Em parceria com a sueca LAYERED, Hillary Taymour transforma estampas, florais e texturas da marca em tapetes e sofás que funcionam como peças centrais do ambiente.

A Collina Strada LAYERED marca a primeira entrada da marca nova-iorquina no universo do design de interiores. Criada em parceria com a casa sueca LAYERED, a coleção reúne quatro tapetes e dois sofás e leva para dentro de casa elementos que Hillary Taymour já trabalha há anos na moda: florais, xadrez, cores inesperadas, formas orgânicas e uma certa recusa à perfeição.
Para a LAYERED, o projeto também inaugura um território novo. É a primeira vez que a marca de interiores colabora diretamente com uma designer de moda.
O resultado não tenta neutralizar o repertório da Collina Strada para adaptá-lo à decoração. Os móveis mantêm a linguagem gráfica da marca e foram pensados para ocupar visualmente o ambiente.
Collina Strada LAYERED leva a passarela para a casa
A conexão com as coleções de moda é bastante direta.
Um dos tapetes utiliza o mesmo padrão encontrado no piso da flagship da Collina Strada em Nova York.
Outro recupera o xadrez apresentado na coleção Fall/Winter 2026 da marca.
A colaboração também inclui dois tapetes escultóricos em forma de flor, entre eles o modelo Petal Olive Plum, construído com desenho assimétrico e contornos irregulares.
Em vez do formato retangular mais comum, essas peças se espalham pelo chão como grandes formas orgânicas.
Essa escolha faz diferença na organização visual do espaço.
Um tapete tradicional costuma acompanhar a geometria da sala ou dos móveis. Aqui, o desenho cria sua própria forma e passa a interferir diretamente na maneira como sofá, mesa e objetos se relacionam ao redor dele.



Quem é a LAYERED?
A LAYERED é uma marca de design de interiores fundada em Estocolmo por Malin Glemme.
Sua história começou a partir de um tapete que Glemme desenhou para a própria casa em 2014. Depois que o projeto apareceu em uma revista sueca de decoração e despertou interesse de leitores, a ideia acabou se transformando em marca.
A empresa foi oficialmente estabelecida em 2015.
Tapetes continuam sendo o centro de sua produção, embora o catálogo tenha se expandido para mobiliário e outros objetos.
A linguagem da LAYERED costuma trabalhar cor, padrões gráficos e peças concebidas para funcionar como pontos de destaque dentro dos ambientes.
Há também uma relação próxima com arte.
A marca desenvolve coleções autorais e colaborações em que o tapete é tratado quase como uma superfície para desenho, pintura ou composição gráfica.
Essa abordagem ajuda a explicar por que a parceria com Hillary Taymour funciona tão naturalmente.
Da moda para o design de interiores
A aproximação entre moda e interiores está longe de ser nova.
Grandes maisons desenvolveram móveis, tecidos e objetos ao longo de décadas, enquanto designers de interiores frequentemente recorrem a referências vindas da moda.
O que muda neste caso é a tradução bastante literal de alguns códigos da Collina Strada para outra escala.
Uma estampa que antes ocupava uma saia ou um vestido agora pode preencher grande parte de uma sala.
O xadrez deixa de acompanhar o movimento do corpo e passa a organizar uma superfície fixa.
A flor, recorrente nas roupas da marca, ganha volume e se transforma no próprio contorno do tapete.
Essa mudança de escala altera também a leitura das estampas.
Por que a Collina Strada funciona tão bem dentro da decoração
Hillary Taymour nunca trabalhou apenas com roupa.
Desde que assumiu a direção criativa da Collina Strada, sua linguagem combina moda, performance, humor, imagem digital e discussões ligadas a sustentabilidade e comportamento.
A própria marca se define como uma plataforma para consciência climática, questões sociais, mudança e autoexpressão.
Visualmente, isso aparece em estampas sobrepostas, silhuetas pouco convencionais, cores saturadas e elementos naturais usados de maneira quase surreal.
É um repertório que se adapta facilmente ao design de interiores porque já depende muito de superfície, textura e composição.
Na coleção com a LAYERED, esses elementos continuam reconhecíveis sem precisar reproduzir literalmente uma roupa.
Tapetes feitos à mão
Os tapetes da colaboração são produzidos com a técnica de hand tufting, ou tufagem manual.
Nesse processo, fios são inseridos sobre uma base têxtil com auxílio de uma ferramenta específica, formando a superfície do tapete.
Cada peça da coleção é trabalhada por dois ou três artesãos durante vários dias.
Depois da tufagem, diferentes alturas de pelo e contornos são esculpidos manualmente.
