A capital holandesa se torna a primeira cidade do mundo a proibir anúncios públicos de carne e combustíveis fósseis, retirando de outdoors e abrigos de tram publicidade de hambúrgueres, voos e carros a gasolina.

Amsterdã bane anúncios de carne e combustíveis fósseis e se torna a primeira capital mundial a adotar a medida. Desde 1º de maio, publicidades de hambúrgueres, carros a gasolina, companhias aéreas e cruzeiros foram retiradas de outdoors, abrigos de tram e estações de metrô em toda a cidade.
No lugar das campanhas de nuggets de frango, SUVs e pacotes de férias baratos, os amsterdamenses encontram agora anúncios do Rijksmuseum e de concertos de piano. A mudança na paisagem urbana é visível e imediata.
“A crise climática é muito urgente”, disse Anneke Veenhoff, do Partido Verde-Esquerda. “Se você quer liderar em políticas climáticas e ao mesmo tempo aluga suas paredes para exatamente o oposto, o que está fazendo?”
Uma decisão política com mensagem clara
A proibição foi proposta por Anke Bakker, líder do Partido pelos Animais em Amsterdã, e rejeita as acusações de paternalismo com um argumento simples. “Estamos tentando impedir que grandes empresas nos digam o tempo todo o que precisamos comer e comprar”, disse Bakker. “De certa forma, estamos dando mais liberdade às pessoas, porque elas podem fazer sua própria escolha.”
Ao agrupar carne com voos, cruzeiros e carros a combustão fóssil, a medida reposiciona o consumo de carne de uma escolha dietética puramente privada para uma questão climática de interesse coletivo.

Os argumentos a favor e contra a proibição dos anúncios
A Associação Holandesa de Carne reagiu com críticas, chamando a medida de “uma forma indesejável de influenciar o comportamento do consumidor” e argumentando que a carne “fornece nutrientes essenciais e deve permanecer visível e acessível aos consumidores”. A Associação Holandesa de Agências de Viagem também protestou, classificando a proibição de publicidade de férias com voos como uma restrição desproporcional à liberdade comercial das empresas.
Do outro lado, ativistas como a advogada Hannah Prins, da organização Advocates for the Future, veem a medida como um momento análogo ao que aconteceu com o tabaco. “Antigamente era normal ver Johan Cruyff em anúncios de cigarro”, disse Prins. “Hoje isso parece estranho. O que vemos no espaço público é o que consideramos normal na sociedade.”
Pequeno em receita, grande em simbolismo
Em termos financeiros, a publicidade de carne representava apenas cerca de 0,1% dos gastos em publicidade externa de Amsterdã, contra aproximadamente 4% para produtos relacionados a combustíveis fósseis. O mercado era dominado por marcas de roupa, filmes e celulares.
Mas o impacto político é desproporcional ao tamanho do mercado. A decisão de Amsterdã envia uma mensagem que vai além das fronteiras da cidade.
O impacto global e o que a decisão de Amsterdã pode inspirar
Amsterdã bane anúncios seguindo um caminho iniciado por outras cidades holandesas. Haarlem foi a primeira cidade do mundo a anunciar uma proibição ampla de publicidade de carne em espaços públicos, em 2022, com a medida entrando em vigor em 2024. Utrecht e Nijmegen seguiram com restrições próprias.
Globalmente, dezenas de cidades já proibiram ou estão em processo de proibir publicidade de combustíveis fósseis, incluindo Edimburgo, Sheffield, Estocolmo e Florença. A França chegou a adotar uma proibição nacional.

O limite do espaço público versus o digital
A medida enfrenta, no entanto, uma tensão evidente. As mesmas ofertas de hambúrgueres e voos baratos que desapareceram dos abrigos de tram continuam aparecendo nos algoritmos das redes sociais. A proibição no espaço físico não alcança as plataformas digitais, o que levanta a questão sobre o impacto real da iniciativa nos hábitos de consumo.
A professora Joreintje Mackenbach, epidemiologista da Universidade de Amsterdã, vê na medida um experimento valioso. “Se removemos esse tipo de estímulo visual de nossos ambientes públicos, isso também vai ter impacto sobre as normas sociais”, afirma.
Amsterdã bane anúncios e cria um modelo que ativistas esperam ver replicado em outras cidades e países. Se o precedente se consolidar, o espaço público do futuro pode deixar de ser um palco para o consumo irrestrito e se tornar um reflexo das escolhas que as sociedades querem normalizar.
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