Nova plataforma Smart Play Lego, apresentada na CES, adiciona sensores, luzes e som aos blocos tradicionais, sem depender de telas, e estreia com coleção especial de Star Wars.

O Smart Play Lego marca um novo capítulo na história de um dos brinquedos mais icônicos do mundo. Apresentada durante a Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas, a nova plataforma da Lego propõe algo ambicioso: levar os blocos analógicos para uma experiência tecnológica avançada, sem recorrer a telas, aplicativos ou interfaces digitais tradicionais.
A ideia central do Smart Play Lego é simples na superfície, mas sofisticada por dentro. Um novo bloco inteligente, visualmente idêntico ao clássico tijolo 2×4, funciona como o cérebro da brincadeira, conectando minifiguras e peças especiais em tempo real, com efeitos de luz e som que respondem ao movimento e ao contexto da construção.
O que é o Smart Play Lego e como ele transforma o brincar
O coração do Smart Play Lego é o chamado Smart Brick, um bloco patenteado que concentra sensores, chip proprietário, luzes LED e um pequeno alto-falante em um espaço mínimo. Apesar da complexidade tecnológica, o bloco mantém exatamente o mesmo formato e compatibilidade das peças tradicionais.
Esse Smart Brick se conecta a Smart Minifigures e Smart Tags, pequenas peças que carregam identidades digitais únicas. A interação entre esses elementos cria efeitos contextuais. Um movimento pode gerar um som específico. A posição de uma peça ativa uma luz. A combinação entre personagens altera o comportamento da cena construída.
Tudo acontece de forma local. Não há conexão com internet durante a brincadeira, nem necessidade de telas. A Lego aposta em uma experiência imersiva, física e sensorial, que preserva a essência do brincar manual.

A estreia do Smart Play Lego com Star Wars
O lançamento do Smart Play Lego acontece com uma coleção especial de Star Wars, prevista para chegar às lojas no início da primavera no hemisfério norte. O destaque inicial é o set Luke’s Red Five X-Wing, com 584 peças, que inclui minifiguras inteligentes de Luke Skywalker e Princesa Leia, além de cinco Smart Tags.
Essas peças ativam sons de disparos de laser, motores, reabastecimento e reparos, todos coordenados pelo Smart Brick central. O preço sugerido é de US$ 100, e o set inaugura a proposta de transformar cenas clássicas em experiências interativas.
Outros dois conjuntos acompanham o lançamento. O Darth Vader’s TIE Fighter, com 473 peças e efeitos sonoros do motor iônico, e o Throne Room Duel, um set de 962 peças que recria o confronto final entre Luke Skywalker e Darth Vader em O Retorno de Jedi. Neste último, o Smart Play Lego permite até ouvir “The Imperial March” enquanto o Imperador Palpatine observa o duelo.

Tecnologia invisível, mas decisiva
Por trás do Smart Play Lego existe um sistema técnico complexo. O chip principal do Smart Brick mede apenas 4,1 milímetros e opera com um mecanismo próprio que interpreta movimento, orientação espacial e campos magnéticos. Bobinas internas permitem reconhecer a proximidade e a posição de outras peças inteligentes.
A Lego descreve esse conjunto como uma rede auto-organizável. Não há configuração inicial, nem hub central. Os blocos se comunicam entre si por meio de um protocolo próprio, criando uma espécie de ecossistema distribuído que reage em tempo real às ações do usuário.
O som é gerado por um sintetizador analógico interno, evitando arquivos pré-gravados. Isso garante respostas imediatas, como o zumbido de um sabre de luz no momento exato do movimento, reforçando a sensação de continuidade entre ação física e reação sonora.
Nota da redação
A Lego afirma que o Smart Play Lego reúne mais de 20 patentes inéditas e foi desenvolvido internamente pelo Creative Play Lab em parceria com a Cambridge Consultants. A empresa também destaca a bateria de longa duração e o sistema de carregamento sem fio, pensado para funcionar mesmo após longos períodos sem uso.
Segurança, privacidade e críticas ao “brinquedo conectado”
A introdução de tecnologia em brinquedos tradicionalmente analógicos levanta debates inevitáveis. Casos recentes envolvendo brinquedos conectados e falhas de segurança tornaram o tema sensível. No entanto, o Smart Play Lego foi projetado sem acesso direto à internet durante o uso.
Segundo a empresa, há criptografia avançada e controles rígidos de segurança para evitar interferências externas. Ainda assim, especialistas apontam que qualquer sistema tecnológico pode se tornar alvo de tentativas de invasão ao longo do tempo.
Para pesquisadores do brincar, o Smart Play Lego também responde a uma crítica frequente feita à marca nos últimos anos: o foco excessivo em sets voltados para exposição e colecionismo adulto. A nova plataforma devolve centralidade à brincadeira ativa, incentivando a repetição, a descoberta e a interação entre diferentes gerações.
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Smart Play Lego e o futuro do brinquedo físico
Mais do que um experimento tecnológico, o Smart Play Lego sinaliza uma mudança estratégica. Ao unir sensores, som e luz ao brinquedo físico, a Lego propõe um caminho intermediário entre o mundo digital e o analógico, sem abrir mão da imaginação livre.
A plataforma sugere que o futuro do brincar pode ser híbrido, mas ainda profundamente tátil. Um espaço onde tecnologia não substitui a criatividade, mas atua como catalisadora de novas histórias, construídas bloco a bloco.
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