Colaboração com a Office of Work reúne SuckyBat, Titus McBeath e Dozie Kanu para reinterpretar a Detroit Jacket e o Dearborn Canvas.

A Carhartt WIP volta a explorar os limites entre moda, cultura e arte contemporânea. Desta vez, a marca se une à Office of Work, também conhecida como OOW®, em uma série de exposições públicas realizada em Nova York.
O projeto transforma dois elementos ligados ao universo da marca em suportes para criação artística: o Dearborn Canvas de 60 x 60 polegadas e a tradicional Detroit Jacket.
Três artistas foram convidados para a experiência. SuckyBat, Titus McBeath e Dozie Kanu receberam liberdade para reinterpretar materiais e silhuetas associados ao workwear, criando obras apresentadas nas vitrines da Office of Work em Tribeca e Chinatown.
Mais do que uma colaboração entre moda e arte, a iniciativa mostra como peças utilitárias podem ganhar novas leituras quando retiradas do contexto tradicional do vestuário.
Carhartt WIP leva o workwear para o espaço expositivo
O workwear sempre ocupou uma posição particular na moda contemporânea. Criadas originalmente a partir de conceitos como resistência, funcionalidade e durabilidade, peças utilitárias atravessaram diferentes movimentos culturais.
Nas últimas décadas, jaquetas de trabalho, calças com bolsos funcionais e tecidos robustos deixaram de aparecer apenas em ambientes industriais. Esses códigos foram incorporados ao streetwear e, posteriormente, reinterpretados pela moda.
A Carhartt WIP construiu parte de sua identidade justamente nesse diálogo. A própria marca apresenta suas work jackets contemporâneas como adaptações de referências do vestuário de trabalho, mantendo elementos de funcionalidade e resistência em modelagens atualizadas.
Na parceria com a Office of Work, essa relação ganha uma nova camada. Em vez de simplesmente vestir o corpo, a Detroit Jacket passa a funcionar como superfície artística.
O mesmo acontece com o Dearborn Canvas, material reconhecido dentro do vocabulário da marca. A tela amplia a escala das intervenções e cria uma conexão visual entre roupa, objeto e instalação.
Uma exposição pensada para quem passa pela rua
A Office of Work trabalha com um formato que questiona a ideia tradicional de galeria.
Criada como uma rede de vitrines públicas, a plataforma utiliza espaços visíveis diretamente da rua. No projeto com a Carhartt WIP, as jaquetas foram apresentadas em Tribeca, enquanto as obras em canvas ocuparam o espaço de Chinatown.
Cada artista recebeu uma semana de destaque dentro da programação.

O resultado aproxima a arte do fluxo cotidiano da cidade. Não é necessário planejar uma visita a um museu ou entrar em uma galeria. Quem atravessa a calçada pode se tornar público.
Nota da redação
O formato de vitrines transforma a própria cidade em parte da exposição. A experiência acontece no encontro entre obra, arquitetura e movimento urbano, reduzindo a distância tradicional entre arte contemporânea e público.
Três artistas reinterpretam os códigos da Carhartt WIP
Embora todos tenham trabalhado com os mesmos pontos de partida, os resultados seguem caminhos bastante diferentes.
Essa diversidade é um dos elementos centrais da série. Em vez de estabelecer uma identidade visual rígida para a colaboração, o projeto utiliza o repertório individual de cada artista.
SuckyBat leva a linguagem do graffiti para as peças
SuckyBat abriu a programação com uma intervenção ligada diretamente à sua presença nas ruas de Manhattan.
Conhecido pelo bat tag, o artista transportou sua assinatura visual para as obras desenvolvidas para a exposição. A linguagem do graffiti entra em contato com a superfície estruturada do workwear.
A escolha cria uma conexão natural com o formato da Office of Work.

