O Festival de Veneza 2026 começou em 2 de setembro com o Leão de Ouro por conjunto da obra para George Clooney, Maggie Gyllenhaal de The Row na presidência do júri e a estreia mundial de “Ink”, de Danny Boyle.

O Festival de Veneza 2026 abriu o tapete vermelho em 2 de setembro e confirmou que o Lido segue sendo o lugar onde a temporada de premiações começa a ser desenhada. A 83ª edição da mostra mais antiga do mundo vai até 12 de setembro e estreou com “Ink”, de Danny Boyle, produção da Netflix que disputa o Leão de Ouro e reconstrói a compra do tabloide britânico The Sun por Rupert Murdoch em 1969, com Guy Pearce no papel do magnata e Jack O’Connell como o editor Larry Lamb.
A moeda mais valiosa da noite ficou com George Clooney, que recebeu o Leão de Ouro por conjunto da obra e desembarcou acompanhado de Amal Clooney, vestida em Tom Ford. Ao redor deles circularam Laura Dern, Kate Mara, Guy Pearce, Claire Foy, Werner e Lena Herzog, e J Balvin, cuja presença é o tipo de sinal que explica por que o festival deixou de ser assunto exclusivo de crítica de cinema.
Maggie Gyllenhaal preside o júri desta edição e escolheu abrir o trabalho de terno The Row, corte impecável e nenhum excesso, o oposto da lógica de vestido-notícia que domina o resto do tapete. A postura acompanhou a roupa: ela declarou que filmes são fundamentalmente e inevitavelmente políticos e questionou publicamente a ausência de diretoras mulheres na seleção competitiva desta edição, apontando um problema que descreveu como sistêmico.



É aí que mora a leitura mais interessante de Veneza hoje. O festival virou uma das principais plataformas de estreia de direção criativa da moda, com marcas usando o Lido para apresentar novos rumos antes das passarelas. Nas edições recentes, o tapete serviu de vitrine inaugural para nomes que acabavam de assumir maisons históricas, e a lógica se repete: um vestido no Lido rende mais imagem em circulação do que boa parte de um desfile. Cinema e moda dividem a mesma escadaria, e nenhum dos dois está ali por acaso.
O calendário ainda reserva os momentos mais disputados. Entre os títulos que chegam nos próximos dias estão “Primetime”, de Lance Oppenheim com Robert Pattinson, e “Bunker”, de Florian Zeller com Penélope Cruz e Javier Bardem, o que garante mais dez dias de tapete vermelho antes do encerramento.









