o Rosé Vintage 2010 por 405 libras, aproximadamente 2,9 mil reais. A venda começou pela Selfridges, em Londres.
A colaboração entra em uma tradição de quase três décadas. A Dom Pérignon já entregou suas garrafas a Andy Warhol, Jeff Koons, Takashi Murakami, Karl Lagerfeld, David Lynch, Björk e Lady Gaga, em um programa que funciona menos como embalagem especial e mais como curadoria de arte aplicada a um produto de luxo.
A escolha de Hirst tem lógica. Poucos artistas vivos têm uma relação tão explícita com a ideia de objeto precioso, e a série Kaleidoscope é provavelmente o conjunto mais imediatamente decorativo de sua obra, o que a torna adequada a uma garrafa que vai parar em mesa posta. É também a parte do trabalho dele que levanta discussão ética pelo uso de animais, debate que acompanha o artista desde os anos 1990 e que a Dom Pérignon não menciona em sua comunicação.









