Batizada de GucciCore e fotografada por Peter Funch, a campanha troca o retrato de modelo isolada por grupos de nova-iorquinos comuns no meio da rua.

A Gucci foi para a calçada. A nova campanha da marca, chamada GucciCore, foi fotografada por Peter Funch nas ruas de Nova York, com grupos de pessoas comuns andando pela cidade, táxi amarelo ao fundo e transeunte atravessando o quadro.
A escolha do fotógrafo explica o resultado. Funch passou quase dez anos, entre 2007 e 2016, fotografando pedestres num cruzamento de Manhattan perto da Grand Central, no projeto “42nd and Vanderbilt”. Ele sabe fazer retrato de gente que não sabe que está sendo fotografada, e é esse vocabulário que a campanha empresta.
Como é a nova campanha da Gucci em Nova York

O formato é retrato de grupo, não de modelo isolada. A ideia é tratar estilo pessoal como coisa que só aparece em contraste com os outros, com personagens diferentes dividindo o mesmo enquadramento. Cada um usa a roupa do próprio jeito e a imagem aposta nessa variação em vez de uniformizar.
As peças seguem a mesma lógica de base. Aparecem casaco peacoat, trench, terno de alfaiataria, camisa essencial e saia lápis, além de denim, couro e bolsas. Há também agasalho técnico reversível e couro macio, e a faixa Web reaparece em forma de top tomara que caia. Na moda masculina entram paetê, franja de miçanga e bordado de pluma, que é onde o repertório de Demna aparece com mais clareza.
A campanha fecha um ciclo que começou em maio, quando a coleção desfilou na Times Square. Voltar a Nova York para a campanha não é coincidência de locação: foi lá que a Gucci abriu, em 1953, a primeira loja fora da Itália.

O nome da campanha é a tese. “Core”, aqui, não é referência ao sufixo que a internet grudou em toda estética, e sim núcleo: a proposta é definir a base do guarda-roupa da casa, a peça que serve tanto para quem quer entrar numa sala sem ser notado quanto para quem espera o contrário.
A nova campanha também serve de termômetro. Demna assumiu a direção artística da Gucci no ano passado, vindo da Balenciaga, e desde então a marca vem sendo observada para ver quanto do vocabulário dele entra e quanto do arquivo da casa permanece. Uma campanha que escolhe o peacoat, o trench e o terno como protagonistas responde parte dessa pergunta: o movimento aqui é de consolidação, não de ruptura.
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