A maison leva o desfile Fall 2026 para Xangai em 1º de abril e ativa quatro cidades com exposições, experiência imersiva e arquivos digitais abertos ao público.

A Maison Margiela está prestes a ganhar um capítulo à altura do próprio DNA: o desfile da Maison Margiela na China é um movimento grande, com camadas de narrativa e um gosto calculado por provocar conversa. Em 1º de abril, a casa apresenta seu desfile de Fall 2026 em Xangai, em um gesto que funciona como ponto final da temporada local.
O plano é tratar o país como um “momento de marca” completo. Não só um show, mas uma sequência de ativações em diferentes formatos, espalhadas por quatro cidades, ao longo de quase duas semanas. A ideia central é simples: ampliar comunidade, reforçar códigos e traduzir, com didatismo e impacto, por que Margiela ainda é uma referência quando o assunto é desconstrução, anonimato e experimentação.
O que o desfile da Maison Margiela na China prepara para 1º de abril
A data não é casual. O desfile acontece no Dia da Mentira, e a marca assume o timing com ironia. A escolha conversa com o histórico de apresentações que sempre geraram reação a favor ou contra, e com a vocação de transformar moda em debate público.
O show em Xangai é a peça mais visível de uma operação que também tem objetivos bem pragmáticos. A Maison Margiela entrou oficialmente no mercado da China em 2019 e cresceu rápido no varejo, chegando a 26 lojas. Ainda assim, o diagnóstico interno é que falta educação de marca em escala: explicar valores, códigos e a lógica criativa para além da bolha do setor.

“Martin Margiela/Folders”: a narrativa vira projeto
O título do projeto, “Martin Margiela/Folders”, já entrega a ambição de abrir gavetas. A marca quer mostrar como pensa, como produz e como documenta. A palavra “folders” aqui não é metáfora: ela vira estrutura editorial, com arquivos e materiais que conectam o backstage às referências históricas.
É uma estratégia que conversa com a cultura digital. Também com a curiosidade do público por processos. E, principalmente, com a linguagem de uma casa que sempre tratou bastidores como parte do espetáculo.

Maison Margiela na China: quatro cidades, quatro formatos
O roteiro é desenhado como uma imersão em diferentes pilares do universo Margiela. Cada cidade recebe um foco.
Xangai: exposição Artisanal, de 1989 a 2025
Em Xangai, uma exposição de uma semana revisita peças Artisanal de 1989 a 2025. O recorte inclui a estreia recente de Glenn Martens na maison, conectando arquivo e futuro sem transformar o passado em museu estático.
O objetivo é evidente: apresentar legado com curadoria. E fazer isso no mesmo lugar onde a marca encerra o ciclo com o desfile Fall 2026.
Pequim: anonimato como código central
Em Pequim, a narrativa se volta para um dos códigos mais reconhecíveis da casa: anonimato. Da postura reservada de Martin Margiela ao uso de máscaras que escondem o rosto, a exposição coloca em primeiro plano a ideia de autoria coletiva e a recusa do estrelato como parte do design.
É um tema que ganha relevância extra em um mercado movido por imagem, presença e status. Aqui, a contramão vira argumento.
Chengdu: o fascínio em torno da Tabi
Chengdu recebe uma exposição dedicada às coleções do sapato Tabi, reunidas por 10 entusiastas da marca. A escolha é direta: poucos itens carregam tanta força de reconhecimento imediato quanto a Tabi, um símbolo que atravessou décadas e ciclos de tendência.
Na prática, é também uma forma de reconhecer comunidade. E transformar colecionismo em conteúdo cultural.
Shenzhen: uma experiência com tinta branca e participação do público
Em Shenzhen, a proposta é participativa. Durante dois dias, o público pode levar roupas próprias e transformá-las com tinta branca, em referência a um gesto que acompanha a casa desde 1988: apagar para reescrever.
Essa experiência aproxima o discurso de “reconstrução” do cotidiano. E ajuda a traduzir, sem aula teórica, por que a Margiela sempre foi mais sobre processo do que acabamento perfeito.

Comunidade, produto e o que vem na coleção Fall 2026
O desfile Fall 2026 também é um momento para consolidar direção criativa e agenda comercial. Entre os destaques esperados estão acessórios considerados “chave”, como a nova Box bag, e uma família ampliada de sapatos Heel-less, com wedges ou saltos ocultos, desenhados por Glenn Martens a partir de referências de arquivo.
A leitura estratégica é clara: a marca quer crescer sem diluir o que a torna reconhecível. Hoje, a Maison Margiela atrai um público jovem, com forte presença feminina, e tem ready-to-wear e calçados como categorias líderes. Em um mercado grande e competitivo, a aposta é fazer o storytelling trabalhar junto com o produto.
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Por que essa operação importa para o futuro da marca
A movimentação acontece enquanto muitas casas europeias olham para destination shows em outros eixos. Aqui, o foco é construir presença com profundidade. O desfile da Maison Margiela na China usa o território como palco e, ao mesmo tempo, como laboratório de linguagem: exposição, participação, arquivo, desfile, varejo.
O desafio é o mesmo que a maison sempre enfrentou, agora em escala maior: crescer mantendo posicionamento. A marca quer ser vista mais vezes, mas não por todo mundo, o tempo todo. É um equilíbrio delicado. E, se funcionar, vira blueprint para como uma casa com códigos tão específicos pode expandir sem perder a assinatura.
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