Em livro que chega agora às livrarias francesas, a estilista conta como foi demitida da maison durante um almoço, em junho de 2024, e revisita três décadas ao lado de Karl Lagerfeld.

Virginie Viard quebrou o silêncio sobre sua saída da Chanel. Depois de mais de dois anos sem falar publicamente do assunto, a estilista conta em livro como foi demitida da maison em junho de 2024, encerrando uma relação de três décadas com a casa.
“Un regard. Une vie chez Chanel” chega às livrarias francesas nesta semana pela editora Stock. O título, que pode ser traduzido como “Um olhar. Uma vida na Chanel”, organiza a trajetória de Viard desde 1987, quando entrou na empresa como estagiária e conheceu Karl Lagerfeld, até a conversa que encerrou tudo.
Essa conversa é o trecho mais comentado do livro. Segundo o relato de Virginie Viard, a comunicação da demissão aconteceu durante um almoço, e a frase que marcou o momento foi curta: “On va s’arrêter”, ou “vamos parar”. A saída foi anunciada em 5 de junho de 2024, pouco depois de uma coleção cruise apresentada em Marselha que recebeu críticas frias. Virginie descreve o que veio em seguida como abrupto: seus pertences pessoais foram encaixotados e enviados a ela no dia seguinte, e seu nome deixou de aparecer nos créditos das coleções de alta-costura, substituído pela assinatura coletiva “Fashion Creation Studio”.
O livro também reconstrói a relação com Lagerfeld, que durou mais de trinta anos e definiu a carreira dos dois. Virginie Viard se descreve como a pessoa que traduzia as ideias dele para os ateliês, a ponte entre o desenho e a execução pelas mãos dos artesãos. Ela se refere a si mesma como a mão direita e o braço esquerdo do estilista, e descreve uma dependência que funcionava nos dois sentidos.
A morte de Lagerfeld, em fevereiro de 2019, aparece no livro como uma fratura profissional e pessoal. Viard relata a última vez em que o viu, semanas antes, já muito debilitado, e reflete sobre ter assumido a direção criativa de uma das maiores casas do mundo sem ninguém com quem dividir as decisões. “Eu provavelmente deveria ter procurado um parceiro, alguém com quem conversar”, diz.
O depoimento chega em um momento específico da Chanel. A maison vive agora a era Matthieu Blazy, nomeado diretor criativo no fim de 2024 e recebido com entusiasmo pela crítica que havia sido reticente com Virginie. Ouvir a versão dela, com nomes, datas e a mecânica interna de como uma decisão dessas é comunicada, é o tipo de documento que raramente sai de dentro de uma casa francesa com esse grau de controle sobre a própria imagem.









