The Odyssey: entenda a história antes de ver o filme

O épico de Christopher Nolan leva aos cinemas a jornada de Odisseu, uma narrativa de guerra, monstros, deuses e do desejo de voltar para casa.

The Odyssey: entenda a história antes de ver o filme
Reprodução/ Internet

Poucas histórias atravessaram tantos séculos com a força de The Odyssey. A obra atribuída a Homero acompanha Odisseu depois da Guerra de Troia, quando o herói tenta regressar à ilha de Ítaca para reencontrar a esposa, Penélope, e o filho, Telêmaco.

O caminho de volta, que deveria ser relativamente direto, transforma-se em uma viagem de dez anos. Tempestades, criaturas mitológicas, intervenções divinas e as próprias decisões de Odisseu prolongam o percurso e colocam à prova sua inteligência, sua coragem e sua capacidade de resistir.

A história agora ganha uma nova adaptação cinematográfica dirigida por Christopher Nolan. Lançado nos cinemas em 17 de julho de 2026, o filme foi gravado integralmente com câmeras de filme IMAX e apresenta Matt Damon como Odisseu, Tom Holland como Telêmaco e Anne Hathaway como Penélope. O elenco também reúne Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, Zendaya e Charlize Theron.

Para quem nunca leu o poema ou já não se lembra dos detalhes, entender a estrutura da narrativa ajuda a acompanhar os muitos nomes, relações familiares e conflitos que cercam o protagonista.

Aviso: a matéria apresenta acontecimentos centrais da obra original de Homero e pode antecipar elementos da adaptação cinematográfica.

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Qual é a história de The Odyssey?

Embora esteja diretamente ligada à Guerra de Troia, The Odyssey não é a história completa do conflito. O poema concentra-se principalmente nas consequências da guerra e no longo retorno de Odisseu.

A tradição atribui a obra a Homero, poeta grego que teria vivido por volta dos séculos IX ou VIII a.C. A autoria exata permanece discutida, já que os poemas homéricos também podem ter sido formados e transformados por gerações de narradores ligados à tradição oral. Ainda assim, A Ilíada e A Odisseia são consideradas duas das obras mais influentes da literatura ocidental.

Antes de partir para Troia, Odisseu era rei de Ítaca. Ele deixa a ilha para integrar o exército grego, que parte para resgatar Helena, esposa de Menelau, levada para Troia pelo príncipe Páris.

A guerra dura dez anos. Odisseu torna-se conhecido não apenas por sua habilidade como guerreiro, mas principalmente por sua inteligência estratégica.

É a ele que a tradição associa o plano do Cavalo de Troia. Soldados gregos escondem-se dentro de uma grande estrutura de madeira, apresentada aos troianos como uma oferenda. Depois que o cavalo é levado para dentro da cidade, os homens deixam o esconderijo e abrem caminho para o ataque.

Encerrado o conflito, Odisseu inicia a viagem para casa. É nesse momento que começa a parte mais conhecida de sua jornada.

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Por que Odisseu demora tanto para voltar?

A viagem é marcada pela ira de Poseidon, deus do mar. O conflito entre os dois se intensifica depois que Odisseu encontra Polifemo, um ciclope que vive em uma ilha.

O herói consegue escapar da caverna de Polifemo usando a astúcia, mas comete um erro ao revelar sua identidade e provocar a criatura. Como Polifemo é filho de Poseidon, o deus passa a dificultar o retorno de Odisseu, desviando suas embarcações e prolongando sua ausência de Ítaca. O próprio poema apresenta a ira de Poseidon como consequência do que aconteceu com o ciclope.

Essa passagem resume uma das principais contradições do protagonista. Sua inteligência frequentemente o salva, mas o orgulho também cria novos problemas.

Odisseu não é apresentado como um herói perfeito. Ele mente, manipula, desafia limites e toma decisões que colocam seus companheiros em perigo. Ao mesmo tempo, é justamente essa imperfeição que torna sua trajetória mais humana.

A Guerra de Troia durou dez anos

Antes de enfrentar o percurso marítimo, Odisseu já havia passado uma década longe de casa por causa da guerra.

