A saia volta ao centro da moda para 2027

De Nova York a Milão, saias lápis, evasês, transparências, renda e volumes ganham espaço nas passarelas e apontam para uma feminilidade mais evidente.

Depois de várias temporadas dominadas por calças largas, alfaiataria relaxada e proporções oversized, a saia tendência 2027 começa a aparecer como um dos movimentos mais claros das novas coleções.

Nova York já havia dado sinais. Calvin Klein Collection, Carolina Herrera e Thom Browne colocaram diferentes comprimentos e construções em circulação. Londres continuou o movimento com nomes como Simone Rocha e Burberry.

Em Milão, a ideia ficou ainda mais evidente.

Prada apresentou uma coleção inteira construída em torno da saia. Jil Sander e Fendi também trabalharam o item de maneiras bastante distintas, mostrando que o retorno não depende de uma única silhueta.

A saia aparece longa, curta, reta, volumosa, transparente, ajustada ou pregueada.

O ponto comum está no protagonismo.

Prada transforma a saia em objeto de estudo

Nenhuma marca levou o assunto tão longe quanto a Prada.

Miuccia Prada e Raf Simons dedicaram praticamente toda a coleção Spring 2027 ao item, apresentando 63 variações de saia ao longo do desfile.

Mini, midi, lápis, evasê, pregueada, bordada, estampada ou construída com camadas de crinolina: cada look explorava uma possibilidade diferente.

Essa escolha tem uma ligação direta com a história da própria Miuccia.

No início dos anos 2000, a Prada já havia criado a exposição Waist Down — Skirts by Miuccia Prada, dedicada às saias desenvolvidas pela designer.

Na época, Miuccia também definiu a peça de maneira bastante simples: para ela, uma saia funciona quase como uma camiseta. É fácil de combinar, mas permite inúmeras interpretações.

Duas décadas depois, essa ideia retorna de forma muito mais extensa.

A saia lápis reaparece

Entre os modelos que começam a ganhar espaço está a saia lápis.

O nome descreve uma silhueta reta e estreita, geralmente ajustada ao corpo e com comprimento próximo ou abaixo do joelho.

É uma peça historicamente associada ao guarda-roupa de escritório e à moda dos anos 1950, mas as novas versões estão longe daquela imagem rígida.

A saia volta ao centro da moda para 2027
Foto: Reprodução/ Pinterest

Na Calvin Klein Collection, Veronica Leoni trabalhou saias slim dentro de um guarda-roupa extremamente limpo, próximo dos códigos fundamentais da marca.

O styling deixou a peça mais direta, acompanhada por camisetas, jaquetas e elementos bastante simples.

A construção também ajuda a recolocar a saia lápis dentro de um contexto atual.

Ela aparece menos ligada ao uniforme corporativo e mais próxima de uma ideia de roupa cotidiana.

Midi e abaixo do joelho ganham força

Outro comprimento que aparece com frequência é o midi.

O termo descreve saias que terminam entre o joelho e o tornozelo, embora o ponto exato varie de acordo com a modelagem.

Por muito tempo, esse comprimento foi associado a uma leitura mais clássica.

Agora, ele aparece com transparências, recortes, tecidos técnicos e styling menos formal.

Na Prada, saias abaixo do joelho foram combinadas a pequenos tops de lingerie.

A proporção cria uma imagem interessante: uma parte inferior relativamente comportada encontra uma parte superior extremamente reduzida.

É justamente essa combinação que impede a roupa de parecer nostálgica.


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Evasê e godê recuperam movimento

A saia evasê se abre gradualmente a partir da cintura ou do quadril, criando uma forma semelhante à letra A.

Já o godê utiliza um corte circular ou semicircular que produz mais volume e movimento na barra.

São duas construções bastante ligadas à história da moda feminina do século XX.

Nas coleções atuais, aparecem com tecidos leves, superfícies técnicas e proporções diferentes.

Esse tipo de volume ficou especialmente interessante depois de anos em que boa parte do guarda-roupa feminino foi dominada por calças largas e linhas mais retas.

Agora, o movimento da roupa volta a fazer parte importante da silhueta.

Transparência muda a leitura da saia

Renda, chiffon, nylon e tecidos translúcidos também aparecem com frequência.

A transparência permite manter comprimentos longos sem criar uma imagem pesada.

Em alguns casos, a lingerie permanece visível.

Em outros, diferentes camadas criam profundidade sobre estampas ou bordados.

A Prada utilizou nylon transparente sobre padrões e aplicações. Simone Rocha continuou trabalhando renda, tule e superfícies delicadas dentro de seu repertório romântico.

Na Fendi, Maria Grazia Chiuri também explorou saias e construções que misturam leveza e sensualidade.

A transparência faz com que a saia deixe de funcionar apenas como uma forma.

A própria pele passa a participar do desenho.

Volume aparece sem depender de vestidos

Uma mudança interessante está na separação entre saia e vestido.

Durante muito tempo, grandes volumes eram apresentados principalmente em vestidos.

Agora, eles aparecem com frequência em separates.

O termo é usado na moda para falar de peças independentes — saia, blusa, camisa, jaqueta — que podem ser combinadas de diferentes maneiras.

Essa flexibilidade ajuda a explicar por que a saia está ganhando tanto espaço.

Uma peça volumosa pode ser usada com uma camiseta simples.

Uma saia de renda pode entrar com tricô.