Esse acabamento cria variações de relevo que deixam os desenhos menos planos.
A intenção é aproximar a superfície do tapete da irregularidade encontrada em um desenho feito à mão.
Por causa desse processo, pequenas diferenças podem existir entre uma peça e outra.
Essa variação é tratada como parte do produto, e não como defeito.
Imperfeição entra como elemento de design
Essa ideia também tem ligação direta com a Collina Strada.
Hillary Taymour costuma trabalhar com sobreposições, assimetrias e construções que mantêm uma aparência deliberadamente irregular.
Na coleção de interiores, isso aparece principalmente nos contornos das flores e nos diferentes níveis de textura dos tapetes.
A geometria deixa de ser tão rígida.
Linhas parecem desenhadas livremente, bordas não seguem formas perfeitamente regulares e os elementos gráficos mantêm certa espontaneidade.
É uma maneira interessante de levar a linguagem do sketch de moda para um objeto doméstico.
Rosso Garden e Rosso Plaid levam a cor para os sofás
Os sofás também trabalham estampas e cores reconhecíveis da parceria.
Entre os modelos estão o Rosso Garden e o Rosso Plaid.
O desenho mantém volumes relativamente simples para deixar a superfície assumir maior protagonismo.
Rosa, verde, vinho e oliva aparecem em combinações ligadas diretamente ao repertório cromático da Collina Strada.
A construção mostra uma diferença interessante em relação aos tapetes.
Enquanto os tapetes exploram contornos assimétricos e formas orgânicas, os sofás mantêm uma estrutura mais convencional.
É a estampa que provoca a ruptura visual.
Esse equilíbrio ajuda a evitar que todos os elementos do ambiente disputem atenção ao mesmo tempo.
Tapetes estão deixando de ser apenas pano de fundo
A colaboração também se encaixa em um movimento mais amplo dentro dos interiores contemporâneos.
Durante anos, o tapete apareceu principalmente como elemento de ligação entre sofá, mesa e mobiliário.
Agora, formatos irregulares, cores intensas e trabalhos gráficos estão transformando a peça em um ponto focal.
A própria LAYERED construiu boa parte de sua identidade nessa ideia.
Para Malin Glemme, um tapete pode determinar o caráter inteiro de um ambiente.
Isso muda a ordem tradicional de decoração.
Em vez de escolher primeiro sofá, mesa e cadeiras para depois procurar um tapete que combine com tudo, a peça pode servir como ponto inicial do projeto.
Como usar peças tão marcantes em casa
Uma peça com muita informação não exige necessariamente um ambiente inteiro maximalista.
Um tapete floral pode funcionar com sofá neutro e madeira natural.
Um sofá estampado pode aparecer em uma sala com paredes claras e poucos objetos.
Também é possível seguir na direção oposta e combinar estampas diferentes, cores saturadas e mobiliário escultórico.
O importante é entender a hierarquia do ambiente.
Quando um tapete tem formato, cor e textura muito fortes, ele naturalmente passa a ocupar uma posição de destaque.
Os outros elementos podem apoiar essa escolha ou competir propositalmente com ela.
É justamente essa liberdade que aproxima a coleção da própria linguagem da Collina Strada.
Moda e decoração estão cada vez mais próximas
Nos últimos anos, marcas de moda têm ampliado sua presença no design de interiores através de mobiliário, objetos, iluminação e colaborações.
A lógica é simples: uma identidade visual forte consegue circular por diferentes escalas.
Uma cor que funciona em uma coleção pode reaparecer em uma cadeira.
Uma estampa de arquivo pode cobrir um sofá.
Uma técnica de construção pode inspirar um objeto.
Na Collina Strada LAYERED, essa passagem acontece de maneira muito direta.
Não existe tentativa de esconder a origem fashion da colaboração.
As próprias roupas, lojas e passarelas servem como arquivo para os objetos.
Collina Strada expande sua linguagem para além da roupa
A Collina Strada LAYERED funciona porque não trata interiores como uma categoria paralela.
Os mesmos elementos que Hillary Taymour utiliza em vestidos, passarelas e campanhas aparecem agora em objetos que ocupam outra escala.
Florais crescem, xadrezes chegam ao mobiliário e formas orgânicas mudam a geometria do chão.
Para a Collina Strada, é a primeira experiência com produtos de interiores.
Para a LAYERED, a colaboração mostra até onde um tapete pode funcionar como suporte de expressão gráfica.
No fim, a casa recebe o mesmo tipo de personalidade que Taymour já leva há anos para a passarela.
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