Miley Cyrus é o novo rosto da Maison Margiela: uma era histórica para a marca

A Maison Margiela sempre foi sinônimo de mistério. Desde sua fundação em 1988, o estilista belga Martin Margiela impôs um código rígido de anonimato: nada de entrevistas, nada de celebridades, nada de protagonismo individual. A filosofia era clara, a moda deveria falar por si mesma. Tanto que, mesmo após a saída de Margiela em 2009, a maison continuou sob a direção de uma equipe de design anônima, reforçando a ideia de que suas criações eram fruto de um esforço coletivo, não da assinatura de uma única pessoa.

Quase quatro décadas depois, essa tradição acaba de ganhar um novo capítulo. Pela primeira vez, a Margiela escolheu uma estrela global para ser o rosto de sua campanha: Miley Cyrus.

A Nova era da maison margiela

Revelada no dia 28 de agosto, diretamente no Instagram da marca, a campanha de outono-inverno 2025 traz uma série de retratos assinados pelo renomado fotógrafo Paolo Roversi. As imagens apresentam Miley em um clima intimista e carregado de simbolismo: algumas vezes nua, coberta apenas pela pintura branca, referência à técnica bianchetto introduzida pela maison em 1989, e pelas icônicas botas Tabi pintadas.

“A artista americana é capturada em uma nova luz, despida e imersa nos códigos essenciais da maison”, declarou a grife em comunicado.

Roversi conseguiu equilibrar tradição e novidade. Se por um lado a presença de uma celebridade marca uma mudança na comunicação da Margiela, por outro, a estética do ensaio mantém viva a herança do anonimato. Em várias imagens, o rosto de Miley mal pode ser reconhecido, escondido por sombras ou tecidos, uma homenagem direta ao DNA discreto da marca.

O encontro entre Margiela e Miley Cyrus pode até parecer improvável à primeira vista, mas faz todo o sentido. A cantora é conhecida por sua ousadia, autenticidade e disposição para quebrar padrões, valores que conversam diretamente com a filosofia subversiva da marca.

Se antes a maison se sustentava no anonimato absoluto, hoje ela se reinventa ao escolher uma musa que consegue, ao mesmo tempo, ser globalmente reconhecida e fiel ao espírito provocador que sempre guiou o legado de Martin Margiela.

Ainda assim, a campanha mostra que a maison não abandonou sua essência. O mistério, o jogo entre revelar e esconder, a estética experimental e as referências conceituais continuam intactos. A diferença é que agora, tudo isso vem com um rosto reconhecível, ainda que envolto em sombras.

No fim, a mensagem é clara: o anonimato pode até ter dado lugar a um rosto famoso, mas a alma criativa da Margiela continua tão enigmática quanto sempre foi.

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