Dono do Spotify cria scanner corporal para medicina preventiva

A Neko Health, de Daniel Ek, abriu sua primeira unidade americana em Nova York com mais de 300 mil pessoas na lista de espera.

Dono do Spotify cria scanner corporal para medicina preventiva
Foto: Divulgação

Daniel Ek, cofundador do Spotify, levou aos Estados Unidos sua aposta em medicina preventiva. A Neko Health, empresa sueca que ele fundou em 2018 ao lado de Hjalmar Nilsonne, abriu sua primeira unidade americana em Nova York, com uma lista de espera global que já passou de 300 mil pessoas.

O produto é um escaneamento corporal de uma hora. O paciente entra em uma cabine cercada de sensores proprietários que, segundo a empresa, capturam milhões de pontos de dados sobre pele, circulação e composição corporal, combinados a exame de sangue. O resultado sai no local, em minutos, e é seguido de uma consulta com profissional de saúde. A proposta é detectar sinais de problemas antes que virem sintoma, em vez de reagir depois.

A unidade de Nova York custa cerca de 500 dólares por sessão, valor não coberto por plano de saúde, mas elegível para as contas de poupança para saúde americanas. É o modelo de pagamento direto, sem intermediário de seguro, que a empresa já usa na Suécia e no Reino Unido.

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O dinheiro por trás disso é considerável. A Neko levantou perto de 1 bilhão de dólares desde a fundação, incluindo uma rodada recente de 700 milhões voltada justamente para a expansão nos Estados Unidos, o maior mercado de saúde do mundo.

Para Ek, o timing é significativo. Ele deixou o cargo de CEO do Spotify em janeiro de 2026, tornando-se presidente executivo do conselho, com Gustav Söderström e Alex Norström dividindo o comando da empresa de streaming. A mudança liberou sua agenda para os outros negócios, e a Neko é o mais visível deles.

A medicina preventiva nesse formato, porém, não é consenso. Programas de rastreamento de corpo inteiro em pessoas sem sintomas são tema de debate antigo na literatura, com críticos apontando risco de sobrediagnóstico, falsos positivos e a cascata de exames e ansiedade que vem depois de um achado que talvez nunca viesse a causar problema. A Neko argumenta que seu método é diferente por não usar imagem pesada do tipo ressonância e por acompanhar a mesma pessoa ao longo do tempo, comparando scans. É um argumento razoável, mas ainda sem o volume de evidência de longo prazo que a medicina costuma exigir.

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O que não está em disputa é o apetite do público. Mais de 300 mil pessoas na fila dizem alguma coisa sobre o quanto o mercado quer um produto que entregue a sensação de controle sobre a própria saúde, independentemente do que a literatura clínica ainda vai concluir. Ek construiu o Spotify sobre a tese de que as pessoas pagariam por conveniência. A aposta agora é que elas pagarão por antecipação.

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