Artista da diáspora sul-asiática ocupa o Espace Louis Vuitton Tokyo com esculturas e pinturas que revisitam colonialismo, identidade e feminilidade.

A artista Rina Banerjee é o centro da nova exposição apresentada no Espace Louis Vuitton Tokyo. A mostra marca os 20 anos dos Espaces Louis Vuitton e também celebra uma década do programa Hors-les-murs, criado pela Fondation Louis Vuitton.
Com uma linguagem visual intensa e repleta de símbolos, Rina Banerjee constrói um universo que mistura memória, feminilidade, imigração e crítica histórica. A artista utiliza materiais pouco convencionais para criar esculturas e instalações que parecem saídas de um sonho, mas que carregam referências profundas ao colonialismo e à identidade cultural.
A exposição fica em cartaz até 13 de setembro de 2026 e reforça o movimento de grandes maisons de luxo em direção a projetos culturais mais densos, que vão além da moda e dialogam com arte contemporânea, história e política.
Quem é Rina Banerjee
Nascida em Kolkata, na Índia, e radicada nos Estados Unidos, Rina Banerjee é conhecida por transformar objetos encontrados em esculturas de aparência quase sobrenatural.
Sua obra combina materiais como penas, ovos de avestruz, lustres de vidro, tecidos, metais e elementos produzidos em diferentes regiões do Sul Global. O resultado são peças complexas, que misturam artesanato, história, fantasia e crítica social.
Ao longo dos anos, a artista construiu uma assinatura visual muito particular. Suas figuras femininas remetem a deusas hindus, personagens mitológicas e representações híbridas de identidade.
Ao mesmo tempo, sua produção fala sobre deslocamento, imigração e pertencimento. Essa dimensão autobiográfica é importante porque Banerjee também usa sua experiência como mulher imigrante para discutir a forma como culturas são representadas, apropriadas e reinterpretadas.
Rina Banerjee no Espace Louis Vuitton Tokyo
A exposição de Rina Banerjee no Espace Louis Vuitton Tokyo reúne esculturas, instalações e uma nova série de pinturas produzidas em 2026.
As obras foram desenvolvidas a partir do vasto repertório da artista sobre arte indiana anterior ao século 20. Miniaturas indianas, sedas chinesas e desenhos astecas aparecem como referências importantes em diferentes partes da mostra.

Em vez de apresentar essas influências de maneira literal, Rina Banerjee transforma cada elemento em uma composição visual mais ampla, que desafia a visão colonial tradicional.
As figuras femininas criadas pela artista surgem como personagens centrais. Muitas delas parecem divindades contemporâneas, cercadas por objetos, tecidos e materiais que remetem a rotas comerciais, migrações e relações de poder.
A exposição também reforça a ideia de que identidade não é algo fixo. Em vez disso, Banerjee sugere que o “eu” é construído por diferentes territórios, culturas e memórias.
Como a exposição questiona o colonialismo
Um dos pontos mais importantes da obra de Rina Banerjee é a maneira como ela revisita o colonialismo.
A artista utiliza materiais ligados à história de comércio global e exploração econômica. Tecidos, plumas, lustres, madeira, fibras naturais e objetos produzidos no Sul Global aparecem como símbolos de um passado colonial que ainda influencia a forma como diferentes culturas são vistas no presente.
Em vez de reforçar esse olhar tradicional, Rina Banerjee cria novas narrativas. Suas esculturas recusam uma visão exótica e simplificada do Oriente.
A artista reposiciona esses objetos em contextos mais contemporâneos, criando obras que questionam quem tem o poder de contar histórias e definir identidades.

Esse movimento aproxima sua produção de debates atuais sobre diversidade, representatividade e revisão histórica. Não por acaso, a exposição chega em um momento em que museus, galerias e marcas de luxo estão sendo pressionados a rever a forma como apresentam culturas não ocidentais.
Nota da redação: O programa Hors-les-murs, da Fondation Louis Vuitton, foi criado para levar obras de arte contemporânea a espaços internacionais da maison. O projeto já passou por cidades como Paris, Munique, Veneza, Pequim e Tóquio.
Moda, arte e luxo cada vez mais conectados
A mostra de Rina Banerjee também revela como a relação entre moda e arte continua se aprofundando.
Nos últimos anos, marcas de luxo passaram a investir em exposições, instalações e colaborações culturais como forma de ampliar seu posicionamento.
Mais do que vender produtos, essas empresas querem construir experiências e ocupar espaços de influência ligados à criatividade, arquitetura, design e pensamento contemporâneo.
No caso da Louis Vuitton, essa aproximação com a arte já faz parte da identidade da maison há décadas. A marca mantém uma ligação constante com artistas, designers e arquitetos em diferentes partes do mundo.

Ao receber Rina Banerjee em Tóquio, a Louis Vuitton reforça esse posicionamento e se aproxima de discussões sobre imigração, identidade, feminilidade e herança cultural.
Essa escolha também acompanha uma mudança importante no mercado de luxo. O público mais jovem busca narrativas mais complexas, conectadas a propósito, diversidade e relevância cultural.
Por que a exposição merece atenção
A exposição de Rina Banerjee merece entrar no radar porque vai além de uma experiência visual.
A artista consegue transformar objetos simples em obras cheias de significado. Suas esculturas impressionam pela escala, pelos materiais e pela riqueza de detalhes.
Ao mesmo tempo, as obras convidam o visitante a refletir sobre história, deslocamento e pertencimento.
Em um momento em que o debate sobre identidade cultural está cada vez mais presente, a mostra de Rina Banerjee surge como uma das exposições mais relevantes do calendário artístico de 2026.
Para quem acompanha moda, arte contemporânea e o universo do luxo, a exposição representa um exemplo claro de como diferentes linguagens criativas podem coexistir dentro do mesmo espaço.

A exposição de Rina Banerjee no Espace Louis Vuitton Tokyo reforça a força da arte contemporânea como ferramenta de reflexão.
Ao unir materiais encontrados, referências do Sul da Ásia e crítica ao colonialismo, Rina Banerjee cria obras que falam sobre identidade, poder e transformação.
Mais do que uma mostra visualmente impactante, a exposição abre espaço para discussões importantes sobre representação e memória.
A exposição fica em cartaz até 13 de setembro de 2026, no Espace Louis Vuitton Tokyo.
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