Sob a direção de Michael Rider, a maison transforma o carré em ferramenta de styling, e não em detalhe final de look, em sua mais nova campanha.

A Celine decidiu olhar para uma das suas assinaturas mais antigas com outros olhos. Fresca da estreia aplaudida de Michael Rider na passarela de Primavera/Verão 2027, a maison lançou uma nova campanha, batizada de “Infinite Possibilities”, que reposiciona o clássico lenço de seda. Em vez de tratar o carré como um detalhe final, aquele toque que se acrescenta no fim, a marca o apresenta como um objeto capaz de transformar um guarda-roupa inteiro. É uma mudança de status pequena no papel, mas reveladora sobre a direção que Rider quer imprimir à casa.
Fotografada por Eijin Ota e Victor Brun, a campanha explora o lenço em movimento, com muitas imagens desfocadas de propósito, como se a peça nunca ficasse parada. E de fato ela não fica: aparece amarrada no pescoço, usada como lenço de cabeça, presa a bolsas e até modelada como um top. O carré vira uma ferramenta de styling que muda conforme quem o veste, o que espelha diretamente a atitude mais livre que Rider levou à passarela nesta temporada, onde a sobreposição, a expressão pessoal e o vestir instintivo importaram mais do que a perfeição.
Por trás da narrativa de versatilidade existe substância técnica, e é aí que a nova campanha se sustenta. Cada desenho é produzido com um sarja de seda desenvolvido especialmente pela maison, de trama mais densa do que as construções tradicionais. O resultado prático é uma saturação de cor mais rica, contornos gráficos mais nítidos e um caimento fluido que faz cada ilustração se revelar com clareza. Os lenços funcionam quase como obras de arte vestíveis, carregando narrativas por meio de motivos de inspiração histórica, referências equestres e emblemas da casa. A temporada ainda traz uma versão inédita com franjas, feita de centenas de fios de seda coloridos, uma peça verdadeiramente única.

A Celine também aproveitou para expandir o universo “Infinite Possibilities” com a continuação dos seus charms para lenços, apresentados no fim do ano passado. Pensados para acompanhar as coleções masculina e feminina, esses miniacessórios se prendem a lenços de seda, joias ou artigos de couro, adicionando mais uma camada de personalização a uma categoria que sempre recompensou o styling individual. É a marca reconhecendo que o cliente quer montar, combinar e assinar o próprio visual.
No fim, quando a Celine reinventa o lenço de seda em nova campanha, ela reforça uma ideia que Rider vem defendendo desde que assumiu: algumas das peças mais versáteis da moda estiveram o tempo todo à vista, esperando ser reconhecidas. Seguindo a visão dele de alfaiataria relaxada, proporções generosas e roupas feitas para evoluir com quem as usa, o carré deixa de ser coadjuvante e assume o papel de protagonista. Para um acessório com décadas de história, é uma reinvenção que não muda o objeto, muda a forma como olhamos para ele.
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