A maison italiana ocupa o icônico Hotel Chelsea com a Satellites II, 14ª edição do programa Prada Mode, em colaboração com o diretor Nicolas Winding Refn e o criador de games Hideo Kojima.



A semana de cultura mais agitada do verão nova-iorquino acaba de ganhar mais um nome de peso no calendário. Prada faz exposição imersiva durante o Tribeca Festival em NYC dentro do icônico Hotel Chelsea, em Manhattan, em uma mostra batizada Satellites II que marca a 14ª edição do programa Prada Mode. A casa italiana repete a parceria com o diretor de cinema dinamarquês Nicolas Winding Refn e o criador de games japonês Hideo Kojima, dupla que já tinha assinado a primeira edição da Satellites no ano passado, e o resultado dessa vez se espalha pelo hotel inteiro como instalação multidisciplinar.
A escolha do Hotel Chelsea como cenário não é casual. O endereço, na 23rd Street com 7th Avenue, abriga há mais de 140 anos a história de boa parte da contracultura artística americana, com hóspedes históricos que vão de Bob Dylan a Patti Smith e Andy Warhol, e que recentemente passou por uma reforma profunda antes de ser reaberto ao público. A nova exposição da Prada usa essa arquitetura em camadas para construir uma narrativa espacial que alterna entre ambientes públicos, áreas domésticas do hotel e zonas íntimas, jogando o tempo todo com a ideia de quem tem acesso a quê. Durante o programa privado, marcado para os dias 3 e 4 de junho, alguns quartos do hotel funcionam como micro-estúdios de televisão, recebendo performances originais reservadas aos convidados. Os mesmos espaços reabrem depois ao público entre os dias 5 e 7 de junho, agora como instalações montadas para serem experimentadas pelos visitantes.
Quando a Prada faz exposição imersiva nesse formato, a escolha do casting fala diretamente com o tipo de público que a Prada Mode vem cultivando. Nicolas Winding Refn, o diretor por trás de Drive (2011), Only God Forgives e The Neon Demon, carrega uma estética visual marcada por neon, violência e silêncio, com cinema autoral que circula entre o festival de Cannes e o cult absoluto. Hideo Kojima, do outro lado, é considerado um dos maiores autores de videogame da história, criador da franquia Metal Gear Solid e de obras posteriores como Death Stranding e a sequência lançada em 2025. A dupla vem cruzando referências há anos, e a Satellites II expande exatamente essa conversa amigável e obsessiva, que mistura cinema, jogos, narrativa, linguagem e arte em formato físico, com uma estética que a própria Prada define como ficção científica clássica e progressista ao mesmo tempo.
Em paralelo à mostra dentro do hotel, a Prada também espalha intervenções específicas pela cidade de Nova York, em uma operação que tira o evento das paredes do Chelsea e o coloca em diálogo com a malha urbana ao redor. O timing não é casual: o Tribeca Festival em NYC concentra na mesma semana grande parte do calendário cultural da cidade, e a sobreposição amplia a visibilidade do programa Prada Mode para o público de cinema independente. O programa cultural ao vivo da mostra é igualmente robusto, com talks, concertos, exibições de filmes, performances e reinterpretações de formatos tradicionais de broadcast acontecendo ao longo dos cinco dias do evento. Para fechar a experiência, foram também montadas curadorias gastronômicas exclusivas, e a camada toda funciona como uma reflexão sobre comunicação, conexão humana e imaginação compartilhada, sem se prender a um único formato de saída.
O programa Prada Mode existe desde 2018, quando estreou em Miami durante a Art Basel ao lado do artista Theaster Gates, e foi gradualmente se transformando em uma das séries culturais mais consistentes da indústria do luxo. Já passou por Tóquio, Paris, Dubai, Hong Kong e outras cidades estratégicas, com curadoria que cruza arte, cinema, comida e cultura pop, e essa nova versão em Nova York reforça a régua que a casa italiana vem aplicando ao formato. Para o leitor que vai estar em Manhattan na semana, o convite é direto: a Prada faz exposição imersiva durante o Tribeca Festival em NYC com o tipo de cruzamento entre Refn, Kojima e o Hotel Chelsea que dificilmente se repete em outra edição. E quem perde o evento físico, no fim, perde também uma fatia rara da conversa cultural do ano.