Somando o conflito e o período de retorno, Penélope e Telêmaco permanecem aproximadamente vinte anos sem sua presença. Durante esse tempo, Ítaca enfrenta uma crise política, porque não existe certeza de que o rei ainda esteja vivo.

É essa longa ausência que abre espaço para os pretendentes de Penélope.

Quem são Penélope e Telêmaco?

Penélope não permanece apenas esperando passivamente. Sem saber se Odisseu voltará, ela precisa administrar a pressão de homens que ocupam o palácio e desejam se casar com ela para assumir o poder em Ítaca.

Para adiar a escolha de um novo marido, Penélope anuncia que tomará uma decisão depois de terminar uma mortalha. Durante o dia, ela trabalha no tecido. À noite, desfaz secretamente parte do que produziu, prolongando a tarefa.

A personagem representa resistência, inteligência e lealdade, características que dialogam diretamente com a astúcia de Odisseu.

Telêmaco, por sua vez, era criança quando o pai partiu. No início da obra, ele já é um jovem tentando descobrir o destino de Odisseu e ocupar seu espaço em um reino dominado pelos pretendentes.

Os quatro primeiros livros do poema acompanham principalmente essa busca. O trecho é conhecido como Telemaquia e mostra o amadurecimento do filho enquanto ele procura informações sobre o pai.

No filme, Penélope é interpretada por Anne Hathaway, enquanto Tom Holland assume o papel de Telêmaco.

Quem são os pretendentes de Penélope?

Durante a ausência de Odisseu, diversos homens instalam-se no palácio de Ítaca e pressionam Penélope a escolher um novo marido.

Eles consomem os recursos do reino, desrespeitam Telêmaco e agem como se Odisseu já estivesse morto. O casamento com a rainha não representa somente uma união amorosa, mas também uma disputa pelo poder.

Antínoo aparece como uma das principais figuras desse grupo. Na adaptação de Christopher Nolan, o personagem é interpretado por Robert Pattinson.

O regresso de Odisseu, portanto, não se limita a reencontrar a família. Ele precisa descobrir em quem pode confiar e recuperar o controle de uma casa transformada durante sua ausência.

Os principais deuses e criaturas de The Odyssey

A narrativa mistura conflitos humanos e intervenções sobrenaturais. Deuses ajudam, castigam, orientam ou confundem os personagens, muitas vezes movidos por disputas próprias.

Atena

Atena, deusa associada à sabedoria e à estratégia, é a principal aliada divina de Odisseu.

Ela intercede por ele diante de Zeus, orienta Telêmaco e participa da preparação do retorno a Ítaca. Sua proximidade com Odisseu está relacionada à inteligência e à habilidade estratégica do herói.

Na adaptação cinematográfica, Atena é interpretada por Zendaya.

Poseidon

Poseidon é o grande adversário da viagem. Como deus do mar e pai de Polifemo, ele transforma o oceano em um obstáculo constante.

Sua ira não impede definitivamente o regresso, mas torna o percurso muito mais longo e difícil.

Polifemo

Polifemo é o ciclope encontrado por Odisseu e seus companheiros. O protagonista consegue enganá-lo ao dizer que se chama “Ninguém”, criando um jogo de linguagem que dificulta que o ciclope peça ajuda.

O episódio revela a capacidade de improvisação de Odisseu, mas também seu orgulho. Depois de escapar, ele não resiste à vontade de declarar sua verdadeira identidade, provocando a vingança de Poseidon.

Circe

Circe é uma figura ligada à magia. Quando alguns dos companheiros de Odisseu chegam à sua ilha, ela os transforma em animais.

Odisseu recebe de Hermes uma planta capaz de protegê-lo do encantamento e consegue enfrentá-la. Depois disso, Circe devolve a forma humana aos homens e passa a orientar o herói sobre os perigos seguintes. A proteção concedida por Hermes e a transformação dos companheiros aparecem na tradição clássica ligada ao episódio.

Calipso

Calipso vive na ilha de Ogígia, onde Odisseu permanece por sete anos.

