A casa de 114 lugares abriu na Rua Girassol com projeto de Isay Weinfeld, café-bar na entrada e ingressos a partir de 26 reais.

A Vila Madalena ganhou seu primeiro cinema de rua. O Cine Tutu abriu em 2 de outubro na Rua Girassol, 555, em um prédio que nasceu como teatro e passou anos fechado, e tem 114 lugares, café-bar na entrada e projeto de arquitetura assinado por Isay Weinfeld.
O nome é pessoal. Tutu é o apelido de Antônia, filha de Paulo Velasco, o empresário por trás da casa. Velasco é o mesmo nome do Cinesala, em Pinheiros, e do Barouche, o café-bar que agora opera também na entrada do novo cinema, com cafés, sanduíches, saladas, chope, drinques e vinhos. O bar funciona independentemente das sessões, o que é parte da ideia.
Weinfeld, que havia projetado o próprio edifício, desenhou o interior pensando no percurso de quem chega. O hall tem bilheteria, totens de autoatendimento, cabine de fotos, cartazes de cinema garimpados em galerias de vários países, uma arquibancada com almofadas e um sofá que contorna um pilar em formato de pétalas. Na sala, a tela tem 8,90 metros por 3,72, as poltronas são estofadas com tecido de estampa floral desenvolvido com a Entreposto e cortinas de veludo verde cobrem as paredes, escondem as caixas de som e ajudam no isolamento acústico. A projeção é Christie em 4K, com som digital Dolby 7.1.

O que o Cine Tutu vai exibir em São Paulo
A programação mistura estúdios grandes de Hollywood, produções independentes, cinema brasileiro e filmes de festival, com cerca de um quarto das sessões reservado a mostras. Entre os primeiros títulos estão “Digger”, com Tom Cruise, o documentário “Naza”, sobre a guerra em Gaza, premiado no Festival de Veneza, e “Ran”, de Akira Kurosawa.
O cinema já entra no circuito da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo a partir de 15 de outubro, o que coloca a casa dentro do calendário mais importante do cinema na cidade logo no primeiro mês.
“Queremos que o Cine Tutu seja um lugar aberto, que faça parte da vida na cidade”, disse Paulo Velasco.
Os ingressos saem a partir de 26 reais. O projeto tem Alfredo Setubal, Marcos Nisti e Mariana Lucas como investidores e conselheiros, patrocínio de IdeaZarvos, Opea e Swile, e Entreposto e Estúdio Arnold como fornecedores oficiais.
Vale o registro do contexto. São Paulo perdeu dezenas de cinemas de rua nas últimas décadas para shoppings e para o aluguel, e cada reabertura desse tipo é notícia não pela novidade, mas pela raridade.
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