O acordo marca a entrada da marca suíça no futebol, traz Thierry Henry como diretor da categoria e prevê as primeiras chuteiras para 2027.

Mbappé deixa a Nike e assina com a On Running, encerrando uma relação que durava vinte anos. O vínculo do atacante do Real Madrid com a marca americana começou em 2006, quando ele tinha oito anos de idade, e atravessou toda a sua formação até o ápice como capitão da seleção francesa. O anúncio saiu nesta sexta-feira e representa a entrada formal da suíça, até aqui conhecida por tênis de corrida premium, no mercado de futebol.
A posição dele dentro da operação é o que chama atenção. A On descreve o jogador como o coração da nova jornada da marca no futebol, com trabalho direto ao lado das equipes de produto no desenvolvimento e nos testes de calçados e vestuário. Ele também assume o posto de embaixador global, estendendo a parceria para além do campo. As primeiras chuteiras da marca estão previstas para 2027.
O acordo não parece seguir o modelo tradicional de patrocínio. Segundo apuração de diversos veículos internacionais, Mbappé recebeu participação acionária na empresa e terá uma sub-marca própria de chuteiras assinatura, em contrato de aproximadamente uma década. Se confirmado, o desenho inverte a lógica habitual: em vez de ser pago para vestir um produto que outra pessoa desenvolveu, ele passa a ter interesse financeiro direto no sucesso da operação. É a estrutura que a Jordan Brand consolidou no basquete, aplicada ao futebol. Nem a marca nem o entorno do jogador divulgaram os termos financeiros.

A On não chegou sozinha. A empresa nomeou Thierry Henry como diretor de futebol, e o ex-atacante vinha trabalhando nos bastidores da estratégia de entrada da marca desde o fim de 2025, o que ajuda a explicar como uma companhia sem histórico na modalidade conseguiu convencer o jogador mais visado do mercado. Fundada em 2010 e com Roger Federer como cossócio desde 2019, a On está avaliada em torno de US$ 11 bilhões, e suas ações subiram cerca de 5% no pré-mercado americano após o anúncio.
Do outro lado, o momento é desconfortável. A Nike vinha apoiando boa parte da sua comunicação de futebol sobre Mbappé desde o fim do ciclo de Cristiano Ronaldo, e ele recebeu edições assinatura das Mercurial até recentemente. A perda vem logo depois da saída de Lamine Yamal para a Adidas e dois dias após a empresa anunciar a entrada de Alexandre Arnault, executivo da LVMH, em seu conselho de administração. Vale registrar ainda que, em junho, questionada sobre entrar no futebol, a On negou e afirmou apenas que avaliava oportunidades em novos esportes.









