De Genta ao Pop Art: porque a colaboração entre Audemars Piguet e Swatch é o choque cultural que a indústria da moda (e dos relógios) precisava.

Se você achou que a parceria entre Omega e Swatch tinha sido o ápice da “democratização” da alta relojoaria, prepare o coração. A Audemars Piguet, a marca que é o epítome do desejo e das listas de espera intermináveis, acaba de dar as mãos à Swatch para lançar o Royal Pop. E a maior surpresa? Ele não foi feito para o seu pulso.
Em um movimento que mistura a herança do icônico Royal Oak de Gérald Genta com o espírito lúdico dos POP Swatch dos anos 80, a colaboração entrega oito relógios de bolso, ou seriam “pocket Swatches”?, em cores vibrantes que fariam Andy Warhol sorrir. Por cerca de 450 dólares, você leva para casa um pedaço do octógono mais famoso do mundo, mas para pendurar no pescoço, na chave do carro ou onde sua criatividade permitir.

A estratégia da “Abertura Radical”
Convenhamos, ver uma marca que produz apenas 50 mil relógios feitos à mão por ano se associar a uma gigante do plástico parece, à primeira vista, um erro de sistema. Mas a CEO da AP, Ilaria Resta, é cirúrgica: o objetivo não é vender relógios para a Geração Alpha, mas vender o sonho da relojoaria mecânica.
É um movimento de sobrevivência cultural. Em um mundo de smartwatches descartáveis, a AP está financiando a educação de novos mestres relojoeiros (100% dos lucros da marca irão para essa causa) enquanto planta a semente do desejo em quem ainda nem tem idade para dirigir. É o luxo sendo generoso para garantir que continuará existindo daqui a cinquenta anos.

AUDEMARS PIGUET X SWATCH: Entre o colecionismo e o deboche
O relógio em si é um deleite visual para quem não se leva tão a sério. Feito em Bioceramic, o Royal Pop mantém o bezel octogonal e o mostrador tapisserie, mas mergulha na estética Pop Art com cores primárias e retículas visíveis pelo fundo de safira.
Claro, os puristas vão reclamar da “diluição” da marca e os revendedores já estão preparando as barracas para as filas que começam dia 16 de maio. Mas o fato é que a colaboração tira o relógio do pedestal e o coloca na rua. Se antes o Royal Oak era o símbolo máximo de “eu cheguei lá”, o Royal Pop é o símbolo de “eu entendo o jogo, mas prefiro me divertir”.
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