O FILE 2026 ocupa o Centro Cultural FIESP até 11 de outubro com 160 obras de 48 países, entrada gratuita e uma galeria digital que abre das 19h às 6h.

Um perfume criado por IA a partir das suas próprias memórias é uma das obras em cartaz na exposição em São Paulo que ocupa o Centro Cultural FIESP até 11 de outubro. A instalação se chama “Algorithmic Perfumery”, é assinada pelo artista e cineasta holandês Frederik Duerinck, e funciona assim: o visitante descreve lembranças e referências, a inteligência artificial interpreta o relato e devolve uma composição olfativa única. O cheiro deixa de ser produto de perfumista e vira output de conversa.
A obra integra o FILE 2026, edição deste ano do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, que reúne cerca de 160 trabalhos de artistas de 48 países sob o tema “A Intercriatividade”. A entrada é gratuita, o endereço é a Avenida Paulista, 1.313, e a proposta curatorial trata a criatividade como processo compartilhado entre humanos, sistemas inteligentes, organismos vivos e ambientes tecnológicos. A equipe formada por Ricardo Barreto, Paula Perissinotto, Clarissa Vidotto e Victor Sardenberg descreve a mostra como um convite a reconhecer, dentro dos sistemas mais complexos, “aquilo que permanece em aberto, indeterminado e vivo”.
O perfume não está sozinho na lista de obras que usam o visitante como matéria-prima. Em “Ancestors”, da finlandesa Hanna Haaslahti, quem entra vira o primeiro membro de uma família digital, e a IA gera descendentes que passam a compor uma árvore genealógica coletiva construída ao longo da temporada. “A Walled City”, de Weidi Zhang, transforma fotos enviadas pelo público em uma cidade virtual que não para de crescer. Já “Transmissions into the Void”, do indiano Dennis Peter, cruza luz e som para tratar da deterioração da informação com o passar do tempo.
Há também um item com prazo curto. A obra “EchoVision”, instalada na área externa do centro cultural, usa realidade mista para simular a percepção de mundo dos morcegos e fica em cartaz apenas até 30 de agosto. Quem quiser ver precisa correr.
Vale entender o tamanho do que o FILE representa. Esta é a 26ª edição de um festival criado em 2000, antes de existirem redes sociais, smartphones e IA generativa como conhecemos hoje. A programação vai além das instalações e inclui jogos, animações, música, vídeos, cinema e arte urbana. A Galeria de Arte funciona de terça a domingo, das 10h às 20h, e a Galeria de Arte Digital abre todos os dias, das 19h às 6h.









