Kering confirma saída do estilista italiano após pouco mais de um ano na direção criativa. Martine Rose aparece como possível sucessora, mas nome ainda não foi oficializado.

Pierpaolo Piccioli deixa Balenciaga após apenas 16 meses na direção criativa. A saída foi confirmada pelo grupo francês Kering em 5 de novembro de 2026, encerrando um dos capítulos mais curtos e inesperados da recente transformação das grandes maisons de luxo.
O estilista italiano havia assumido o comando da Balenciaga em julho de 2025, sucedendo Demna, que foi transferido para a direção criativa da Gucci. Sua chegada representava uma mudança de linguagem para a casa francesa, com maior valorização da alta-costura, das construções esculturais e do legado de Cristóbal Balenciaga.
A decisão ocorre em meio a uma ampla reorganização das marcas controladas pela Kering, que também anunciou recentemente as saídas de Anthony Vaccarello da Saint Laurent e Seán McGirr da Alexander McQueen.
Segundo o comunicado oficial, a nova direção criativa será anunciada em breve. O nome mais mencionado nos bastidores é Martine Rose, designer britânica de origem jamaicana que já trabalhou com a Balenciaga durante a gestão de Demna.
Até o momento, porém, a Kering não confirmou sua contratação.
Por que Pierpaolo Piccioli deixa Balenciaga?
A confirmação foi divulgada por meio de um comunicado oficial da Kering.
Gianfranco Gianangeli, presidente e CEO da Balenciaga, agradeceu a contribuição do estilista e destacou seu papel na recuperação dos códigos históricos da maison.
Segundo o executivo, Piccioli ajudou a reafirmar as origens da casa na alta-costura, valorizando construção, artesanato e criatividade.
Luca de Meo, CEO da Kering, também elogiou o trabalho do designer italiano, afirmando que o grupo pretende continuar desenvolvendo o espírito de vanguarda da Balenciaga e preservar sua herança criativa.
O comunicado, entretanto, não apresentou uma justificativa específica para a saída.
A ausência de uma explicação detalhada alimenta questionamentos sobre as estratégias comerciais da marca e o curto período concedido ao estilista para estabelecer uma nova identidade.
Uma passagem marcada pelo retorno à alta-costura
A chegada de Piccioli representou uma mudança importante na trajetória recente da Balenciaga.
Durante aproximadamente uma década, Demna construiu uma identidade baseada na mistura entre streetwear, referências populares, experimentação e proporções exageradas.
Piccioli assumiu a tarefa de equilibrar essa herança contemporânea com os códigos originais da maison.
Em sua primeira coleção, apresentada em outubro de 2025 para a temporada primavera-verão 2026, o estilista explorou silhuetas esculturais, alfaiataria e construções que faziam referências ao trabalho de Cristóbal Balenciaga.
Volumes arquitetônicos, linhas arredondadas e uma abordagem mais sofisticada da roupa cotidiana passaram a ocupar espaço nas coleções.
O retorno à alta-costura também foi um dos pilares de sua gestão.
Durante sua passagem, o estilista apresentou três coleções de prêt-à-porter e uma de alta-costura, um período relativamente curto para consolidar uma transformação criativa dentro de uma grande maison.
Martine Rose pode assumir a direção criativa
Com a confirmação de que Pierpaolo Piccioli deixa Balenciaga, a atenção da indústria se volta para sua possível substituta.
Segundo reportagem publicada pelo veículo americano Puck em 23 de outubro de 2026, a designer Martine Rose teria chegado a um acordo para assumir a direção criativa da marca.
A informação também foi repercutida por publicações especializadas como Women’s Wear Daily, The Business of Fashion e Reuters.
A Kering, no entanto, não confirmou oficialmente a contratação.
Rose possui uma trajetória ligada ao menswear, à cultura urbana e à experimentação de proporções.
Sua marca homônima é reconhecida por reinterpretar uniformes, roupas esportivas, alfaiataria e referências à cultura britânica.
Quem é Martine Rose?

Nascida em Londres e de ascendência jamaicana, Martine Rose construiu uma identidade própria dentro da moda masculina contemporânea.
Suas coleções exploram silhuetas deslocadas, proporções pouco convencionais e referências ligadas à música, ao futebol e à cultura de rua.
A designer também possui uma conexão anterior com a Balenciaga.
Durante a gestão de Demna, Rose trabalhou como consultora de moda masculina para a maison, contribuindo com uma linguagem próxima do universo que ajudou a definir a marca na última década.
Essa experiência é um dos fatores que tornam seu nome relevante nas especulações sobre a sucessão.
Caso sua contratação seja confirmada, a Balenciaga poderá seguir uma direção mais próxima da experimentação urbana.
Por enquanto, essa possibilidade permanece no campo das informações de bastidores.
A saída de Piccioli levanta uma questão importante sobre o tempo necessário para desenvolver uma identidade criativa. Em pouco mais de um ano, o estilista apresentou uma visão consistente com sua trajetória na Valentino, mas ainda estava consolidando essa linguagem dentro da Balenciaga. A mudança também evidencia como decisões comerciais e estratégias de grupo podem alterar rapidamente o futuro das grandes maisons.
