Lancôme lança campanha sobre saúde mental feminina

O programa “I’m Fine” parte de uma pesquisa em que 80% das mulheres dizem já ter escondido como se sentiam, e oferece questionários de rastreio validados em plataforma gratuita.

Lancôme lança campanha sobre saúde mental feminina
Foto: Divulgação

A Lancôme lançou o “I’m Fine”, um programa global sobre saúde mental feminina construído em torno de uma frase que quase toda mulher já disse sem querer dizer. A estreia foi em outubro, às vésperas do Dia Mundial da Saúde Mental, e o projeto vai além de filme publicitário: tem plataforma própria, parceiros clínicos e meta numérica.

O ponto de partida é uma pesquisa encomendada ao Ipsos entre 2025 e 2026. Segundo o levantamento, 80% das mulheres ouvidas já disseram “estou bem” quando não estavam, número quatro pontos maior do que no ano anterior, e 72% se arrependeram de ter escondido o que sentiam. Mais de 60% consideram difícil falar abertamente sobre bem-estar mental, proporção maior do que a registrada para fertilidade, 54%, e menopausa, 48%. O motivo mais citado para o silêncio é não querer sobrecarregar os outros, com 52%.

A estrutura clínica vem de fora da marca, e isso é o que separa o projeto de uma ação de marketing com verniz de causa. O programa foi desenvolvido com a ADAA, associação americana de ansiedade e depressão, e lançado nos Estados Unidos com a organização HealthyWomen. Na Europa, os parceiros são a Mental Health Innovations no Reino Unido, o Telefono Amico na Itália e o Psycom na França.

O que a plataforma de saúde mental feminina da Lancôme oferece

O site imfine.com funciona em três etapas. Na primeira, a usuária tem acesso gratuito e confidencial a dois questionários revisados por pares, o GAD-7, para ansiedade, e o PHQ-8, para depressão. Vale ser preciso aqui: esses instrumentos são ferramentas de rastreio, não de diagnóstico. Eles indicam se faz sentido procurar um profissional, e não substituem avaliação clínica. Depois vêm artigos sobre bem-estar mental selecionados conforme o resultado e, por fim, depoimentos de mulheres de vários países.

As embaixadoras entram pela via do relato pessoal. Demi Moore, Christy Turlington, Zoé Saldaña e Vanessa Kirby compartilham histórias próprias na campanha, e a escolha de mulheres em faixas de idade diferentes é coerente com o dado da ADAA citado pela marca: cerca de uma em cada três mulheres enfrentará um transtorno de ansiedade ou depressivo ao longo da vida, o dobro da proporção entre homens.

“Em um mundo que muitas vezes tenta silenciar as mulheres, precisamos agir”, disse Vania Lacascade, presidente global da Lancôme. A meta declarada é ajudar três milhões de pessoas a reconhecer sinais iniciais de ansiedade e depressão até 2030.

A expansão tem calendário. A primeira fase cobre Estados Unidos, Canadá, México e Europa. Em março de 2027, o programa chega ao Norte da Ásia, aos Emirados Árabes Unidos e à Austrália. O Brasil não aparece em nenhuma das duas fases.

No Brasil, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, e os CAPS oferecem acolhimento em saúde mental pelo SUS.

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