Uma lápis pode ser combinada a uma bomber ou jaqueta técnica.

A construção permanece feminina sem obrigar o look inteiro a seguir a mesma linguagem.

Thom Browne leva a saia para seu universo de alfaiataria

Thom Browne continua tratando saia e tailoring dentro de uma mesma estrutura.

Na Spring 2027, o designer trabalhou seu repertório habitual de alfaiataria extremamente precisa, agora atravessado por referências à natureza e insetos.

Saias entram ao lado de jackets de tweed, ombros construídos e proporções controladas.

Browne já trabalha há anos com a ideia de desafiar categorias tradicionais do guarda-roupa masculino e feminino.

Por isso, a presença da saia em sua passarela não funciona apenas como tendência.

Ela faz parte de um vocabulário maior sobre uniforme e gênero.

Carolina Herrera mantém a saia ligada à elegância

Na Carolina Herrera, Wes Gordon continua explorando uma feminilidade muito ligada à história da casa.

A marca completou 45 anos nesta temporada e revisitou vários códigos estabelecidos por Carolina Herrera desde 1981.

Poás, vestidos fluidos, volumes e saias amplas apareceram ao longo da coleção.

Aqui, a saia não precisa ser desconstruída para parecer atual.

Ela funciona dentro de um guarda-roupa construído há décadas em torno de camisa branca, cintura marcada e roupa de festa.

Essa continuidade mostra outro lado da tendência.

Nem todo retorno precisa depender de ironia ou ruptura.

Jil Sander trabalha a saia dentro do minimalismo imperfeito

Na Jil Sander, Simone Bellotti continua tentando deslocar uma marca historicamente associada ao minimalismo perfeito.

Para Spring 2027, ele introduziu pequenas distorções em peças muito conhecidas.

Blazers, vestidos e saias recebem assimetrias, proporções estranhas e detalhes deliberadamente fora do lugar.

A saia aparece como uma das peças que ajudam a construir esse novo vocabulário.

O próprio Bellotti já falou sobre a necessidade de acrescentar algo “errado” à perfeição tradicional da Jil Sander.

É uma abordagem bem diferente da Prada, mas reforça a mesma ideia: a saia voltou a funcionar como campo de experimentação.

E a Fendi?

Maria Grazia Chiuri também colocou a saia dentro de sua segunda coleção para a Fendi.

A designer trabalha há anos com a relação entre feminilidade, funcionalidade e guarda-roupa cotidiano.

Na Spring 2027, essa pesquisa aparece em peças que misturam referências italianas, materiais leves e uma sensualidade menos rígida.

A saia participa desse repertório sem precisar assumir uma única forma dominante.

Longas, fluidas ou mais ajustadas, elas entram dentro de um guarda-roupa pensado para movimento.

Não é só a saia que está mudando

O retorno da saia acontece ao lado de outro movimento importante.

Scarpins, salto agulha e sapatos mais delicados também começam a aparecer novamente com força.

Depois de anos dominados por sneakers, loafers pesados, botas utilitárias e plataformas, a silhueta do sapato começa a afinar.

Isso muda completamente a leitura da roupa.

Uma saia midi com sneaker produz uma proporção.

A mesma saia com scarpin pontudo cria outra.

Nas passarelas Spring 2027, essa combinação aparece com frequência suficiente para indicar uma mudança mais ampla no styling.

O retorno de uma feminilidade mais evidente

Seria simplista dizer que “a moda voltou a ser feminina”.

A moda nunca deixou de trabalhar feminilidade.

O que mudou foi a maneira como ela aparecia.

Nos últimos anos, boa parte das tendências mais visíveis priorizou alfaiataria oversized, roupas utilitárias, denim largo, sportswear e peças emprestadas do guarda-roupa masculino.

Agora, começam a reaparecer elementos associados historicamente a outras construções de feminilidade: cintura marcada, saia, salto fino, lingerie, renda, cetim e transparência.

A diferença está na combinação.

Esses elementos convivem com parkas, bomber jackets, camisetas, malhas esportivas e roupas técnicas.

Essa mistura impede que o resultado pareça simplesmente um revival dos anos 1950.

Por que a saia faz sentido agora?

Existe também uma razão prática.

A saia oferece um número enorme de possibilidades sem exigir uma construção completamente nova do guarda-roupa.

Uma única peça pode ser usada com camisa, camiseta, tricô, lingerie, blazer ou jaqueta esportiva.

Comprimento, volume, material e styling alteram completamente sua leitura.

Essa versatilidade explica por que Miuccia Prada continua descrevendo a saia como um objeto adaptável.

Também ajuda a entender por que tantas marcas chegaram ao mesmo item por caminhos diferentes.

A saia ganha novamente espaço para experimentar

A saia tendência 2027 não depende de uma única imagem.

Prada mostrou 63 maneiras diferentes de trabalhar a peça. Calvin Klein Collection reduziu sua construção ao essencial. Jil Sander introduziu distorções. Simone Rocha manteve renda e romantismo. Carolina Herrera preservou o volume clássico.

Essa variedade é justamente o que torna o movimento interessante.

A saia volta ao centro do guarda-roupa sem precisar escolher entre clássico, sensual, técnico ou esportivo.

E quando scarpins, saltos finos, renda e lingerie começam a aparecer ao lado dela, fica claro que a discussão vai além de uma única peça.

A silhueta feminina está mudando novamente.

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