A nova Balenciaga The Plant marca a estreia da produção interna da maison na Itália, unindo regeneração arquitetônica, tradição artesanal e visão contemporânea.

A Balenciaga The Plant é mais do que uma nova fábrica. É um movimento estratégico que consolida a produção interna da maison na Itália e reforça um discurso contemporâneo de regeneração industrial.
Localizada no coração da Toscana, a Balenciaga The Plant nasce sobre as bases de uma antiga fábrica de couro dos anos 1960. Em vez de construir do zero, a marca decidiu reutilizar e transformar um complexo existente. O resultado é um centro de produção e formação que equilibra herança, tecnologia e arquitetura sustentável.
Ao inaugurar a Balenciaga The Plant, a grife dá um passo relevante no controle de sua cadeia produtiva e fortalece sua presença no território italiano, reconhecido mundialmente pelo savoir-faire em couro.
O conceito de regeneração por trás da Balenciaga The Plant
A história da Balenciaga The Plant começa em Cerreto Guidi, vilarejo situado a oeste de Florença. O local abrigava a antiga fábrica Enny, fundada nos anos 1960 por Giovanni Battista Cappellini, figura relevante do empreendedorismo toscano do pós-guerra.
Durante décadas, o espaço produziu bolsas de couro distribuídas pela Itália e exportadas para outros mercados. Com o declínio da produção, o complexo — formado por três estruturas construídas entre as décadas de 1960 e 1980 — foi abandonado.
A proposta da Balenciaga The Plant foi resgatar essa memória industrial. O projeto arquitetônico ficou a cargo do escritório Metrooffice Architetti, sediado em Florença, liderado por Fabio Barluzzi e Barbara Ponticelli.
A decisão de regenerar, em vez de demolir, posiciona a Balenciaga The Plant dentro de uma lógica de reaproveitamento urbano. Não se trata apenas de sustentabilidade ambiental, mas de continuidade histórica.
Arquitetura, sustentabilidade e identidade industrial
Os arquitetos optaram por preservar elementos estruturais originais, como o concreto armado aparente. Esse gesto funciona como uma assinatura visual do passado industrial.
O telhado original, excessivamente alto, foi substituído por uma nova cobertura composta por duas lajes sobrepostas. A intervenção reduziu o impacto visual do edifício e o integrou melhor à paisagem toscana.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a volumetria horizontal faz com que o complexo pareça suspenso entre oliveiras. A Balenciaga The Plant dialoga com o entorno rural sem abrir mão de sua linguagem contemporânea.
Nota da redação
A reutilização de estruturas industriais é uma tendência crescente no setor de luxo europeu. Além de reduzir emissões ligadas à construção, esse modelo reforça narrativas de legado e autenticidade — valores estratégicos para marcas globais.
Internamente, a escolha de materiais reforça essa dualidade entre passado e futuro. Concreto exposto, pisos de resina cinza, vidro e alumínio compõem o cenário. Sistemas técnicos visíveis e painéis acústicos estruturam os ambientes de forma funcional e estética.
A Balenciaga The Plant foi pensada para evoluir ao longo do tempo. A arquitetura não é estática; ela se adapta às necessidades produtivas e tecnológicas da marca.
Produção, formação e o futuro da Balenciaga na Itália
O primeiro núcleo a ser desenvolvido dentro da Balenciaga The Plant foi o centro de formação. O espaço abriga áreas abertas de trabalho, setor de corte e escritórios administrativos.
A estratégia é clara: formar profissionais internamente e garantir excelência artesanal alinhada aos padrões da maison.

O edifício principal concentra o coração do projeto. Distribuído em vários níveis, o complexo organiza funções de maneira precisa.
No subsolo, há estacionamento. No nível de entrada, recepção, escritórios, auditório, áreas de armazenamento, vestiários e departamento de corte.
O nível superior é dedicado integralmente à produção. Trata-se de um grande espaço aberto, livre de colunas internas, permitindo fluxos eficientes e flexibilidade operacional.
Acima, um lobby envidraçado conduz a um jardim e ao centro de formação. A estrutura de conexão conhecida como “The Bridge” foi redesenhada para abrigar refeitório e cozinha.

A Balenciaga The Plant representa a primeira produção interna da marca na Itália. Em um momento em que casas de luxo buscam maior controle sobre qualidade e rastreabilidade, essa decisão ganha peso estratégico.
Mais do que uma unidade fabril, o projeto funciona como declaração institucional. A maison investe em território, formação e infraestrutura própria.
Impacto para o setor de luxo
A inauguração da Balenciaga The Plant ocorre em um cenário de transformação na indústria. Cadeias produtivas mais curtas, responsabilidade ambiental e valorização da manufatura local tornaram-se critérios centrais.
Ao escolher a Toscana — região associada ao artesanato em couro —, a marca reforça sua ligação com a tradição italiana.
O projeto também sinaliza uma mudança de postura: luxo não é apenas produto final, mas processo, arquitetura e experiência.
A Balenciaga The Plant consolida essa visão. O espaço une produção, capacitação e identidade visual sob um mesmo teto regenerado.
A Balenciaga The Plant inaugura um novo capítulo na trajetória da maison. Ao regenerar um complexo industrial histórico na Toscana, a marca articula passado e futuro em um mesmo gesto.
O projeto reforça a produção interna na Itália, valoriza o savoir-faire local e estabelece um modelo arquitetônico alinhado à sustentabilidade contemporânea.

Mais do que uma fábrica, a Balenciaga The Plant é uma declaração estratégica sobre controle criativo, responsabilidade ambiental e visão de longo prazo.
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