Martin Margiela na Kudan House estreia em Tóquio

Designer que se tornou artista inaugura sua primeira grande exposição no Japão com mostra imersiva na histórica residência de Chiyoda.

Martin Margiela na Kudan House estreia em Tóquio
Divulgação

Martin Margiela na Kudan House inaugura um novo capítulo na trajetória do criador belga que redefiniu a moda conceitual nas últimas décadas. Desta vez, o foco não está nas passarelas. Está nas paredes, nos objetos e no silêncio.

De 11 a 29 de abril, a histórica residência Kudan House, em Tóquio, recebe a primeira grande exposição solo do artista no Japão. A mostra ocupa todos os ambientes da vila, transformando o espaço em uma experiência imersiva concebida pelo próprio Margiela.

Após deixar sua marca homônima em 2009, o criador — conhecido como o “homem invisível da moda” — direcionou sua energia criativa para as artes visuais. O gesto não foi ruptura, mas retorno. Um reencontro com suas origens na escola de arte.

Agora, Martin Margiela na Kudan House consolida essa fase com uma exposição que amplia o debate sobre autoria, anonimato e materialidade.


A transição da moda para a arte

Martin Margiela sempre operou à margem do sistema tradicional da moda. Avesso ao culto à celebridade, evitava aparições públicas e entrevistas. Sua ausência virou assinatura.

Em 2009, deixou sua própria grife, a Maison Margiela, em um movimento que reforçou sua aura de mistério. O que parecia despedida do circuito criativo foi, na prática, um redirecionamento.

Martin Margiela na Kudan House estreia em Tóquio
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Antes de sua exposição na Lafayette Anticipations, em 2021, Margiela declarou que buscava “um horizonte mais amplo, com total liberdade na expressão criativa”. A arte oferecia isso: espaço sem calendários de coleção, sem pressões comerciais, sem espetáculo.

Em Tóquio, essa liberdade se materializa em colagens, desenhos, pinturas, esculturas, assemblagens e vídeos que dialogam com o espaço doméstico da Kudan House.


O conceito de Martin Margiela na Kudan House

Instalada no bairro de Chiyoda, a Kudan House é uma residência histórica que mistura arquitetura clássica e atmosfera intimista. Para esta mostra, o espaço é transformado em cenário sensorial.

Martin Margiela na Kudan House não se limita a expor obras. Ele constrói um ambiente.

Assim como sua estreia artística em Paris — que exigia que visitantes saíssem por uma saída de emergência — a exposição em Tóquio articula percurso e percepção. A experiência é desenhada para provocar deslocamento.

Os temas recorrentes do artista aparecem com nova sutileza:

  • Tempo
  • Desaparecimento
  • Aura
  • Corporeidade
  • Visibilidade

Há uma tensão constante entre presença e ausência. Entre objeto e vazio.

Margiela mantém seu anonimato como estratégia conceitual. Ao retirar o criador do centro da narrativa, desloca o olhar para a obra. Para o gesto manual. Para a transformação da matéria.


Nota da redação

O título de “homem invisível da moda” não foi apenas uma metáfora. Durante décadas, Martin Margiela recusou entrevistas, fotos e aparições públicas, tornando-se um dos poucos designers globais cuja imagem permanece desconhecida do grande público.


Moda, arte e a redefinição de linguagem

Embora o corpo humano não seja mais seu único meio de expressão, a lógica estrutural da moda continua presente. Costura, desmontagem e reconstrução ainda operam como método.

A diferença está no suporte.

Em vez de tecidos, superfícies rígidas.
Em vez de silhuetas, volumes escultóricos.
Em vez de passarela, ambiente imersivo.

Martin Margiela na Kudan House revela como a prática artística do criador preserva suas obsessões originais, mas amplia o campo de atuação.

Ele prefere provocar perguntas a oferecer respostas. Essa frase, dita pelo próprio artista, ecoa em cada sala da exposição.

A solidão estética que atravessa a mostra também sugere uma reflexão sobre percepção contemporânea. Em uma era marcada por hiperexposição digital, Margiela opta pelo oposto: retração e mistério.


Experiência imersiva em Tóquio

Martin Margiela na Kudan House estreia em Tóquio
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Ao ocupar integralmente a residência, Martin Margiela na Kudan House cria um percurso quase doméstico. O visitante atravessa salas que evocam intimidade, silêncio e introspecção.

O diálogo entre arquitetura histórica e arte contemporânea potencializa o impacto da mostra. A casa não funciona apenas como galeria, mas como extensão conceitual da obra.

O resultado é uma experiência híbrida. Não é desfile. Não é museu tradicional. É imersão.

A escolha de Tóquio também é estratégica. O Japão mantém longa tradição de valorização do gesto manual, da imperfeição e da estética do vazio — conceitos que dialogam diretamente com a produção recente de Margiela.


Serviço

Martin Margiela na Kudan House
📍 1 Chome-15-9 Kudankita, Chiyoda City
Tóquio 102-0073, Japão
🗓️ De 11 a 29 de abril

Ingressos disponíveis mediante reserva antecipada.


Com Martin Margiela na Kudan House, o artista consolida sua transição definitiva da moda para a arte contemporânea sem abandonar suas raízes conceituais.

A exposição reafirma sua coerência criativa e amplia sua influência para além do sistema fashion. Em Tóquio, o silêncio fala alto.

Para quem acompanha a interseção entre moda, arte e experiência imersiva, essa mostra se torna parada obrigatória.

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