Yorgos Lanthimos leva quase 180 fotografias ao Foam, em Amsterdã

Mostra reúne imagens produzidas nos bastidores de Bugonia, Kinds of Kindness e Poor Things, além de uma série pessoal feita na Grécia.

Yorgos Lanthimos leva quase 180 fotografias ao Foam, em Amsterdã
Divulgação

Yorgos Lanthimos vai trocar temporariamente a linguagem do cinema pela fotografia em uma grande exposição individual no Foam, em Amsterdã. Intitulada Yorgos Lanthimos: Photographs, a mostra reúne quase 180 imagens produzidas ao longo dos últimos seis anos e apresenta uma dimensão menos conhecida da prática artística do diretor grego.

A exposição abre em 12 de fevereiro de 2027 e permanece em cartaz até 6 de junho de 2027. O conjunto inclui quatro séries fotográficas: três relacionadas aos espaços e bastidores de produções cinematográficas recentes e uma quarta dedicada à Grécia, país natal do cineasta.

Conhecido por filmes como Poor Things, The Favourite, The Lobster, Kinds of Kindness e Bugonia, Lanthimos desenvolve na fotografia uma linguagem que mantém parte da estranheza de seu cinema, mas sem depender de roteiro, atores ou construção narrativa tradicional.

O que reúne Yorgos Lanthimos: Photographs

Yorgos Lanthimos: Photographs reúne quatro corpos de trabalho realizados nos últimos seis anos.

Três deles nasceram nos arredores de sets e locações de filmes do diretor. As fotografias foram feitas em Nova Orleans, Atlanta, Henley-on-Thames e também nas cidades recriadas em estúdio em Budapeste para suas produções cinematográficas.

Essas imagens não funcionam exatamente como fotografias tradicionais de bastidores.

Em vez de simplesmente documentar equipes trabalhando ou atores entre cenas, Lanthimos utiliza os mesmos espaços para construir imagens autônomas.

Algumas delas preservam a sensação de deslocamento já associada à sua filmografia.

Outras seguem uma direção mais silenciosa.

Quase 180 imagens em uma única mostra

Yorgos Lanthimos leva quase 180 fotografias ao Foam, em Amsterdã
Divulgação

O Foam descreve a exposição como a primeira grande mostra individual de Lanthimos em um museu dedicada à fotografia.

São quase 180 trabalhos, um volume suficiente para mostrar que a fotografia não é apenas uma atividade paralela ocasional na carreira do diretor.

A prática acompanha Lanthimos há anos.

Além das imagens produzidas durante filmagens, ele já fotografou editoriais, campanhas de moda e publicou diferentes livros dedicados exclusivamente ao meio fotográfico.

Entre eles estão Dear God, the Parthenon is still broken, publicado pela VOID, além de i shall sing these songs beautifully e VISCIN, ambos lançados pela MACK.

Dos sets de cinema à fotografia pessoal

A relação entre cinema e fotografia é inevitável na exposição.

Três das séries apresentadas têm conexão direta com filmes como Bugonia, Kinds of Kindness e Poor Things. A Hypebeast descreve parte desse material como imagens produzidas nos bastidores dessas obras.

Mas o quarto conjunto muda completamente o contexto.

Trata-se de uma série pessoal contínua realizada na Grécia, onde Lanthimos nasceu.

As fotografias trabalham paisagens, pessoas e situações cotidianas em uma linguagem mais contida, incluindo imagens em preto e branco.

Isso cria uma divisão interessante dentro da mostra.

De um lado estão espaços construídos ou encontrados durante grandes produções cinematográficas.

Do outro, um trabalho mais íntimo realizado em seu próprio país.

O mais interessante na fotografia de Lanthimos talvez seja justamente o que desaparece em relação ao cinema. Não há necessidade de sustentar personagens, diálogos ou narrativa. Ainda assim, enquadramento, estranhamento e silêncio continuam presentes. A fotografia funciona quase como uma versão mais livre de um olhar já reconhecível em seus filmes. Essa é uma análise editorial baseada nos trabalhos apresentados pelo Foam.

