Chanel Alta-Costura 2027: Matthieu Blazy apresenta a coleção “Once Upon a Time”

A Chanel abriu o segundo dia da Semana de Alta-Costura de Paris com uma das apresentações mais comentadas da temporada. Sob a direção criativa de Matthieu Blazy, a maison revelou a coleção “Once Upon a Time”, onde o designer reafirmou seus códigos, desta vez com uma narrativa inspirada em conto de fadas.

Inspirada em um antigo livro de contos de fadas encontrado na biblioteca de Coco Chanel, a coleção propôs uma narrativa que passeia entre fantasia, natureza e delicadeza. Em vez de recorrer apenas aos tradicionais elementos da maison, Blazy ampliou esse universo ao explorar cores vibrantes, materiais inesperados e uma forte presença de referências orgânicas.

o cenário inspirado em conto de fadas do desfile da chanel alta-costura

Antes mesmo do primeiro look surgir na passarela, o cenário já deixava claro que o desfile seria uma experiência imersiva. Idealizado pelo próprio Matthieu Blazy, o espaço foi transformado em uma grande estufa surrealista, inspirada no universo fantástico de Jumanji. Flores gigantes pareciam brotar das paredes e do chão, criando uma atmosfera quase mágica, como se a natureza tivesse tomado conta da arquitetura.

A cenografia dialogava diretamente com o conceito da coleção. As flores, elemento recorrente na história da Chanel e uma das maiores paixões de Coco Chanel, apareciam reinterpretadas em escala monumental, reforçando a sensação de que os convidados estavam caminhando por um jardim encantado.

Outro momento especial ficou por conta da participação do artista francês Joël Blanc, conhecido por transformar acontecimentos em aquarelas feitas ao vivo. Convidado especialmente pela maison, ele acompanhou toda a apresentação pintando os looks em tempo real, adicionando uma dimensão artística ao desfile e reforçando a ideia de que moda e arte caminham lado a lado no universo da alta-costura.

Artesanato, textura e sofisticação

Na coleção, Matthieu Blazy mostrou que sua interpretação da Chanel passa pelo equilíbrio entre tradição e renovação. A alfaiataria ganhou protagonismo, surgindo com cortes precisos e proporções elegantes, enquanto vestidos fluidos e conjuntos de saias mídi trouxeram leveza à apresentação.

Os tecidos foram um dos grandes destaques. Tramas artesanais, superfícies com aparência rústica e uma rica combinação de texturas revelaram o trabalho manual característico da alta-costura. Em diversos looks, o estilista utilizou materiais que remetem às fibras naturais, criando uma estética mais orgânica sem perder o refinamento esperado da maison.

As pérolas, um dos maiores símbolos da Chanel, apareceram reinterpretadas ao longo da coleção. Em vez de servirem apenas como acessórios, foram incorporadas aos bordados, aos acabamentos e às próprias estruturas das roupas, oferecendo novas leituras para um dos códigos mais tradicionais da marca.

Os bordados também merecem destaque. Flores e pássaros foram aplicados sobre vestidos, casacos e conjuntos por meio de técnicas artesanais extremamente minuciosas, acrescentando profundidade e movimento às peças. A cartela de cores vibrante reforçou o clima lúdico da coleção, enquanto os detalhes tridimensionais ampliaram a riqueza visual de cada criação.

Os acessórios seguiram a mesma narrativa. Sapatos de salto, bolsas e headpieces receberam aplicações florais e bordados elaborados, funcionando como uma extensão das roupas e reforçando a proposta de fantasia construída por Blazy.

Como já é tradição nos desfiles de alta-costura da maison, a apresentação foi encerrada com o vestido de noiva. O modelo escolhido trazia uma silhueta volumosa com comprimento na altura dos tornozelos, completamente bordado e acompanhado por um delicado véu também trabalhado artesanalmente. O look sintetizou perfeitamente o espírito da coleção: clássico, sofisticado e ao mesmo tempo surpreendente.

Com “Once Upon a Time”, Matthieu Blazy confirma que sua passagem pela Chanel vai além de preservar um legado histórico. O estilista demonstra compreender profundamente os códigos da maison, mas também evidencia coragem para reinterpretá-los sob uma perspectiva mais contemporânea, leve e criativa.

Ao unir alfaiataria, artesanato, texturas inovadoras e uma narrativa visual cuidadosamente construída, Blazy entrega uma coleção refinada e cheia de personalidade. O resultado é uma alta-costura que respeita o passado da Chanel enquanto aponta, com naturalidade, para o futuro da maison.

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