O impacto da saída na reestruturação da Kering
A decisão acontece em um momento de reorganização profunda do grupo francês.
Sob a liderança de Luca de Meo, a Kering vem implementando medidas para recuperar o crescimento de suas marcas e melhorar a rentabilidade das operações.
A saída de Piccioli não é um acontecimento isolado.
Nas últimas semanas, o grupo também confirmou o encerramento das passagens de Anthony Vaccarello pela Saint Laurent e Seán McGirr pela Alexander McQueen.
As três mudanças indicam uma revisão significativa das estratégias criativas do conglomerado.
A Gucci, principal marca do grupo, também atravessa um período de transformação sob a direção criativa de Demna.
O objetivo é recuperar relevância comercial e impulsionar categorias como acessórios, artigos de couro e prêt-à-porter.
Balenciaga enfrenta desafios comerciais
A Balenciaga apresentou crescimento expressivo durante a gestão de Demna, consolidando-se como uma das marcas culturalmente mais influentes do grupo.
Nos últimos anos, porém, o desempenho comercial passou a enfrentar dificuldades.
Segundo estimativas do Morgan Stanley divulgadas pela Vogue Business, as vendas da marca passaram de aproximadamente 1,65 bilhão de euros em 2024 para 1,47 bilhão de euros em 2025.
Isso representa uma redução estimada de cerca de 11%.
Os valores são estimativas de mercado, não um demonstrativo financeiro individual divulgado oficialmente pela Balenciaga.
A Kering também relatou dificuldades recentes nas categorias de roupas prontas para vestir e calçados, embora tenha observado sinais mais positivos em artigos de couro.
Nesse cenário, a direção criativa passa a ter uma função que ultrapassa o desenvolvimento de coleções.
Também precisa ajudar a reconstruir o desejo pelos produtos e contribuir para a recuperação das vendas.
O legado de Pierpaolo Piccioli
Antes de assumir a Balenciaga, Piccioli havia construído uma das trajetórias mais respeitadas da moda italiana.
O estilista passou aproximadamente 25 anos na Valentino.
Inicialmente, trabalhou com acessórios e, posteriormente, dividiu a direção criativa com Maria Grazia Chiuri.
Após a saída de Chiuri, em 2016, tornou-se o único diretor criativo da maison.
Foi durante esse período que desenvolveu uma linguagem associada à alta-costura, à diversidade de casting, às construções volumosas e ao uso expressivo das cores.
Um dos momentos mais conhecidos de sua carreira foi a coleção outono-inverno 2022, que apresentou uma tonalidade intensa de rosa desenvolvida em parceria com a Pantone.
A cor ficou conhecida como Pink PP e se tornou um dos símbolos de sua passagem pela Valentino.
Sua chegada à Balenciaga, em 2025, representava uma oportunidade de aplicar essa experiência a uma marca com outra tradição estética.
O projeto, porém, termina antes de completar dois anos.
O que muda para a Balenciaga?
A confirmação de que Pierpaolo Piccioli deixa Balenciaga abre uma nova etapa de incerteza para a maison.
O próximo diretor criativo encontrará uma marca marcada por três identidades muito fortes.
A primeira é a herança de Cristóbal Balenciaga, construída a partir da experimentação de formas, volumes e técnicas de alta-costura.
A segunda é o legado de Demna, que aproximou a casa da cultura de rua, do entretenimento e da provocação contemporânea.
A terceira é a tentativa de Piccioli de reconciliar essas duas linguagens por meio de uma abordagem mais ligada à couture.
A escolha de um novo nome definirá qual dessas características terá maior protagonismo nos próximos anos.
Para o mercado de luxo, a questão principal é como transformar relevância cultural em desempenho comercial sustentável.
Para a indústria criativa, permanece o debate sobre a velocidade das mudanças e a pressão exercida sobre estilistas responsáveis por marcas globais.
Balenciaga se prepara para um novo capítulo
A notícia de que Pierpaolo Piccioli deixa Balenciaga confirma mais uma mudança importante na indústria do luxo em 2026.
O estilista italiano chegou à maison com a missão de recuperar sua conexão com a alta-costura e desenvolver uma nova linguagem após uma década marcada pela influência de Demna.
Sua passagem foi curta, mas representou uma tentativa clara de reposicionar a identidade criativa da marca.
Agora, a Kering precisa definir quem assumirá esse processo.
Martine Rose aparece como a principal candidata nos bastidores, mas ainda não existe confirmação oficial.
Em um momento de mudanças simultâneas em Saint Laurent, Alexander McQueen e Balenciaga, o grupo francês demonstra que sua reorganização vai muito além de ajustes administrativos.
O futuro da maison dependerá não apenas de quem ocupará a direção criativa, mas de quanto tempo e espaço essa pessoa terá para desenvolver uma nova visão.
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