Ela deseja mantê-lo ao seu lado e oferece a possibilidade de imortalidade. Odisseu, porém, continua desejando regressar a Ítaca.

A libertação acontece depois que Atena pede a intervenção de Zeus. Hermes é enviado para comunicar que Calipso deve permitir a partida do herói. Charlize Theron interpreta a personagem no filme.

Cila e Caríbdis

Odisseu também precisa atravessar uma passagem marítima cercada por duas ameaças.

De um lado está Cila, uma criatura que ataca quem se aproxima. Do outro, Caríbdis forma um redemoinho capaz de engolir embarcações.

A travessia simboliza uma escolha entre perigos inevitáveis. A expressão “entre Cila e Caríbdis” passou a representar situações em que qualquer decisão envolve algum tipo de perda.

O que acontece com os companheiros de Odisseu?

A viagem começa com uma tripulação, mas Odisseu acaba seguindo sozinho.

Os homens enfrentam diferentes obstáculos e, em vários momentos, ignoram avisos importantes. Um dos episódios centrais ocorre na ilha de Trinácia, onde vive o gado sagrado de Hélio.

Apesar da ordem para não tocar nos animais, os companheiros os matam enquanto Odisseu está ausente. A desobediência provoca uma punição divina e contribui para a destruição do restante da tripulação.

A sucessão de perdas torna a viagem mais do que uma aventura fantástica. A cada nova parada, Odisseu se distancia ainda mais do homem e do comandante que deixou Ítaca.

NOTA DA REDAÇÃO

A Odisseia não apresenta os acontecimentos em uma ordem completamente linear. Quando o poema começa, Odisseu já está longe de casa há muitos anos. Parte das aventuras anteriores é narrada pelo próprio personagem, como uma lembrança. Uma adaptação pode reorganizar essa estrutura para construir sua própria experiência cinematográfica.

Por que The Odyssey continua tão atual?

A dimensão mitológica chama atenção, mas a permanência da obra está ligada a temas profundamente humanos.

O poema fala sobre a passagem do tempo, a saudade, o desejo de pertencimento e as consequências de uma guerra. Também questiona o que significa regressar a um lugar depois de uma ausência tão longa.

Odisseu deseja chegar a Ítaca, mas não é mais a mesma pessoa que deixou a ilha. Penélope precisou sobreviver politicamente sem o marido. Telêmaco cresceu sem conhecer verdadeiramente o pai.

O retorno, portanto, não apaga os anos de separação. Ele obriga os personagens a descobrir se ainda existe uma casa à qual podem voltar.

Essa combinação entre espetáculo, aventura e conflito íntimo ajuda a explicar por que Christopher Nolan escolheu adaptar o poema. O diretor descreveu a produção como um épico mítico de ação, filmado em diferentes partes do mundo com tecnologia IMAX.

Serviço

Filme: The Odyssey

Direção e roteiro: Christopher Nolan

Baseado em: A Odisseia, atribuída a Homero

Elenco principal: Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, Zendaya e Charlize Therona

Formato: produção gravada integralmente com câmeras de filme IMAX

Disponibilidade: em exibição nos cinemas; horários e formatos variam de acordo com a cidade e a sala

Uma viagem que nunca foi apenas sobre chegar

O mar ocupa grande parte de The Odyssey, mas o destino da história sempre esteve em Ítaca. É a lembrança da ilha que mantém Odisseu em movimento, mesmo quando a possibilidade de voltar parece cada vez mais distante.

Conhecer os deuses, criaturas e personagens ajuda a acompanhar a dimensão épica do filme, mas não é necessário decorar cada nome antes da sessão. A narrativa começa a fazer sentido quando percebemos que todos esses encontros interferem na mesma pergunta: o que ainda resta da vida que Odisseu deixou para trás?

É nessa expectativa que o poema de quase três mil anos continua vivo. A viagem pode reunir monstros, tempestades e intervenções divinas, mas seu impulso mais forte nasce de algo simples e reconhecível: a vontade de voltar para casa.

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