Uma prática paralela ao cinema

Embora seja internacionalmente conhecido como cineasta, Lanthimos trabalha com fotografia há anos.

O Foam destaca que o diretor também realizou campanhas de moda e editoriais, além de desenvolver projetos editoriais próprios.

Essa trajetória ajuda a afastar a exposição da ideia de “cineasta que começou a fotografar”.

A prática fotográfica já possui publicações, exposições e uma linguagem própria.

A mostra de Amsterdã também não surge isoladamente.

Segundo a Hypebeast, será a terceira exposição de fotografia do artista em aproximadamente um ano, depois de apresentações na Onassis Stegi, em Atenas, e na Webber Gallery, em Los Angeles.

Michael Mack assina a curadoria

A curadoria é de Michael Mack, fundador da editora independente de arte e fotografia MACK, sediada em Londres.

A colaboração entre os dois já existe há algum tempo.

A MACK publicou trabalhos fotográficos de Lanthimos e prepara também no word for blue, previsto para setembro de 2027.

A relação entre artista, curador e editora dá continuidade ao desenvolvimento da fotografia de Lanthimos como uma produção independente de seus filmes.

Fotografia como espaço de liberdade

Em uma entrevista citada pela Hypebeast, Lanthimos descreveu a fotografia como uma prática de liberdade.

Ele explica que é possível simplesmente caminhar com uma câmera sem precisar saber previamente o que será criado ou qual será o destino daquela imagem.

Essa lógica contrasta diretamente com a escala de uma produção cinematográfica.

Um filme envolve equipe, orçamento, atores, cenografia, cronogramas e uma série de decisões coletivas.

A fotografia pode ser exatamente o contrário.

Um artista.

Uma câmera.

Um deslocamento.

E nenhuma obrigação imediata de transformar aquilo em produto final.

Essa diferença ajuda a explicar por que suas fotografias podem parecer relacionadas a seus filmes e, ao mesmo tempo, muito menos controladas.

Do cinema para o museu

Yorgos Lanthimos: Photographs também amplia o modo como o público pode enxergar a produção do cineasta.

Até agora, grande parte da discussão em torno de seu trabalho se concentra em roteiro, direção de atores, direção de arte e na estética visual de seus filmes.

No Foam, a imagem aparece sem movimento.

Não há montagem para determinar duração.

Não há trilha sonora para orientar emoção.

Cada fotografia precisa funcionar sozinha.

Essa mudança pode revelar mais claramente decisões de composição que no cinema aparecem misturadas a dezenas de outros elementos.

Serviço

Exposição: Yorgos Lanthimos: Photographs

Artista: Yorgos Lanthimos

Local: Foam Fotografiemuseum Amsterdam

Cidade: Amsterdã, Países Baixos

Período: 12 de fevereiro a 6 de junho de 2027

Curadoria: Michael Mack

Ingressos: disponíveis pelo site oficial do Foam

Preço: o valor específico para a exposição não foi informado nas fontes consultadas; o acesso deve seguir a política vigente de ingressos do museu.

Quando Lanthimos congela o movimento

Yorgos Lanthimos: Photographs oferece uma oportunidade rara de observar o universo visual do diretor fora do cinema.

Muitos dos lugares permanecem familiares.

Alguns nasceram durante seus próprios filmes.

Outros pertencem às paisagens de sua vida pessoal na Grécia.

Mas a lógica muda.

Não há personagem esperando a próxima fala.

Não existe corte para a cena seguinte.

O espectador precisa permanecer diante de uma única imagem.

Ao reunir quase 180 fotografias em Amsterdã, Lanthimos mostra que o olhar inquietante que ajudou a definir sua carreira cinematográfica não depende necessariamente de movimento.

Às vezes, uma fotografia basta.

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