Semana de Moda de Milão: Tudo que você precisa saber

A temporada de verão 2027 começa com a Prada abrindo o calendário pela primeira vez, tem três segundos desfiles decisivos e soma 54 passarelas e 88 apresentações.

Semana de Moda de Milão: Tudo que você precisa saber
Foto: Divulgação

A Semana de Moda de Milão começou nesta terça-feira, 22 de setembro, com a temporada de verão 2027, e a primeira decisão relevante do calendário aconteceu antes de qualquer modelo pisar na passarela. A Prada, que tradicionalmente desfila na tarde de quinta-feira, aceitou abrir a semana às 14h do primeiro dia. Não há explicação oficial para a mudança, mas o efeito é claro: Miuccia Prada e Raf Simons passam a definir o tom da temporada em vez de responder a ele. O cenário do desfile foi desenhado pelo escritório OMA, e a noite do mesmo dia ainda recebe a nova edição do Vogue World, montada na Galleria Vittorio Emanuele II.

A escolha desse endereço para o Vogue World não é acidente. A Prada vai inaugurar nesta semana o Prada Galleria, uma expansão ambiciosa da presença da casa dentro da mesma arcada do século 19 onde Mario Prada e o irmão Martino, avô e tio-avô de Miuccia, abriram a primeira loja da família em 1913. São oito andares distribuídos entre varejo, hospitalidade e conteúdo cultural, atravessando os dois lados da galeria por uma passagem subterrânea. O complexo integra as boutiques feminina e masculina, a confeitaria Marchesi 1824 e o Osservatorio Fondazione Prada, e acrescenta andares privados de acesso restrito.

No piano nobile fica a Pradasphere, primeira exposição permanente dedicada ao arquivo da casa, que percorre a história da marca de 1913 até hoje. A Prada vinha montando essa mostra como exposição itinerante havia mais de uma década, sempre em caráter temporário. Fixá-la em Milão transforma um acervo de marca em equipamento cultural de endereço estável, movimento que poucas casas de moda conseguiram executar de fato.

O resto do calendário é dominado por um fenômeno específico: esta é a temporada dos segundos desfiles. Demna na Gucci, Maria Grazia Chiuri na Fendi e Meryll Rogge na Marni estrearam na temporada passada e agora precisam entregar continuidade, etapa notoriamente mais difícil que a estreia. O primeiro desfile é carregado pela curiosidade acumulada. O segundo precisa provar que existe um método por trás, e não apenas um bom primeiro impulso.

Cada um dos três chega com um problema diferente para resolver. Demna construiu um monólito de mármore evocando a Uffizi para sua primeira passarela na Gucci, e a expectativa agora é de outro espetáculo de proporções semelhantes. Chiuri fez o oposto na Fendi: esvaziou o vasto espaço expositivo da sede milanesa da marca e apresentou um glamour pragmático sob o mote “less I, more us”, impresso no chão do salão. Já Rogge montou uma série de dioramas da vida cotidiana ao lado do estúdio Formafantasma para sua estreia na Marni. Os dois últimos abriram de forma contida, o que significa que ainda têm espaço para subir o volume sem parecer excesso.

A Emporio Armani fica em compasso de espera. Na semana passada, o grupo anunciou Dario Vitale como novo diretor criativo da linha, cargo que ele acumula com os acessórios da Giorgio Armani. Vitale vem de uma passagem curta mas marcante pela Versace, depois de construir a maior parte da carreira nos bastidores da Miu Miu, e a justificativa dada pela empresa é de que ele saberia interpretar o espírito de liberdade, experimentação e energia da marca com respeito e autoridade. Como ele ainda não assinou coleção, a Emporio Armani faz uma apresentação em vez de desfile, na noite de 24 de setembro, com peças masculinas e femininas desenhadas por Silvana Armani e Leo Dell’Orco, responsáveis pelas duas frentes dentro do grupo.

Fora da passarela, o evento que deve reunir mais gente interessante é o lançamento da coleção que Luca Guadagnino assina com o arquiteto e diretor de arte Stefano Baisi para a Zara Home. São 200 peças que a marca chama de atlas de design, cobrindo mobiliário, iluminação, fragrâncias e algumas roupas. Guadagnino explicou que a dupla queria fazer algo capaz de falar a língua que eles quiseram falar, “uma língua de forma e cor”. A coleção entra à venda em 26 de setembro, e Milão é o palco natural do lançamento, tanto pela ligação do diretor com a cidade quanto pela proximidade dele com o circuito de moda.

O restante da semana pertence aos nomes que definiram o estilo italiano e continuam definindo. Desfilam Dolce & Gabbana, Giorgio Armani, Tod’s, Max Mara, Bottega Veneta, Jil Sander e Ferragamo, enquanto Brunello Cucinelli, Brioni, Herno e Valextra optam por apresentações. Segundo a Camera Nazionale della Moda Italiana, órgão que organiza o calendário, a temporada soma 54 desfiles físicos e 88 apresentações, distribuídos até 28 de setembro.

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