De deusa grega a guardiã alada, a atriz transformou a turnê de imprensa num desfile particular, com direito a vestido transportado por jato privado.



Os looks de Zendaya para a premiere de “A Odisseia” transformaram a turnê de imprensa do filme de Christopher Nolan num evento de moda por conta própria. Aos 29 anos e 17 de carreira, a atriz virou sinônimo de quase perfeição no tapete vermelho, tratando dez minutos de fotos com a mesma intensidade e obsessão por detalhe que dedica aos papéis no cinema. Ao lado do stylist Law Roach, seu “arquiteto de imagem” de longa data, ela montou uma sequência de aparições que não só acompanha o filme, mas comenta o filme. Como ela interpreta Atena na adaptação do poema de Homero, a lógica do “method dressing” estava dada.
A premiere de Paris entregou a leitura mais literal e talvez a mais bonita da proposta. Zendaya encarnou uma deusa grega em um vestido customizado da Louis Vuitton, um aceno de alta-costura aos figurinos gregos fluidos que aparecem em “A Odisseia”. A escolha tinha ainda uma segunda camada, já que ela é recém-casada com o colega de elenco Tom Holland, e o branco funcionou como piscadela para quem acompanha a vida pessoal do casal. Como Taylor Swift, ela mantém o vestido de casamento a sete chaves, e transformar cada aparição pública numa peça branca deslumbrante é o mais próximo que o público vai chegar disso.
Nem todos os looks de Zendaya nessa temporada foram tão solenes, e é aí que a coisa fica interessante. Em Londres, ela apareceu com um Jacquemus cremoso, de decote halter e costas baixas, combinado a um lenço de cabeça e a brincos de disco dourados que roubaram a cena, peças que teriam entre dois e três mil anos, datando do primeiro milênio. Ela também recorreu ao arquivo, vestindo uma criação vintage da Givenchy Primavera 1997 Couture, da época em que Alexander McQueen comandava a casa francesa. É um repertório que mistura contemporâneo, histórico e arqueológico, quase como uma pesquisa.



O momento que melhor resume o poder de fogo dessa dupla, porém, envolveu logística. Zendaya apareceu num tapete vermelho com uma criação escultural saída direto da passarela da coleção de Alta-Costura Outono/Inverno 2026/27 da Schiaparelli. A peça tinha estreado na passarela em Paris naquela mesma manhã, vestida pela modelo Ivy Stewart, e foi transportada por jato privado para chegar a tempo, segundo o próprio Law Roach. Poucas pessoas no mundo conseguem mobilizar uma operação dessas por um vestido, e menos ainda conseguem justificá-la com o resultado.
Depois de semanas de moda impecável, ela guardou o look mais memorável para o fim. Na premiere de Nova York, realizada em 14 de julho no AMC Lincoln Square, Zendaya abandonou o drapeado clássico e partiu para o simbolismo puro, vestindo um modelo da label avant-garde Matières Fécales, batizado de “Ange Arc”. O vestido de chiffon micro plissado à mão vinha com enormes asas emplumadas, uma fenda alta e o que os designers chamam de “asas mutantes de alta-costura”. A peça foi o look de encerramento do desfile Outono 2025 da marca, em março do ano passado, e Roach a reservou dois anos antes, segundo a própria atriz. Completaram o visual mais de 30 quilates em joias Chopard, sapatos brancos e uma trança propositalmente desfeita.
O efeito foi menos deusa clássica e mais guardiã mítica, o que casa perfeitamente com Atena, a protetora divina que ela interpreta. Enquanto o filme de Nolan acumula polêmicas online por escolhas de elenco e liberdades históricas, os looks de Zendaya para a premiere de “A Odisseia” seguem sendo consenso raro. A cada parada, ela reforça uma tese simples: tapete vermelho também é atuação, e quase ninguém está atuando no nível dela.









