Róng Museum of Art transforma Shenzhen em polo cultural

Novo museu assinado por Ole Scheeren une arte, tecnologia e sustentabilidade em Shenzhen e promete se tornar um dos marcos culturais mais importantes da Ásia.

Róng Museum of Art transforma Shenzhen em polo cultural
Büro Ole Scheeren / Divulgação

O Róng Museum of Art é um dos projetos culturais mais ambiciosos em desenvolvimento na Ásia. Localizado em Shenzhen, o novo museu foi concebido pelo escritório Büro Ole Scheeren e nasce com a proposta de integrar arte, cultura digital, arquitetura e convivência urbana em um único espaço.

Mais do que um edifício expositivo, o projeto foi desenhado para funcionar como uma extensão da cidade. Em vez de criar barreiras entre o museu e o espaço público, a proposta aposta em uma grande praça coberta, aberta 24 horas por dia, estimulando encontros, eventos, instalações e circulação espontânea.

Com inauguração prevista para 2027, o Róng Museum of Art reforça a transformação de Shenzhen em um centro global de inovação criativa, onde tecnologia e cultura passam a ocupar o mesmo protagonismo.

O que é o Róng Museum of Art

O Róng Museum of Art será dedicado à cultura visual e digital dos séculos 20 e 21. O espaço reunirá exposições de arte, design, arquitetura, cinema e novas mídias, além de áreas voltadas para educação, palestras, oficinas, biblioteca pública, cafés e varejo cultural.

O nome “Róng” faz referência ao conceito de integração e simbiose. Essa ideia orienta todo o projeto, desde a arquitetura até a proposta de aproximar a prosperidade tecnológica de Shenzhen de iniciativas voltadas à vida pública e à cultura.

Büro Ole Scheeren / Divulgação

O museu faz parte do Houhai Hybrid Campus, um complexo urbano de uso misto que reúne residências, escritórios, hotel, lojas e espaços de convivência. Nesse contexto, o museu atua como um ponto de encontro entre moradores, trabalhadores e visitantes.

Como o Róng Museum of Art foi desenhado para a cidade

A principal característica do Róng Museum of Art é sua relação com o espaço urbano. Em vez de ocupar totalmente o terreno, o edifício suspende parte de suas galerias para liberar o térreo e criar uma praça ventilada e aberta ao público.

Esse espaço foi pensado para receber instalações temporárias, projeções, apresentações e eventos culturais. Na prática, o projeto transforma o fluxo cotidiano de pessoas em experiências de contato com arte e design.

A circulação também é parte importante da experiência. Uma escada sinuosa acompanha a fachada externa do museu e conduz o visitante até um jardim na cobertura, com vista para a orla de Shenzhen. Esse terraço funcionará como plataforma para eventos ao ar livre, performances e programação cultural.

Arquitetura e sustentabilidade no Róng Museum of Art

Visualmente, o museu se destaca por seus volumes cônicos e escultóricos, que se expandem conforme ganham altura. Esses blocos são revestidos por tubos de vidro suspensos, desenvolvidos por meio de engenharia paramétrica.

Além de criar uma aparência translúcida e futurista, os tubos cumprem funções sustentáveis. Eles ajudam no controle de luz natural, ventilação, sombreamento e captação de água da chuva.

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Durante o dia, a fachada permite a entrada suave de luz nas galerias. À noite, os tubos iluminados transformam o edifício em uma espécie de lanterna cultural sobre a paisagem urbana.

Esse conceito está alinhado à estratégia de “sponge city” adotada por Shenzhen, que busca criar edifícios e bairros mais preparados para lidar com drenagem, clima e eficiência ambiental.

Nota da redação: Shenzhen é uma das cidades chinesas mais associadas ao conceito de “sponge city”, modelo urbano que utiliza soluções naturais e arquitetônicas para absorver e reaproveitar água da chuva.

Róng Museum of Art e o papel das big techs na cultura

O projeto também chama atenção pelo contexto de financiamento. O museu foi encomendado pela Tenova Future, iniciativa ligada ao fundador da Tencent, grupo responsável por plataformas como WeChat.

Para Ole Scheeren, o Róng Museum of Art representa uma mudança importante na relação entre grandes empresas de tecnologia e o espaço urbano. Em vez de concentrar investimentos apenas em infraestrutura corporativa, o projeto aposta em equipamentos culturais, espaços públicos e iniciativas educacionais.

Essa lógica acompanha o momento vivido por Shenzhen. Nas últimas décadas, a cidade deixou de ser apenas um polo industrial e tecnológico para se tornar também um centro de design, arquitetura, inovação e produção cultural.

O distrito de Nanshan, onde o museu está localizado, concentra parte importante dessa transformação e já abriga algumas das principais empresas de tecnologia da China.

Por que Shenzhen quer ser uma capital cultural global

Durante muito tempo, Shenzhen foi conhecida principalmente por sua velocidade de crescimento econômico. Hoje, a cidade busca ampliar essa imagem e consolidar uma identidade ligada à criatividade, ao design e à arte contemporânea.

Nesse cenário, o Róng Museum of Art surge como uma peça importante dessa estratégia. O museu não pretende ser apenas um novo ícone arquitetônico, mas um espaço capaz de conectar diferentes públicos e criar uma nova camada cultural para a cidade.

Büro Ole Scheeren / Divulgação

Ao reunir sustentabilidade, tecnologia, arte e espaço público, o projeto mostra como a arquitetura pode ser usada para transformar a experiência urbana e fortalecer a relação entre inovação e vida coletiva.

Com abertura prevista para 2027, o Róng Museum of Art já desponta como um dos projetos culturais mais relevantes em desenvolvimento na China e uma referência para o futuro das instituições criativas nas grandes cidades.

O Róng Museum of Art simboliza uma nova fase para Shenzhen. Mais do que um museu, o projeto funciona como uma plataforma de convivência, cultura e tecnologia integrada ao cotidiano da cidade.

Ao apostar em espaços abertos, sustentabilidade e programação pública, o Róng Museum of Art reforça o papel da arquitetura como ferramenta de transformação urbana.

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