Museu Lalique na França sofre roubo de US$ 5 milhões

Ladrões mascarados levaram cerca de 20 peças em minutos, mas há uma ironia no assalto: o que eles roubaram é quase impossível de vender.

Museu Lalique na França sofre roubo de US$ 5 milhões

O Museu Lalique na França sofre roubo de US$ 5 milhões e entra para a lista crescente de assaltos que vêm assombrando as instituições culturais do país. O ataque aconteceu na madrugada de domingo, 5 de julho, na cidade de Wingen-sur-Moder, na região da Alsácia, nordeste francês. Por volta das 5h30, um grupo de ladrões mascarados forçou uma porta, foi direto à sala de joias e arrombou seis vitrines, levando cerca de 20 peças em pouquíssimo tempo. As estimativas de prejuízo variam entre 4 e 5 milhões de dólares, dependendo da fonte, e o museu anunciou que ficará fechado por alguns dias para reforçar a segurança antes de reabrir.

Aqui está o detalhe que torna esse caso diferente de um roubo comum de joias. As peças furtadas do Museu Lalique não eram cravejadas de pedras preciosas nem feitas de metais nobres, e sim de cristal e vidro, materiais trabalhados à mão pelo lendário joalheiro e vidraceiro René Lalique. O valor delas está ligado à delicadeza e à maestria da execução, não ao peso de ouro ou diamante. Na prática, isso significa que os ladrões roubaram algo que não pode ser derretido nem desmontado para revenda rápida no mercado negro. Ou eles não fizeram o dever de casa, ou o roubo foi encomendado por um colecionador específico, o que é uma hipótese bem mais inquietante.

A segurança do local também levanta perguntas. Os alarmes dispararam durante a invasão, mas, por motivos ainda não esclarecidos, a empresa de monitoramento não avisou a polícia de imediato. Quem acabou descobrindo a cena do crime foi uma funcionária da manutenção que chegou para o turno e ligou para as autoridades. Para um museu que já era considerado um ponto sensível e vinha recebendo atenção especial, é o tipo de falha que soa quase inacreditável. As câmeras de vigilância foram analisadas e a investigação segue em andamento.

O contexto é o que dá peso real à história. Esse roubo no Museu Lalique não é um episódio isolado, e sim mais um capítulo de uma onda que envergonha a França desde o assalto ao Louvre, em outubro do ano passado, quando ladrões levaram US$ 102 milhões em joias, incluindo peças das antigas joias da coroa, em menos de oito minutos. Desde então, houve furtos no Museu de História Natural de Paris, no museu de Limoges e num sítio arqueológico no início deste mês. Mesmo com o país supostamente em alerta máximo, os assaltos não pararam.

Fundado em 2011, o Museu Lalique guarda cerca de 650 obras que percorrem a trajetória do artista, morto em 1945, referência dos movimentos Art Nouveau e Art Déco. Depois do assalto, a instituição publicou nas redes a imagem de um anel verde de escaravelho e lótus, criado por Lalique no fim do século XIX, e disse que a cor da semana seria o verde, a cor da esperança. É uma resposta simbólica bonita, mas que não esconde a pergunta que a França inteira anda se fazendo: por que continua tão fácil roubar seus tesouros.

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