Após 30 anos sob o guarda-chuva do maior grupo de luxo do mundo, a LVMH vende a Marc Jacobs por cerca de US$1 bilhão para a gestora americana de marcas WHP Global, que também controla Vera Wang e Rag & Bone.

O LVMH anunciou nesta quinta-feira a venda da Marc Jacobs para a WHP Global, gestora americana de marcas que também controla Vera Wang, Rag & Bone, G-Star e Express. O negócio, avaliado em cerca de US$ 1 bilhão, encerra uma parceria de 30 anos entre Marc Jacobs e Bernard Arnault, um dos relacionamentos mais duradouros e produtivos da história recente da moda.
Marc Jacobs permanece como fundador e diretor criativo da marca. Essa parte não muda.
“Quando me encontrei com Yehuda Shmidman, ficou absolutamente claro que seu respeito, admiração e amor pela casa que construímos era genuíno e sincero”, escreveu Jacobs no Instagram após o anúncio. “E quando digo ‘nós’, me refiro a todos nós.”

Uma despedida com gratidão, não com drama
Bernard Arnault também se pronunciou com elegância: “Marc Jacobs é um designer de criatividade rara e visão única. Seu impacto no mundo da moda é inegável, e quero agradecê-lo calorosamente por sua contribuição ao sucesso da maison e do Grupo LVMH ao longo dos últimos 30 anos.”
Trinta anos é tempo suficiente para qualquer relação se desgastar. O que é notável aqui é que, pelo menos publicamente, essa terminou bem.

POR QUE O LVMH ESTÁ VENDENDO E O QUE ISSO REVELA SOBRE O MERCADO
A venda da Marc Jacobs não é uma surpresa para quem acompanha o setor. O Wall Street Journal havia reportado em julho de 2025 que o LVMH estava próximo de um acordo, com a WHP Global entre os interessados ao lado da Authentic Brands Group e da Bluestar Alliance.
O contexto é claro: o setor de luxo ainda está em recuperação, e o LVMH tem feito movimentos estratégicos para concentrar recursos nas marcas que mais crescem e contribuem para o resultado. Nos últimos anos, o grupo vendeu a Off-White para a Bluestar Alliance em 2024, devolveu sua participação na Stella McCartney em janeiro de 2025 e desinvestiu operações da DFS na Grande China em janeiro de 2026.
A Marc Jacobs, posicionada no segmento de luxo acessível, é mais exposta à desaceleração do consumo de luxo do que casas ultra-premium como a Loro Piana, cuja clientela continua a gastar independentemente do ciclo econômico. No resultado do primeiro trimestre de 2026, o LVMH apontou que a maioria das marcas da divisão de moda ficou abaixo da média da divisão, com exceção de Louis Vuitton, Loro Piana e Rimowa.

A estrutura do negócio e o papel da G-III
A estrutura da transação é mais complexa do que uma venda simples. Após o fechamento do negócio, a G-III e a WHP Global formarão uma joint venture 50/50 que deterá a propriedade intelectual da Marc Jacobs. A G-III então adquirirá o negócio operacional da marca e firmará um contrato de licenciamento de longo prazo, em um investimento de aproximadamente US$ 500 milhões para a empresa. O que eleva a avaliação total do negócio a cerca de US$ 1 bilhão.
“Marc Jacobs é um dos nomes mais influentes da moda. Esta transação reforça nosso compromisso de construir um portfólio diversificado de marcas icônicas e globalmente relevantes”, disse Morris Goldfarb, presidente e CEO da G-III.

O QUE A WHP GLOBAL REPRESENTA PARA O FUTURO DA MARCA
Com a adição da Marc Jacobs, a WHP Global ultrapassa US$ 9,5 bilhões em vendas globais no varejo. A empresa é uma gestora de marcas, não uma maison de moda, e essa distinção importa.
Isso não é necessariamente ruim para a Marc Jacobs. A Vera Wang, sob a WHP Global, manteve sua relevância cultural e sua identidade de marca. O modelo de gestão da empresa tende a preservar o DNA criativo das marcas enquanto expande sua distribuição e licenciamento.

Marc Jacobs continua sendo Marc Jacobs
A continuidade de Marc Jacobs como diretor criativo é o elemento mais importante de toda essa equação. A marca não existe separada de sua visão, e qualquer estrutura de propriedade que entendesse isso errado estaria comprando um nome sem o que o torna valioso.
A Marc Jacobs foi fundada em 1984 por Jacobs e seu sócio Robert Duffy. Em 1997, quando Jacobs foi nomeado o primeiro diretor criativo da Louis Vuitton, o LVMH adquiriu participação majoritária na marca. Sob o grupo, a Marc Jacobs se transformou de um label de nicho nova-iorquino em uma casa de moda reconhecida internacionalmente.
Agora começa um novo capítulo. Marc Jacobs parece animado com ele. E quando Marc Jacobs está animado com alguma coisa, a moda tende a prestar atenção.
Se você curte conteúdo sobre moda e lifestyle, acesse o nosso canal do Youtube com a Fabíola Kassin.
Compartilhe
- Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Compartilhar no X(abre em nova janela) X
- Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) Pinterest
- Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
- Imprimir(abre em nova janela) Imprimir









