O Lucas Museum of Narrative Art abriu em Los Angeles depois de 17 anos e US$ 1 bilhão, com 1.300 obras em 30 galerias, das quais a saga ocupa só uma fatia.

George Lucas inaugurou seu museu com acervo de Star Wars, e a empreitada levou 17 anos e mais de US$ 1 bilhão para sair do papel. O Lucas Museum of Narrative Art abriu ao público na terça-feira, 22 de setembro, no Exposition Park, no sul de Los Angeles, a poucos metros da Universidade do Sul da Califórnia, onde o cineasta estudou. Ele descreveu o resultado como um templo à arte do povo e admitiu que o projeto quase quebrou sua determinação.
Quem espera um santuário da franquia vai encontrar outra coisa. Segundo Mellody Hobson, executiva, esposa de Lucas e cofundadora da instituição, o material de Star Wars representa apenas 7% do acervo. O restante mistura pintura, ilustração, quadrinhos, fotografia, murais e cinema sob uma mesma premissa: a de que toda narrativa visual merece o mesmo tratamento, venha ela de uma caverna pré-histórica ou de uma banca de revistas.

A lista de nomes expostos explica a provocação. Vincent van Gogh e Frida Kahlo dividem espaço com Norman Rockwell, Jack Kirby, Frank Frazetta, Charles Schulz, Robert Crumb, Diego Rivera, Gordon Parks e Judith Baca. Nos jardins, uma escultura de bronze da Princesa Leia estrangulando Jabba the Hutt fica ao lado de um David derrotando Golias do século 19 e de uma Rosie the Riveter. É deliberadamente desconfortável para quem entende museu como hierarquia.
Para quem vai atrás da saga, ela está concentrada na galeria de Cinema. A exposição inaugural se chama “Star Wars in Motion” e reúne os veículos terrestres dos seis primeiros filmes, com designs conceituais, adereços e figurinos que vão do Landspeeder de Luke em “Uma Nova Esperança” até a primeira construção física da Wheel Bike do General Grievous em “A Vingança dos Sith”. Um caça Naboo fica pendurado permanentemente no saguão da biblioteca.

A escala do prédio acompanha a ambição. Projetado por Ma Yansong com o escritório MAD, ele tem cinco andares, 300 mil pés quadrados e ocupa um campus de 13 acres com paisagismo de Mia Lehrer, erguido sobre o que antes era um estacionamento de asfalto. São mais de 30 galerias com cerca de 1.300 obras em exibição, de um acervo permanente que passa de 40 mil peças, além de biblioteca de pesquisa gratuita e do restaurante Skywalker Grill no topo, aberto também a quem não visita o museu. Antes de Los Angeles, o projeto foi rejeitado em San Francisco e em Chicago.









