A 39ª edição da mostra de design, arquitetura e estilo de vida fica em cartaz até 9 de agosto, com 70 ambientes em torno do tema Mente e Coração e curadoria que questiona a casa como espaço de produtividade.

O grande evento de design, arquitetura e estilo de vida do calendário brasileiro está prestes a abrir as portas. A 39ª edição da CASACOR São Paulo 2026 começa nesta terça-feira, dia 2 de junho, no Parque da Água Branca, na zona oeste da capital paulista, e fica em cartaz até o dia 9 de agosto. A mostra, organizada pela Editora Globo, traz mais de 10 mil metros quadrados de área expositiva, divididos em 70 ambientes que misturam casas, espaços de debate, jardins, praças, instalações artísticas, lofts e tiny houses. Os ingressos partem de R$ 80,50.
O tema desta edição é Mente e Coração, ponto de partida para uma reflexão sobre como o avanço da inteligência artificial, com o crescimento das chamadas smart homes, vem transformando a relação do morador contemporâneo com a casa. Em contraponto direto a esse cenário, a curadoria da CASACOR São Paulo 2026 escolheu investigar a dimensão afetiva da casa latino-americana, valorizando memórias, símbolos, materiais e gestos que atravessam o morar. A leitura nasceu de um seminário realizado no Sesc Pompeia e questiona, no fundo, a ideia moderna de casa como espaço destinado quase exclusivamente à produtividade e à eficiência.
Dentro desse universo, os 70 ambientes da CASACOR São Paulo 2026 atravessam temas que vão de arquitetura e design a novas formas de convívio, trabalho e acessibilidade. Uma novidade importante desta edição é a abertura: 40 por cento dos ambientes ficam acessíveis ao público sem custo de ingresso, ampliando a integração do evento com a rotina do parque e dos moradores do entorno, tornando a arquitetura mais acessível e livre.

A edição também tem uma camada forte de arte, com obras inéditas comissionadas a três nomes brasileiros: Charles Lessa, do Ceará, Jorge Souza, de Pernambuco, e Carol Ambrósio, de São Paulo, que tiveram os processos criativos acompanhados em seus territórios de origem.
Pelo segundo ano consecutivo, a mostra acontece no Parque da Água Branca, e o paisagismo da edição segue protocolos rigorosos de preservação. As árvores tombadas da área não sofreram nenhum tipo de intervenção, e toda a vegetação utilizada permanece em vasos apoiados sobre o solo, sem plantio direto nos canteiros do parque. As próprias espécies escolhidas obedecem a critérios específicos, evitando plantas tóxicas para animais e exemplares com espinhos, em coerência com a fauna local que circula pelo parque diariamente. A operação confirma a tendência das mostras de design de assumir responsabilidade socioambiental como pilar concreto da curadoria, em vez de ficar restrita a discurso de fachada.
O elenco de profissionais escalados para a CASACOR São Paulo 2026 mostra a régua que a mostra continua aplicando. Aparecem nesta edição nomes como Suite Arquitetos, Gui e Dado Castello Branco, Léo Shetman, Paulo Azevedo, Clara Nahas, Ohma e a arquiteta e designer afrolatina Michele Wharton, entre outros, em uma seleção que cruza estúdios consolidados e vozes que vêm ganhando relevância no recorte mais recente do mercado. Para o leitor que segue a conversa de design no Brasil, é o tipo de programa que pede visita com calma. A mostra abre nesta terça-feira no Parque da Água Branca, na Rua Dona Ana Pimentel, 37, e funciona de terça a domingo, das 11 às 22 horas, com ingressos a partir de R$ 80,50.
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