Se o graffiti historicamente utiliza a cidade como suporte, as vitrines públicas preservam parte dessa relação com o ambiente urbano. O espectador continua sendo alguém que encontra a obra durante seu deslocamento.
No projeto da Carhartt WIP, essa lógica ganha uma escala diferente. A assinatura deixa temporariamente os muros e passa a ocupar tecidos e peças reconhecidas dentro da cultura streetwear.
Titus McBeath olha para o interior dos Estados Unidos
O segundo capítulo da exposição apresenta uma leitura mais ligada à memória.
Nascido em Ohio, Titus McBeath utiliza referências da paisagem industrial e rural do Midwest norte-americano. Para a série, o artista buscou inspiração em uma camisa usada por seu avô.
Um celeiro vermelho aparece entalhado e pintado diretamente sobre o material. Detalhes ornamentais e uma chama cinética completam a composição.
A intervenção cria uma relação entre roupa e lembrança.
Nesse contexto, o desgaste de uma peça deixa de representar apenas o tempo de uso. Ele pode funcionar como registro de quem vestiu aquela roupa e das experiências acumuladas ao longo dos anos.
É uma interpretação especialmente coerente quando aplicada ao workwear. Tecidos resistentes e jaquetas utilitárias são frequentemente pensados para acompanhar longos períodos de uso.
McBeath transforma essa característica em narrativa visual.
Dozie Kanu aproxima fotografia, design e arquitetura
Dozie Kanu encerra a série com duas obras apresentadas em formato de díptico.
Artista multidisciplinar radicado em Portugal, Kanu desenvolve trabalhos que transitam entre arquitetura, design e arte contemporânea. Para a colaboração, ele retomou elementos ligados às suas raízes fotográficas.
Paisagens costeiras serenas aparecem em serigrafia e são colocadas em diálogo com uma imagem íntima de um quarto.
As fotografias são divididas entre as instalações em canvas e jaqueta, estabelecendo uma relação entre os dois suportes.
A escolha reforça um dos pontos mais interessantes do projeto da Carhartt WIP e da Office of Work: a roupa não precisa ser analisada apenas como produto.
Ela também pode carregar imagens, memórias e diferentes percepções de espaço.
Quando uma jaqueta deixa de ser apenas roupa
A Detroit Jacket ocupa uma posição reconhecível dentro do universo do workwear.
Sua construção utilitária e o uso de canvas ajudaram a estabelecer uma estética que ultrapassou a função original das roupas de trabalho. Hoje, a silhueta aparece com frequência no streetwear e em diferentes leituras da moda contemporânea.
O próprio site oficial da Carhartt WIP mantém a Detroit Jacket entre suas referências de work jackets, dentro de uma linha inspirada nas origens utilitárias da marca.
Ao entregar essa peça a artistas, a exposição altera temporariamente sua função.
A jaqueta deixa de ser apenas um objeto criado para vestir e passa a ocupar o espaço como obra.
Essa mudança pode parecer simples, mas acompanha uma discussão maior na moda atual. Arquivos, peças históricas e produtos reconhecíveis estão sendo apresentados cada vez mais como objetos culturais.
Museus, instalações e projetos independentes ajudam a construir novas narrativas em torno do vestuário.
Moda, arte e cidade no mesmo projeto
A colaboração também chama atenção pelo espaço escolhido.
Nova York possui uma relação histórica com movimentos artísticos desenvolvidos fora de instituições tradicionais. Graffiti, música, fotografia e diferentes cenas de moda cresceram em contato direto com a rua.
Ao utilizar vitrines em Tribeca e Chinatown, a Office of Work incorpora esse movimento ao conceito da exposição.
As obras existem dentro de um espaço organizado, mas continuam conectadas à cidade.
Para a Carhartt WIP, o formato também reforça sua proximidade com comunidades criativas. Em vez de apresentar uma coleção convencional ou desenvolver apenas uma campanha publicitária, a marca participa de uma experiência baseada em interpretação artística.
Após o período nas vitrines, os trabalhos dos três artistas seguiram para a loja da marca no Brooklyn, onde uma recepção especial de encerramento foi programada para 9 de julho.
O workwear continua ampliando seu significado
O projeto da Carhartt WIP com a Office of Work mostra como os códigos do vestuário utilitário continuam em transformação.
Uma jaqueta pode ser uniforme, peça de streetwear ou suporte artístico. O significado depende do contexto e de quem interfere sobre o objeto.
SuckyBat utiliza a linguagem das ruas. Titus McBeath trabalha com memória familiar e referências do Midwest. Dozie Kanu aproxima fotografia, arquitetura e intimidade.
Três perspectivas diferentes encontram o mesmo material.
É justamente nesse encontro que a exposição ganha relevância. O workwear não abandona sua história, mas passa a carregar novas narrativas.
A iniciativa confirma uma aproximação cada vez mais frequente entre moda e arte contemporânea. Para além das passarelas e campanhas, marcas encontram em exposições e experiências públicas uma forma diferente de participar da cultura.
E, no caso da Carhartt WIP, uma das peças mais reconhecíveis de seu repertório se transforma literalmente em tela.
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